A Cidade de Palaguin

img_220454261_1393768088_abig

Na cidade de Palaguin
o dinheiro corrente era olhos de crianças.
Em todas as ruas havia um bordel
e uma multidão de prostitutas
frequentava aos grupos casas de chá.
Havia dramas e histórias de era uma vez
havia hospitais repletos:
o pus escorria da porta para as valetas.
Havia janelas nunca abertas
e prisões descomunais sem portas.
Havia gente de bem a vagabundear
com a barba crescida.
Havia cães enormes e famélicos
a devorar mortos insepultos e voantes.
Havia três agências funerárias
em todos os locais de turismo da cidade.
Havia gente a beber sofregamente
a água dos esgotos e das poças.
Havia um corpo de bombeiros
que lançava nas chamas gasolina.

Na cidade de Palaguin
havia crianças sem braços e desnudas
brincando em parques de pântanos e abismos.
Havia ardinas a anunciar
a falência do jornal que vendiam;
havia cinemas: o preço de entrada
era o sexo dum adolescente
(as mães cortavam o sexo dos filhos
para verem cinema).
Havia um trust bem organizado
para a exploração do homossexualismo.
Havia leiteiros que ao alvorecer
distribuíam sangue quente ao domicílio.
Havia pobres a aceitar como esmola
sacos de ouro de trezentos e dois quilos.
E havia ricos pelos passeios
implorando misericórdia e chicotadas.

Na cidade de Palagüin
havia bêbados emborcando ácidos
retorcendo-se em espasmos na valeta.
Havia gatos sedentos
a sugar leite nos seios das virgens.
Havia uma banda de música
que dava concertos com metralhadoras;
havia velhas suicidas
que se lançavam das paredes para o meio da multidão.
Havia balneários públicos
com duches de vitríolo – quente e frio
– a população banhava-se frequentes vezes.

Na cidade de Palaguin
havia Havia HAVIA…

Três vezes nove um milhão.

__________

Carlos Eurico da Costa, in ‘A Cidade de Palaguin’

pataphisica

Qu’est ce que la ’Pataphysique

 

La plus vaste et la plus profonde des Sciences, celle qui d’ailleurs les contient toutes en elle-même, qu’elles le veuillent ou non, la Pataphysique ou science des solutions imaginaires a été illustrée par Alfred Jarry dans l’admirable personne du Docteur Faustroll. Les Gestes et Opinions du Docteur Faustroll, pataphysicien, écrits en 1897-1898 et parus en 1911 (après la mort de Jarry) contiennent à la fois les Principes et les Fins de la Pataphysique, science du particulier, science de l’exception (étant bien entendu qu’il n’y a au monde que des exceptions, et que la «règle» est précisément une exception à l’exception ; quant à l’univers, Faustroll le définissait «ce qui est l’exception de soi».)

Cette Science, à laquelle Jarry avait voué sa vie, les hommes la pratiquent tous sans le savoir. Ils se passeraient plus facilement de respirer. Nous trouvons la Pataphysique dans les Sciences Exactes ou Inexactes (ce qu’on n’ose avouer), dans les Beaux-Arts et les Laids, dans les Activités et Inactivités Littéraires de toutes sortes. Ouvrez le journal, voyez la télévision, parlez: Pataphysique !

 

La Pataphysique est la substance même de ce monde.

(in: Novum Organum du Collège de ’Pataphysique)

livre-faustroll

a criação do “superior instituto de altos estudos patafísicos da nova lusitânia” é uma realidade. já.
a sereníssima sub-comissão dos provedores gerais assim como as  transcomissões e satrapias apenas aguardam a tomada de posse dos excelsos catedráticos.
o “superior instituto de altos estudos patafísicos da nova lusitânia” estará apto a conferir os mais diversos títulos académicos aos seus estudantes…
a saber:
– bacharel titular em estudos patafísicos
– licenciatura-técnica em soluções imaginárias
– pós-graduação em máquinas de leitura (manipulação especializada)
– mestrados em alinhamentos e semi-virtualidades
– doutorados(mentos) em planos, círculos, excepções, plásticas, espirais, estéticas, seduções e outras formas e graças.
os grandesssissimos sátrapas e “enormissimos cornópios” (como diria cortázar) deste recanto europeu, foram já convidados.
aos nossos candidatos a estudiosos deste instituto publicamos aqui alguns documentos – trabalhos  de casa…

calendário perpétuo do dr. faustrol – permite-nos reconhecer as diversas festas supremas e também as do grande vaziu (comuns).

Festas Supremas – principais principais:

ONTOGÉNIE PATAPHYSIQUE

Festas Supremas principais secundárias:
NAVEGAÇÃO DO Dr FAUSTROLL

Festas Supremas secundárias:
FESTA DOS POLIEDROS

Festas Supremas de terceiro grau:
FESTA DA CANDEIA VERDE

Festas Supremas de quarto grau:
St Alambique – “o abstracto”

pat-00

pat-01

pat-02

pat-03

pat-04

pat-05

pat-06

pat-07

pat-08

pat-09

pat-10

pat-11

pat-12

pat-13

Invocation a la Momie Antonin Artaud

artaud7

Invocation à la Momie (Antonin Artaud)

 

 

Ces narines d’os et de peau
par où commencent les ténèbres
de l’absolu, et la peinture de ces lèvres
que tu fermes comme un rideau
Et cet or que te glisse en rêve
la vie qui te dépouille d’os,
et les fleurs de ce regard faux
par où tu rejoins la lumière
Momie, et ces mains de fuseaux
pour te retourner les entrailles,
ces mains où l’ombre épouvantable
prend la figure d’un oiseau
Tout cela dont s’orne la mort
comme d’un rite aléatoire,
ce papotage d’ombres, et l’or
où nagent tes entrailles noires
C’est par là que je te rejoins,
par la route calcinée des veines,
et ton or est comme ma peine
le pire et le plus sûr témoin.

Eris a deusa primordial do Caos

eris

No início era Éris – a nossa deusa, e Éris era pura e moldada no absoluto caos – como nos foi revelado pelo divino Tai Chi.

Éris é, tão só, o substrato a partir do qual o universo surge.

E Éris concebeu cinco filhos:

– Gaia (a Terra)

– Urano (o grande céu)

– Pluto (o submundo)

e

– os dois primeiros corvos

Gaia e Urano casaram e, conceberam os doze Titãs, o mais jovem dos quais era Cronos, o Tempo e, também, o Senhor da Agricultura.

Cronos está na origem de todos os nossos problemas.

Foi Cronus, sempre insatisfeito, que desmentiu sua mãe, castrou o pai e… proclamou-se rei da e para a eternidade.

E foi por isso, que Éris o amaldiçoou.

Tal maldição, lançada sobre ele, provocou um acto de traição… isso. Cronos – também ele seria traído e usurpado por um de seus filhos.

Mas antes… muito antes, Cronos, pressente que será traído por um dos filhos. Na ânsia de evitar tal previsão, devorou os 5 filhos.

Mas Rhea, sua esposa, estava grávida de um sexto filho.

E, como é normal, Rhea não queria ver o filho comido por seu marido. Quando a criança nasceu, Rhea substituí a criança por uma grande pedra envolta em linho e apresentou-a a Cronos como seu filho. E ele comeu a pedra sem sequer se certificar se era, de facto, o verdadeiro filho.

E Rhea escondeu o menino. Para tal, contou com a cumplicidade de sua mãe, a deusa Gaia que, na altura, vivia com sua avó Éris na escuridão eterna – aí, onde Cronus não poderia encontrar o petiz.

Precisamente!…

Gaia e Eris foram incumbidas de proteger Zeus, o filho mais novo de Cronus, o menino que sobreviveu envolto no sagrado caos.

E a deusa primordial, Éris, a que tudo previa (porque tudo sabia) – percebeu que Zeus iria crescer para se tornar um Deus de topo da hierarquia – logo um deus dominante e supremo.

Éris pensa e repensa e, ao pensar, repensa de novo e… decide que o melhor será matar seu bisneto – Zeus – antes que inicie o seu reinado de terror.

Porém Zeus sobrevive graças à sua avó, a deusa Gaia.

Com efeito, Éris sabia que ao matar o deus-menino teria de destruir o universo e começar tudo do zero. Então, resolveu fazer da vida de Zeus uma farsa e uma tragédia. Faz tudo para subverter a hierarquia e, logicamente, dar uma machadada na falocracia.

Foi o que, realmente, fez. Procurou arruinar a carreira hierárquica do deus no panteão. E Zeus, esse, sentia-se completamente fodido e frustrado.

Zeus cresce e, derruba o pai, liberta seus irmãos mais velhos das entranhas do progenitor, todavia os titãs serão escravizados e subjugados pelos tios e tias. Tais atitudes de Zeus chateiam profundamente sua avó, Gaia. A deusa não podia suportar que seu neto, o deus-menino que tinha protegido, iria provocar tão grandes danos a seus irmãos, os Titãs – filhos de Gaia.

E Gaia gera um último Titã com Pluto – deus do submundo. Nasceu então Typhon o Pai de todos os monstros. E Typhon cavalga com Éris para enfrentar e matar Zeus. Mas Zeus, nessa altura, andava com Nike (Vitória) – donde se infere que naquele dia não poderia ser derrotado. No entanto, Éris acaba por cagar em Zeus.

Com seu poder supremo qual macho dominante, Zeus reescreve a história, a fim de retratar Éris como uma ordinária, uma deusa subordinada.

é nesta altura que Zeus faz crer a todos que Éris não é sua bisavó mas sim, sua filha. (foda-se!… o tipo era um cabrão falocrata).

Hail Eris !!!!!
23.

Irei descer Voltarei aos altares

aaa-demo

O tempo chegou – desceremos através da Espiral – a dos Tempos.

O ponto central da espiral, é também a do abismo – do Conhecimento.

O abismo é o caminho que os Adeptos almejam alcançar (deverão passar) – a Grande Cidade das Pirâmides.

Adentrando-nos nesse reino infernal e, caminhando em espiral, poderemos alcançar a capital do reino – para alguns, Infernal.

E esse reino representa (pode representar) a total reestruturação do sistema.

Para tal é necessário que superes as dualidades e te tornes um Mestre.

O Mito da descida, é o caminho. Aquele em que todos, no seu percurso, rumam ao interior do grande ciclo e, logicamente, iniciarão (tomarão em suas mãos) o outro.

São muitos os que nos seguirão.

Está escrito, nos muitos Livros e tal pensamento, patente nas muitas culturas: – uma nova Era surgirá!

Os calendários estão mortos.

Outros serão adoptados.

Outros.

Estruturados noutras frequências. Noutros ritmos.

Os dos Tempo.

Os que provocarão uma outra ordem mental. A que nos convidará seguir a harmonia:

– A da natureza

– A da mente

– A dos ciclos (solar – lunar)…

Reordenaremos a nossa mente.

Valorizaremos o fluxo do calendário lunar, sua tradição iniciática.

Somos os filhos das “bruxas” e “magos” que a cristandade não conseguiu queimar nas suas fogueiras.

Estamos vivos e reivindicamos o regresso da “Grande Roda do Ano” com seus sabat e festividades lunares.

Reivindicamos as práticas da Bruxaria tradicional. A grande FESTA. Uma sociedade humanizada onde a criatividade e a liberdade são a grande chave.

Reivindicamos a absoluta liberdade. A liberdade é una. É um todo.

A liberdade é! – a “liberdade parcelar” não o é!

A liberdade e a criatividade irrompem. Espontaneamente.

Não há (não pode haver) “parcelas” de liberdade.

Há, tão só Liberdade.

É a Liberdade que desejamos. Que reivindicamos.

Quando as estrelas estiverem alinhadas eles voltarão para destruir o mundo. Os “Antigos” transportam consigo os nomes esquecidos e trarão, de novo, os poderes negados ou adormecidos.

Os poderes que residem no nosso interior – os quais não damos conta

Eles voltarão aos altares.

E Eles destruirão os altares.

A liberdade será reconquistada aos tiranos – A Grande Árvore será o nosso trono

marques de sade O marido padre

Untitled-1

O marido padre – Conto provençal

Entre  a cidade  de Menerbe, no condado  de Avinhão, e a de Apt, em Provença,  há um pequeno  convento  de carmelitas isolado,  denominado Saint-Hilaire,  assente  no cimo   de uma montanha onde até mesmo às cabras é difícil o pasto; esse pequeno sítio é aproximadamente como a cloaca de todas as comunidades vizinhas  aos carmelitas; ali, cada uma delas relega o que a desonra, de onde não é difícil inferir quão puro deve ser o grupo de pessoas que frequenta essa casa. Bêbados, devassos, sodomitas, jogadores; são esses, mais ou menos, os nobres integrantes desse grupo, reclusos que, nesse asilo escandaloso, o quanto podem ofertam a Deus almas que o mundo rejeita. Perto dali, um ou dois  castelos e o burgo de Menerbe, o qual se acha apenas a uma légua de Saint-Hilaire – eis  todo o mundo desses bons religiosos que, malgrado  sua batina e condição, estão, entretanto, longe de encontrar abertas  todas as  portas de quantos estão à sua volta.

Havia muito o padre  Gabriel,  um dos santos desse eremitério, cobiçava certa mulher de Menerbe, cujo marido,  um rematado corno, chamava-se Rodin. A mulher  dele era  uma moreninha, de vinte e oito  anos, olhar leviano e nádegas roliças, a qual parecia constituir em todos os aspectos lauto banquete para um monge. No que tange ao sr. Rodin, este era homem bom, aumentando o seu património sem dizer nada a ninguém: havia sido   negociante de panos, magistrado, e era, pois, o que se poderia chamar um burguês honesto;  contudo, não muito  seguro das virtudes de sua cara-metade, era ele sagaz o bastante para  saber que o verdadeiro modo de se opor às enormes protuberâncias que ornam a cabeça de um marido é dar mostras de não desconfiar de os estar usando; estudara para tornar-se padre,   falava latim como Cícero, e jogava bem amiúde o jogo de damas com o padre Gabriel que,   cortejador astuto e amável, sabia que é preciso  adular  um pouco o marido  de cuja  mulher  se deseja possuir. Era um verdadeiro modelo dos filhos de Elias, esse padre Gabriel: dir-se-ia que toda a raça humana podia tranquilamente contar com ele para multiplicar-se; um legítimo fazedor de filhos, espadaúdo, cintura de uma alna(1), rosto perverso e trigueiro, sobrancelhas como as de Júpiter, tendo seis pés de altura  e aquilo que é a característica principal de um carmelita, feito, conforme se diz, segundo os moldes dos mais belos jumentos da província. A que mulher um libertino assim não haveria de agradar soberbamente? Desse modo, esse homem se prestava de maneira extraordinária aos  propósitos da sra. Rodin,  que  estava muito longe de encontrar tão sublimes qualidades no  bom senhor que  os pais lhe haviam dado por esposo. Conforme já dissemos, o sr. Rodin   parecia  fazer  vistas grossas  a  tudo,  sem ser, por isso, menos ciumento, nada dizendo, mas ficando por ali, e fazendo isso nas diversas vezes em que o queriam bem longe. Entretanto, a ocasião era boa. A ingénua Rodin simplesmente havia dito a seu amante que apenas  aguardava o momento para corresponder aos desejos que lhe pareciam fortes demais para  que continuasse a opor-lhe resistência, e padre Gabriel, por seu turno, fizera com que a sra. Rodin percebesse que ele estava pronto a satisfazê-la…  Além disso, num breve momento  em que Rodin fora obrigado a sair, Gabriel mostrara  à sua encantadora  amante uma dessas   coisas que fazem com que uma mulher se decida, por mais que hesite… só faltava, portanto, a ocasião.

Num dia em que  Rodin saiu para almoçar com seu amigo de Saint-Hilaire, com  a ideia de o convidar para uma caçada, e depois de ter esvaziado algumas garrafas de vinho  de Lanerte, Gabriel  imaginou  encontrar na circunstância o instante propício à realização  dos seus desejos.

– Oh, por Deus, senhor magistrado, – diz o monge ao amigo – como estou contente de vos ver hoje! Não  poderíeis ter vindo num momento mais oportuno do que este; ando às voltas com um caso da maior importância, no qual  haveríeis de ser a mim de serventia sem par.

– Do que se trata, padre?

– Conheceis Renoult, de nossa cidade.

– Renoult, o chapeleiro.

– Precisamente.

– E então?

– Pois bem, esse patife me deve cem céus (2), e acabo de saber que ele se acha às portas da falência; talvez agora, enquanto vos falo, ele já tenha abandonado o  Condado…   preciso muitíssimo correr até lá, mas não posso fazê-lo.

– O  que vos impede?

– Minha missa, por Deus! A missa que devo celebrar; antes a missa fosse para o diabo, e os cem écus voltassem para o meu bolso.

– Não compreendo: não vos podem fazer um favor?

– Oh, na verdade sim, um favor! Somos três aqui; se  não celebrarmos todos os dias três missas, o superior, que nunca as celebra, nos denunciaria a Roma; mas existe um meio de me ajudardes, meu caro; vede se podeis fazê-lo; só depende de vós.

– Por Deus! De bom grado! Do que  se  trata?

– Estou sozinho aqui com o sacristão; as duas  primeiras missas foram celebradas, nossos monges já saíram, ninguém suspeitará do ardil; os fiéis serão poucos, alguns camponeses, e quando muito, talvez, essa  senhorinha tão devota que mora no castelo de… a meia légua daqui; criatura angélica que, à força da austeridade, julga poder reparar todas as estroinices do marido; creio que me dissestes que estudastes para ser padre.

– Certamente.

– Pois bem, deveis ter aprendido a rezar a missa.

– Faço-o como um arcebispo.

– Ó meu caro e bom amigo! – prossegue Gabriel lançando-se ao pescoço de Rodin – são dez horas agora; por Deus, vesti meu hábito, esperai soar a décima primeira  hora; então celebrai a missa, suplico-vos; nosso irmão sacristão é um bom diabo, e nunca nos trairá; àqueles que julgarem não me reconhecer, dir-lhes-emos que é um novo monge, quanto aos outros, os deixaremos em erro; correrei ao encontro de Renoult, esse velhaco, darei cabo  dele ou recuperarei meu dinheiro, estando de volta em duas horas. O senhor me aguardará, ordenará que grelhem os linguados, preparem os ovos e busquem o vinho; na volta, almoçaremos, e a caça… sim, meu amigo, a caça creio que  há de ser boa dessa vez: segundo se disse, viu-se pelas redondezas um animal de chifres, por Deus! Quero que o agarremos, ainda que tenhamos de nos defender de vinte processos do senhor da região!

– Vosso  plano é bom – diz Rodin – e, para vos fazer um favor, não há, decerto, nada que eu não faça; contudo, não haveria pecado nisso?

– Quanto a pecados, meu amigo, nada direi; haveria algum, talvez, em executar-se mal a coisa; porém, ao fazer isso sem que se esteja  investido de poderes  para tanto, tudo o que dissentes e nada são a mesma coisa. Acreditai em mim; sou casuísta, não há em tal conduta o que se possa chamar pecado  venial.

– Mas seria  preciso repetir a liturgia?

– E como não? Essas palavras são virtuosas apenas em nossa boca, mas também esta é virtuosa em nós… reparai, meu amigo, que se eu pronunciasse tais palavras deitado em cima de vossa mulher, ainda assim eu havia de metamorfosear em deus o templo onde sacrificais… Não, não, meu caro; só nós possuímos  a virtude da transubstanciação; pronunciaríeis vinte mil vezes  as palavras, e nunca faríeis descer algo dos céus; ademais, bem amiúde connosco a cerimónia fracassa por completo; e, aqui, é a fé que faz tudo; com  um pouco de fé transportaríamos montanhas, vós sabeis, Jesus Cristo o disse, mas quem não tem  fé nada  faz… eu,  por exemplo, se nas vezes  em que  realizo a cerimónia penso mais nas moças ou nas mulheres da assembléia do que no diabo dessa folha de pão que revolvo em meus dedos, acreditais que faço algo acontecer? Seria mais fácil eu crer no Alcorão que enfiar isso na minha cabeça. Vossa missa será, portanto, quase tão boa quanto a minha; assim, meu caro, agi sem escrúpulo, e, sobretudo, tende coragem.

– Pelos céus, – diz Rodin – é que  tenho uma fome devoradora! Ainda  faltam duas  horas para o almoço!

– E o que  vos impede de comer um pouco? Aqui tendes alguma coisa.

– E a tal missa que é preciso celebrar?

– Por Deus! O que há de mal nisso? Acreditais que  Deus se há de macular mais caindo numa barriga cheia em vez de numa vazia? O  diabo me carregue se  não é a mesma coisa a comida estar em cima ou embaixo!  Meu caro, se eu dissesse em Roma todas as vezes que almoço antes de celebrar minha missa, passaria minha vida na estrada. Além disso, não sois padre, nossas regras não vos podem constranger; ireis  tão-somente dar certa imagem da missa, não ireis celebrá-la; consequentemente, podereis fazer tudo o que quiserdes antes ou depois, inclusive beijar vossa mulher, caso ela aqui estivesse; não se trata de agir como eu; não é celebrar, nem consumar o sacrifício.

– Prossigamos – diz Rodin – hei de fazê-lo, Podeis ficar tranquilo.

– Bem – diz Gabriel, dando uma escapadela, depois de fazer boas  recomendações do amigo ao sacristão… – contai comigo, meu caro; antes de duas horas estarei aqui  – e, satisfeito, o monge vai embora.

Não é difícil imaginar que ele chega apressado à casa da mulher do magistrado; que ela se admira de vê-lo, julgando-o em companhia de seu marido; que ela lhe pergunta a razão  de visita  tão imprevista.

– Apressemo-nos, minha cara – diz o monge, esbaforido – apressemo-nos!  Temos para nós apenas  um instante… um copo de vinho, e mãos à obra!

– Mas, e quanto a meu marido?

– Ele celebra a missa.

– Celebra a missa?

– Pelo sangue de Cristo, sim, mimosa – responde o carmelita, atirando a sra. Rodin ao leito – sim, alma pura, fiz de seu marido um padre, e, enquanto o farsante celebra um mistério divino, apressemo-nos em levar a cabo um profano… O monge era vigoroso; a uma mulher, era difícil opor-se-lhe quando ele a agarrava: suas razões, por sinal, eram tão convincentes… ele se põe a persuadir a sra. Rodin, e, não se cansando de fazê-lo a uma jovem lasciva de vinte e oito anos, com um temperamento típico da gente de Provença, repete algumas vezes suas demonstrações.

– Mas, meu anjo – diz, enfim, a beldade, perfeitamente persuadida – sabeis  que se esgota o tempo… devemos nos separar: se nossos prazeres devem durar apenas o tempo de uma missa, talvez ele já esteja há muito no ite missa  est.

– Não, não, minha querida – diz o carmelita, apresentando outro argumento à sra. Rodin – deixai estar, meu coração, temos todo o tempo do mundo! Uma vez mais, minha cara amiga, uma vez mais! Esses noviços  não vão  tão rápido quanto nós… uma vez mais, vos peço! Apostaria que o corno ainda não ergueu a hóstia consagrada. Todavia, mister foi que se despedissem, não sem promessas de se reverem; tracejaram novos ardis, e Gabriel foi encontrar-se com  Rodin;  este havia celebrado a missa tão bem quanto um bispo.

– Apenas o quod aures – diz ele – embaraçou-me um pouco; eu queria comer em vez de beber, mas o sacristão fez com que eu me recompusesse; e quanto aos cem écus, padre?

– Recuperei-os, meu filho; o patife quis resistir, peguei de um forcado, dei-lhe umas pauladas, juro-vos, na cabeça e noutras partes.

Entretanto, a diversão termina; nossos dois  amigos vão à caça e, ao regressar, Rodin conta à sua mulher o favor que prestou a Gabriel.

– Celebrei a missa – dizia o grande tolo, rindo com todas as forças – sim, pelo corpo de Cristo! Eu celebrava a missa como um verdadeiro vigário, enquanto nosso  amigo media as espáduas de Renoult com um forcado…  Ele  dava  com  a vara; que dizeis disso,  minha vida? Colocava galhos na fronte; ah! boa e querida mãezinha! como essa história é engraçada, e como os cornos me fazem rir! E vós, minha amiga, o que fazíeis enquanto eu celebrava a missa?

– Ah! meu amigo – responde a mulher – parecia inspiração dos céus! Observai de que modo nos ocupavam de todo, a um e a outro, as coisas do céu, sem que disso suspeitássemos; enquanto celebráveis a missa, eu entoava essa bela oração que a Virgem dirige a Gabriel quando este fora anunciar-lhe que ela ficaria grávida pela intervenção do  Espírito Santo. Assim seja, meu amigo! Seremos salvos, com toda certeza, enquanto ações   tão boas nos ocuparem a ambos ao mesmo tempo.

_______

(1) Antiga medida de comprimento de três palmos

(2) Antiga moeda francesa.

Conan era illuminati

Illuminati? conspiração?…

quê?…
Onde Estão Os Illuminati?

em todos os cantos!
devemos, mesmo, desconfiar de tudo
e
de todos
isso!…

a paranóia é o melhor de todos os instintos

Conan-the-Barbarian

Os Illuminati conspiram
detêm o mundo. todo.
comandam as programações
da TV
da rádio
do espectáculo
e…
etc
estão no tratamento das águas
na manutenção eléctrica
e
nas obras de saneamento…
estão, mesmo, em toda a parte.

será que tu (que estás a ler isto) és, também um illuminado?

Os seres mais influentes estão subordinados aos Illuminati – são “testas de ferro” das organizações ditas Illuminadas.
formam e integram vários grupos – a Mesa (que pretende dominar o mundo), a Network (que quer o controle do ciberespaço), a Irmandade da Luz (que quer destruir todos os Illuminati)…
pois

402cd2a59aff5ab840864cf3b8d98f5f

ELES subordinam à sua vontade grandes companhias como as IBM, apple, microsoft (controladas pela Network), a CIA e a velha KGB (controladas pela Mesa) e a Greenpeace (que não passa de uma facção da Irmandade da Luz).
Os Illuminati mandam e desmandam
em tudo e em todos.
Os Illuminati querem o mundo
e
o seu único obstáculo são os seus inimigos.
precisamente.
os seus inimigos são os Illuminati.

402cd2a59aff5ab840864cf3b8d98f5f

 

claro.
tudo não passa
de teoria
de conspiração
de especulação

claro
tudo pode ser
e
não o ser
pode
e
não pode

402cd2a59aff5ab840864cf3b8d98f5f

Afinal…
quem sabe alguma coisa – mesmo – sobre os Illuminati?

sejam bem vindos ao mundo – tal como o é.

estejamos, portanto, calmos e lancemos a palavra.
e…
a palavra é: <FNORD> <FNORD> <FNORD>
porque <FNORD> <FNORD>
ou mesmo <FNORD>
é… possivelmente <FNORD>
daí que <FNORD>
no caso de <FNORD> <FNORD> <FNORD>
é tão só <FNORD>.

então <FNORD> <FNORD> <FNORD>
e <FNORD> <FNORD>
é tão só <FNORD>
e <FNORD>
mente e se desmente ao pronunciar bem alto <FNORD> .

402cd2a59aff5ab840864cf3b8d98f5f

Obrigado FNORD

Intrigante?…
nem por isso. uma vez que FNORD é a palavra que resume tudo. não só o cosmos como qualquer banalidade.
e o cosmos não passa de uma banalidade.
com efeito tudo o é.
e sendo…

Tudo o é – também – para os Illuminati.

402cd2a59aff5ab840864cf3b8d98f5f

quê?…
Onde Estão Os Illuminati?

em todos os cantos!
devemos, mesmo, desconfiar de tudo
e
de todos
isso!…

a paranóia é o melhor de todos os instintos

402cd2a59aff5ab840864cf3b8d98f5f

origem dos Illuminati

é facto
não se sabe exactamente.
não se sabe do quando
ou, mesmo, do onde.
ou seja: ninguém sabe ao certo quando surgiram
será que já existiam Illuminati influenciando os velhos Faraós do Egipto?
havia já Illuminati
na Idade Média
na Renascença?…

há, porém, que não confundir Iluminismo com Illuminati.
e porque não? confundir pode ser, também, perigoso.
e
o perigo é importante. uma vez que sem perigo, a conspiração jamais terá o sucesso desejável.
mas… há uma hipótese (um quase facto) de que os Illuminati nasceram há vinte mil anos, quando Kull governava a cidade de Valusia, na Atlândida.
e, tendo em conta tal hipótese…

Conan foi um destacado Illuminati.

viva Conan “o bárbaro”

>>>> continuará

O Livro de Babalon

sigil_of_babalon

O Livro de Babalon (ou do ressurgir da deusa do paganismo)

 

Disse-me Babalon:

1. precisamente, sou eu, BABALON. 

2. e este é o meu livro. o quarto capítulo do Livro da Lei. e completando o Nome, pelo facto de Eu ser a saída de NUIT e HÓRUS, a irmã incestuosa de RA-HOOR-KHUIT. 

3. sou BABALON. e o TEMPO é o dos loucos. 

4. chamaste-me maldito e bem-amado. chamaste-me louco. 

5 a 8. (lacuna – desaparecida ou, provavelmente, perdida) 

9. e fica a saber que Eu, BABALON, me tornarei carne e voltarei. serei uma entre os homens. 

10. virei como um fogo pendente, como uma canção fora da Ordem, um trompete soando por entre átrios – os do julgamento. tornar-me-ei  bandeira frente aos exércitos. todos.

s-babalon_by_blackalben

11. reunirei as minhas crianças em meu redor, porque O TEMPO é meu. 

12. esta será a forma que tomarei quando da minha encarnação. mas atenção! 

13. tu me oferecerás tudo. tudo o que fores e tudo o que poderes – em meu altar. tu serás o atingido pelo sentido e serás proscrito e amaldiçoado. tornar-te-às errante e solitário em espaços abomináveis. 

14. arrisca. sim. porque eu não pedi a ninguém e ninguém pediu a alguém. os outros são vazios. porém, tu o quiseste. 

15. saibas tu, que eu me cheguei a ti antes de ti e tu, o grande senhor, e eu a donzela caída. Ah!… que cega é a insensatez. 

16. depois… apenas a loucura, porque tudo é vazio. assim será e assim tem sido. tal como tu que queimaste tudo para lá de ti. 

17. sim. virei de novo e tomarei a forma que tu adivinhas. a forma do nosso e vosso sangue. 

18. o nosso/meu altar está composto, poderás roubá-lo. 

19. o perfume que invade o ar do templo é de sândalo e a túnica, que envergarás, será verde e dourada. sobre o altar, a minha taça, o livro da nossa Ordem e a tua adaga. 

20. uma chama que se vislumbra. 

s-babalon_1024x1024

21. há um sigilo. o da devoção. e que o sigilo seja consagrado, para que se torne verdadeiro, para que seja afirmado nos nossos dias – todos. jamais serei esboçada nos teus canhenhos de mago. o teu amor, apenas a mim será dedicado. corre em busca da moeda de cobre cujo  diâmetro se mede em três polegadas no campo azul. sim. a grande estrela dourada sou eu: BABALON. 

22. é este o meu talismã. vai e consagra-o com os nossos supremos ritos. o da palavra e o do cálice consagrado – a mim BABALON.

23. ao responderes à minha chamada, tu saberás que fazer. entoarás todas as canções de amor que sabes e a mim as dedicarás. depois…  procurar-me-às no Sétimo Vento. 

24. vivemos o tempo prescrito. jamais poderás procurar o fim, porque eu te guiarei como só eu posso guiar os meus… cultiva a verdade. não seria exigir demais que eu fosse tua amante e te dominasse? não. porque eu sou precisamente a tua amante e te domino – porque EU SOU. 

25. providenciarei o meu receptáculo, quando e onde não te direi. não me sigas. não me chames! deixa-me que te anuncie. tão pouco o perguntes. mantem-te no silêncio. 

26. este meu receptáculo deverá ser perfeito. e esse será o modo. o meu. o da minha perfeição. 

27. trabalha. o ciclo é de nove luas. 

28. a obra de Astarte, o da música e das festividades, comporta vinho e todas as artes. também as do amor. 

29. que a BABALON seja dedicada e consagrada com sangue sobre sangue, com o coração sobre o coração, com a mente sobre a mente – um será vontade, nenhum o será sem o círculo, tudo a mim será dedicado. 

30. ela, vagueará no bosque enfeitiçado, protegida na grande Noite de Pan e, tomará conhecimento de todos os mistérios do Bode. da Serpente. das crianças que se escondem no longe. 

sigil2_of_babalon

31. providenciarei, como é apanágio, o local e as bases materiais. e tu, dos teus olhos, verterás lágrimas de sangue. 

32. será isto impossível, entre dois mundos – o da matéria e o do espírito? não. para mim é o grande êxtase. a agonia do silêncio – nada dirás porque a nossa palavra é indizível. no entanto Eu estou. estou em ti. Eu sou a força e  tu a terás – porque a alcançarás – de mim. 

33. prepara o meu livro para instruir os que virão para a grande Ordem. tu os ensinarás. a nossa Ordem, tu sabes, terá capitães e adeptos. e todos nos servirão. me servirão. isso. seguirás a grande peregrinação negra e não regressarás. o tempo é de avançar. sempre.

34. o teu trabalho será consumado de acordo com a minha voz e a minha voz tocará o teu coração. o livro será o teu guia, nenhuma outra instrução será visível. 

35. que seja ela (a tua guia nos escritos) a sábia, a segura e a excelente. 

36. que ela saiba:… que meu caminho não está nos caminhos – os solenes, ou os mais racionais, mas no caminho da liberdade selvagem da águia, o caminho tortuoso da serpente, o caminho oblíquo do factor desconhecido e inumerável. 

37. eu sou BABALON. ela é minha filha. a única filha, não haverá outra como ela. 

38. em Meu Nome terá ela o poder, todos os homens e todas as coisas. as mais excelentes. e terá os reis, os capitães e todos os segredos sob seu comando. 

39. os primeiros servidores serão escolhidos em segredo – um capitão, um mentiroso, um agitador, um rebelde… 

40. chama a minha filha e Eu virei. até ti. serás inundado pela minha força e pelo meu fogo. pela minha paixão e meu poder, que te cercarão e servirão de inspirarão. e a minha voz será a tua voz – a que julgará todas as nações. 

s2-babalon

41. ninguém te resistirá porque tu és quem amo e tu me amas. e, ainda que me chamem meretriz, prostituta, desavergonhada, falsa, má, tais palavras serão pronunciadas como sangue em suas bocas, como pó. 

42. então as minhas crianças te conhecerão, te amarão – isto vos libertará. 

43. tudo está nas tuas mãos:… todo o poder, toda a esperança, todo o futuro. 

44. houve quem viesse como homem. ao ser fraco, falhou. 

45. houve quem viesse como mulher. foi estúpida, falhou. 

46. mas tu estás para além de homem e da mulher, a minha estrela está em ti. tu a utilizarás. 

47. a tua hora soará no relógio de meu PAI. Ele preparou um banquete, um Leito de Núpcias. Eu serei a Noiva. a designada desde sempre – e isto estava escrito T.O.P.A.N. 

48. aproxima-se a hora da nossa natural encarnação. tu és o adepto crucificado na minha morada. 

49. as tuas lágrimas, teu suor, teu sangue, teu amor, tua fé provarão o que foi escrito. Ah!… Eu te absorverei como se fosses a taça que é o meu corpo. o corpo de BABALON. 

50. não cedas. tu e Eu cobrir-nos-emos com o primeiro véu e falaremos por baixo da dança das estrelas. 

s-babalon

51. não cedas. tu e Eu cobrir-nos-emos com o segundo véu no momento em que Deus e Jesus serão golpeados com a espada de HÓRUS. 

52. não cedas. tu e Eu cobrir-nos-emos com o terceiro véu, e as ondas do mar infernal serão infestadas pela nossa beleza. 

53. por ti caminharei ao largo, atravessarei as labaredas do Inferno, ainda que minha língua se venha a calar irremediavelmente. 

54. deixa-me contemplar-te nu a coberto da luxuria. deixa-me contemplar-te como gosto, ouvindo a tua voz num grito – pronunciando o meu nome. 

55. deixa-me receber o teu corpo – todo – dentro da minha Taça para que possa atingir o clímax que se sobrepõe ao clímax, o prazer que se sobrepõe ao prazer. 

56. então, conquistaremos a morte e todos os Infernos juntos. 

57. então, a terra será minha. 

58. sim. tu farás a Peregrinação Negra. 

59. sim. sou mesmo EU, BABALON e EU, SEREI LIVRE. tu o louco, serás também livre do sentimentalismo. porque serei  Eu a tua rainha e tu me seguirás, para que possa sentir teu nariz nas minhas ancas? 

60. EU SOU BABALON, sim. o MEU TEMPO é chegado. e este é o meu livro. o que o meu adepto preparou. este é o livro de BABALON. 

keep-calm-and-babalon-desktop

61. sim. o meu adepto completou a sua Peregrinação Negra. e ele será amaldiçoado porque esta é a natureza do caminho. ele publicará a palavra secreta dos adeptos. a que lhe foi dada a conhecer num sonho. e isto é apenas um apêndice – o qual resume o meu Livro. e eles (os outro) lhe gritarão: – louco! mentiroso! bêbedo! caluniador! prevaricador! e ele apenas questionará: – não estais vós contentes por tomar conhecimento da magia? 

62. não há outro caminho. heis-nos chegados à décima-primeira hora. 

63. o selo de meu Irmão repousa sobre a terra e o seu Avatar encontra-se à sua frente. o trigo foi debulhado. as uvas pisadas e nada cessará até que a verdade seja revelada pelo último dos homens. 

64. e tu que não aceitas e tu que podes vislumbrar o além, alcancem com as vossas mãos as minhas crianças e ceifem o mundo. está na hora da colheita. 

65. congreguem-se em covens como nos velhos tempos. o número dos congregados é onze porque esse é também meu número. congreguem-se frente ao público, num grande festim onde a música e a dança sobejem. congreguem-se em segredo. mantenham-se nus e desavergonhados e regozijem-se por se afirmarem em meu nome. 

66. elaborem os vossos feitiços seguindo o meu livro. pratiquem de forma secreta para atingir o feitiço supremo. 

67. a elaboração da imagem, a poção e o charme… prossigam o trabalho da aranha e da serpente. prossigamos o nosso percurso aos poucos e calmamente – no escuro. este será o nosso trabalho. 

68. aquele que ama não odeia, o que odeia teme – permitam-se provar o medo. 

69. esta é a forma, a nossa estrela, a estrela que nos queima com seu divino brilho. oh!… lua! lua feiticeira…

70. tu o secreto, tu o pária, tu o amaldiçoado e desprezado, tu mesmo que te congregaste em privado e, há muito, nos meus ritos ao luar. 

71. tu o liberto, tu o selvagem, tu o indomável, tu que caminhas sem esperança. 

72. vê, meu irmão… vê e quebra o mundo como se fora a noz que te alimenta. 

73. é facto. meu Pai construiu uma casa para ti e minha Mãe preparou-nos o Leito Nupcial. Meu Irmão confundiu os nossos inimigos. 

74. Eu sou a Noiva designada. vá!… vem cumprir as nossas núpcias – vem. agora! 

75. o meu prazer é o prazer da eternidade, o meu sorriso é como a gargalhada de uma bêbeda, duma prostituta no leito onde atingirá o êxtase. 

76. os teus amores – todos – são sagrados. regozija-te com eles em liberdade e, em meu nome. 

77. coloca a minha estrela nas tuas bandeiras e prossegue o teu caminho com prazer e com um sorriso vitorioso. ninguém te negará, e ninguém te passará. confia na Espada de meu Irmão e invoca-me, grita o meu nome nas tuas convocações e ritos, pronuncia o meu nome no teu leito de amor e, nas batalhas que travares em meu nome… O MEU NOME É BABALON,

todo o poder te será dado!

___________

texto de Jack Parsons (tradução e adaptação para português em processo)