Irei descer Voltarei aos altares

aaa-demo

O tempo chegou – desceremos através da Espiral – a dos Tempos.

O ponto central da espiral, é também a do abismo – do Conhecimento.

O abismo é o caminho que os Adeptos almejam alcançar (deverão passar) – a Grande Cidade das Pirâmides.

Adentrando-nos nesse reino infernal e, caminhando em espiral, poderemos alcançar a capital do reino – para alguns, Infernal.

E esse reino representa (pode representar) a total reestruturação do sistema.

Para tal é necessário que superes as dualidades e te tornes um Mestre.

O Mito da descida, é o caminho. Aquele em que todos, no seu percurso, rumam ao interior do grande ciclo e, logicamente, iniciarão (tomarão em suas mãos) o outro.

São muitos os que nos seguirão.

Está escrito, nos muitos Livros e tal pensamento, patente nas muitas culturas: – uma nova Era surgirá!

Os calendários estão mortos.

Outros serão adoptados.

Outros.

Estruturados noutras frequências. Noutros ritmos.

Os dos Tempo.

Os que provocarão uma outra ordem mental. A que nos convidará seguir a harmonia:

– A da natureza

– A da mente

– A dos ciclos (solar – lunar)…

Reordenaremos a nossa mente.

Valorizaremos o fluxo do calendário lunar, sua tradição iniciática.

Somos os filhos das “bruxas” e “magos” que a cristandade não conseguiu queimar nas suas fogueiras.

Estamos vivos e reivindicamos o regresso da “Grande Roda do Ano” com seus sabat e festividades lunares.

Reivindicamos as práticas da Bruxaria tradicional. A grande FESTA. Uma sociedade humanizada onde a criatividade e a liberdade são a grande chave.

Reivindicamos a absoluta liberdade. A liberdade é una. É um todo.

A liberdade é! – a “liberdade parcelar” não o é!

A liberdade e a criatividade irrompem. Espontaneamente.

Não há (não pode haver) “parcelas” de liberdade.

Há, tão só Liberdade.

É a Liberdade que desejamos. Que reivindicamos.

Quando as estrelas estiverem alinhadas eles voltarão para destruir o mundo. Os “Antigos” transportam consigo os nomes esquecidos e trarão, de novo, os poderes negados ou adormecidos.

Os poderes que residem no nosso interior – os quais não damos conta

Eles voltarão aos altares.

E Eles destruirão os altares.

A liberdade será reconquistada aos tiranos – A Grande Árvore será o nosso trono

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marques de sade O marido padre

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O marido padre – Conto provençal

Entre  a cidade  de Menerbe, no condado  de Avinhão, e a de Apt, em Provença,  há um pequeno  convento  de carmelitas isolado,  denominado Saint-Hilaire,  assente  no cimo   de uma montanha onde até mesmo às cabras é difícil o pasto; esse pequeno sítio é aproximadamente como a cloaca de todas as comunidades vizinhas  aos carmelitas; ali, cada uma delas relega o que a desonra, de onde não é difícil inferir quão puro deve ser o grupo de pessoas que frequenta essa casa. Bêbados, devassos, sodomitas, jogadores; são esses, mais ou menos, os nobres integrantes desse grupo, reclusos que, nesse asilo escandaloso, o quanto podem ofertam a Deus almas que o mundo rejeita. Perto dali, um ou dois  castelos e o burgo de Menerbe, o qual se acha apenas a uma légua de Saint-Hilaire – eis  todo o mundo desses bons religiosos que, malgrado  sua batina e condição, estão, entretanto, longe de encontrar abertas  todas as  portas de quantos estão à sua volta.

Havia muito o padre  Gabriel,  um dos santos desse eremitério, cobiçava certa mulher de Menerbe, cujo marido,  um rematado corno, chamava-se Rodin. A mulher  dele era  uma moreninha, de vinte e oito  anos, olhar leviano e nádegas roliças, a qual parecia constituir em todos os aspectos lauto banquete para um monge. No que tange ao sr. Rodin, este era homem bom, aumentando o seu património sem dizer nada a ninguém: havia sido   negociante de panos, magistrado, e era, pois, o que se poderia chamar um burguês honesto;  contudo, não muito  seguro das virtudes de sua cara-metade, era ele sagaz o bastante para  saber que o verdadeiro modo de se opor às enormes protuberâncias que ornam a cabeça de um marido é dar mostras de não desconfiar de os estar usando; estudara para tornar-se padre,   falava latim como Cícero, e jogava bem amiúde o jogo de damas com o padre Gabriel que,   cortejador astuto e amável, sabia que é preciso  adular  um pouco o marido  de cuja  mulher  se deseja possuir. Era um verdadeiro modelo dos filhos de Elias, esse padre Gabriel: dir-se-ia que toda a raça humana podia tranquilamente contar com ele para multiplicar-se; um legítimo fazedor de filhos, espadaúdo, cintura de uma alna(1), rosto perverso e trigueiro, sobrancelhas como as de Júpiter, tendo seis pés de altura  e aquilo que é a característica principal de um carmelita, feito, conforme se diz, segundo os moldes dos mais belos jumentos da província. A que mulher um libertino assim não haveria de agradar soberbamente? Desse modo, esse homem se prestava de maneira extraordinária aos  propósitos da sra. Rodin,  que  estava muito longe de encontrar tão sublimes qualidades no  bom senhor que  os pais lhe haviam dado por esposo. Conforme já dissemos, o sr. Rodin   parecia  fazer  vistas grossas  a  tudo,  sem ser, por isso, menos ciumento, nada dizendo, mas ficando por ali, e fazendo isso nas diversas vezes em que o queriam bem longe. Entretanto, a ocasião era boa. A ingénua Rodin simplesmente havia dito a seu amante que apenas  aguardava o momento para corresponder aos desejos que lhe pareciam fortes demais para  que continuasse a opor-lhe resistência, e padre Gabriel, por seu turno, fizera com que a sra. Rodin percebesse que ele estava pronto a satisfazê-la…  Além disso, num breve momento  em que Rodin fora obrigado a sair, Gabriel mostrara  à sua encantadora  amante uma dessas   coisas que fazem com que uma mulher se decida, por mais que hesite… só faltava, portanto, a ocasião.

Num dia em que  Rodin saiu para almoçar com seu amigo de Saint-Hilaire, com  a ideia de o convidar para uma caçada, e depois de ter esvaziado algumas garrafas de vinho  de Lanerte, Gabriel  imaginou  encontrar na circunstância o instante propício à realização  dos seus desejos.

– Oh, por Deus, senhor magistrado, – diz o monge ao amigo – como estou contente de vos ver hoje! Não  poderíeis ter vindo num momento mais oportuno do que este; ando às voltas com um caso da maior importância, no qual  haveríeis de ser a mim de serventia sem par.

– Do que se trata, padre?

– Conheceis Renoult, de nossa cidade.

– Renoult, o chapeleiro.

– Precisamente.

– E então?

– Pois bem, esse patife me deve cem céus (2), e acabo de saber que ele se acha às portas da falência; talvez agora, enquanto vos falo, ele já tenha abandonado o  Condado…   preciso muitíssimo correr até lá, mas não posso fazê-lo.

– O  que vos impede?

– Minha missa, por Deus! A missa que devo celebrar; antes a missa fosse para o diabo, e os cem écus voltassem para o meu bolso.

– Não compreendo: não vos podem fazer um favor?

– Oh, na verdade sim, um favor! Somos três aqui; se  não celebrarmos todos os dias três missas, o superior, que nunca as celebra, nos denunciaria a Roma; mas existe um meio de me ajudardes, meu caro; vede se podeis fazê-lo; só depende de vós.

– Por Deus! De bom grado! Do que  se  trata?

– Estou sozinho aqui com o sacristão; as duas  primeiras missas foram celebradas, nossos monges já saíram, ninguém suspeitará do ardil; os fiéis serão poucos, alguns camponeses, e quando muito, talvez, essa  senhorinha tão devota que mora no castelo de… a meia légua daqui; criatura angélica que, à força da austeridade, julga poder reparar todas as estroinices do marido; creio que me dissestes que estudastes para ser padre.

– Certamente.

– Pois bem, deveis ter aprendido a rezar a missa.

– Faço-o como um arcebispo.

– Ó meu caro e bom amigo! – prossegue Gabriel lançando-se ao pescoço de Rodin – são dez horas agora; por Deus, vesti meu hábito, esperai soar a décima primeira  hora; então celebrai a missa, suplico-vos; nosso irmão sacristão é um bom diabo, e nunca nos trairá; àqueles que julgarem não me reconhecer, dir-lhes-emos que é um novo monge, quanto aos outros, os deixaremos em erro; correrei ao encontro de Renoult, esse velhaco, darei cabo  dele ou recuperarei meu dinheiro, estando de volta em duas horas. O senhor me aguardará, ordenará que grelhem os linguados, preparem os ovos e busquem o vinho; na volta, almoçaremos, e a caça… sim, meu amigo, a caça creio que  há de ser boa dessa vez: segundo se disse, viu-se pelas redondezas um animal de chifres, por Deus! Quero que o agarremos, ainda que tenhamos de nos defender de vinte processos do senhor da região!

– Vosso  plano é bom – diz Rodin – e, para vos fazer um favor, não há, decerto, nada que eu não faça; contudo, não haveria pecado nisso?

– Quanto a pecados, meu amigo, nada direi; haveria algum, talvez, em executar-se mal a coisa; porém, ao fazer isso sem que se esteja  investido de poderes  para tanto, tudo o que dissentes e nada são a mesma coisa. Acreditai em mim; sou casuísta, não há em tal conduta o que se possa chamar pecado  venial.

– Mas seria  preciso repetir a liturgia?

– E como não? Essas palavras são virtuosas apenas em nossa boca, mas também esta é virtuosa em nós… reparai, meu amigo, que se eu pronunciasse tais palavras deitado em cima de vossa mulher, ainda assim eu havia de metamorfosear em deus o templo onde sacrificais… Não, não, meu caro; só nós possuímos  a virtude da transubstanciação; pronunciaríeis vinte mil vezes  as palavras, e nunca faríeis descer algo dos céus; ademais, bem amiúde connosco a cerimónia fracassa por completo; e, aqui, é a fé que faz tudo; com  um pouco de fé transportaríamos montanhas, vós sabeis, Jesus Cristo o disse, mas quem não tem  fé nada  faz… eu,  por exemplo, se nas vezes  em que  realizo a cerimónia penso mais nas moças ou nas mulheres da assembléia do que no diabo dessa folha de pão que revolvo em meus dedos, acreditais que faço algo acontecer? Seria mais fácil eu crer no Alcorão que enfiar isso na minha cabeça. Vossa missa será, portanto, quase tão boa quanto a minha; assim, meu caro, agi sem escrúpulo, e, sobretudo, tende coragem.

– Pelos céus, – diz Rodin – é que  tenho uma fome devoradora! Ainda  faltam duas  horas para o almoço!

– E o que  vos impede de comer um pouco? Aqui tendes alguma coisa.

– E a tal missa que é preciso celebrar?

– Por Deus! O que há de mal nisso? Acreditais que  Deus se há de macular mais caindo numa barriga cheia em vez de numa vazia? O  diabo me carregue se  não é a mesma coisa a comida estar em cima ou embaixo!  Meu caro, se eu dissesse em Roma todas as vezes que almoço antes de celebrar minha missa, passaria minha vida na estrada. Além disso, não sois padre, nossas regras não vos podem constranger; ireis  tão-somente dar certa imagem da missa, não ireis celebrá-la; consequentemente, podereis fazer tudo o que quiserdes antes ou depois, inclusive beijar vossa mulher, caso ela aqui estivesse; não se trata de agir como eu; não é celebrar, nem consumar o sacrifício.

– Prossigamos – diz Rodin – hei de fazê-lo, Podeis ficar tranquilo.

– Bem – diz Gabriel, dando uma escapadela, depois de fazer boas  recomendações do amigo ao sacristão… – contai comigo, meu caro; antes de duas horas estarei aqui  – e, satisfeito, o monge vai embora.

Não é difícil imaginar que ele chega apressado à casa da mulher do magistrado; que ela se admira de vê-lo, julgando-o em companhia de seu marido; que ela lhe pergunta a razão  de visita  tão imprevista.

– Apressemo-nos, minha cara – diz o monge, esbaforido – apressemo-nos!  Temos para nós apenas  um instante… um copo de vinho, e mãos à obra!

– Mas, e quanto a meu marido?

– Ele celebra a missa.

– Celebra a missa?

– Pelo sangue de Cristo, sim, mimosa – responde o carmelita, atirando a sra. Rodin ao leito – sim, alma pura, fiz de seu marido um padre, e, enquanto o farsante celebra um mistério divino, apressemo-nos em levar a cabo um profano… O monge era vigoroso; a uma mulher, era difícil opor-se-lhe quando ele a agarrava: suas razões, por sinal, eram tão convincentes… ele se põe a persuadir a sra. Rodin, e, não se cansando de fazê-lo a uma jovem lasciva de vinte e oito anos, com um temperamento típico da gente de Provença, repete algumas vezes suas demonstrações.

– Mas, meu anjo – diz, enfim, a beldade, perfeitamente persuadida – sabeis  que se esgota o tempo… devemos nos separar: se nossos prazeres devem durar apenas o tempo de uma missa, talvez ele já esteja há muito no ite missa  est.

– Não, não, minha querida – diz o carmelita, apresentando outro argumento à sra. Rodin – deixai estar, meu coração, temos todo o tempo do mundo! Uma vez mais, minha cara amiga, uma vez mais! Esses noviços  não vão  tão rápido quanto nós… uma vez mais, vos peço! Apostaria que o corno ainda não ergueu a hóstia consagrada. Todavia, mister foi que se despedissem, não sem promessas de se reverem; tracejaram novos ardis, e Gabriel foi encontrar-se com  Rodin;  este havia celebrado a missa tão bem quanto um bispo.

– Apenas o quod aures – diz ele – embaraçou-me um pouco; eu queria comer em vez de beber, mas o sacristão fez com que eu me recompusesse; e quanto aos cem écus, padre?

– Recuperei-os, meu filho; o patife quis resistir, peguei de um forcado, dei-lhe umas pauladas, juro-vos, na cabeça e noutras partes.

Entretanto, a diversão termina; nossos dois  amigos vão à caça e, ao regressar, Rodin conta à sua mulher o favor que prestou a Gabriel.

– Celebrei a missa – dizia o grande tolo, rindo com todas as forças – sim, pelo corpo de Cristo! Eu celebrava a missa como um verdadeiro vigário, enquanto nosso  amigo media as espáduas de Renoult com um forcado…  Ele  dava  com  a vara; que dizeis disso,  minha vida? Colocava galhos na fronte; ah! boa e querida mãezinha! como essa história é engraçada, e como os cornos me fazem rir! E vós, minha amiga, o que fazíeis enquanto eu celebrava a missa?

– Ah! meu amigo – responde a mulher – parecia inspiração dos céus! Observai de que modo nos ocupavam de todo, a um e a outro, as coisas do céu, sem que disso suspeitássemos; enquanto celebráveis a missa, eu entoava essa bela oração que a Virgem dirige a Gabriel quando este fora anunciar-lhe que ela ficaria grávida pela intervenção do  Espírito Santo. Assim seja, meu amigo! Seremos salvos, com toda certeza, enquanto ações   tão boas nos ocuparem a ambos ao mesmo tempo.

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(1) Antiga medida de comprimento de três palmos

(2) Antiga moeda francesa.

O Livro de Babalon

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O Livro de Babalon (ou do ressurgir da deusa do paganismo)

 

Disse-me Babalon:

1. precisamente, sou eu, BABALON. 

2. e este é o meu livro. o quarto capítulo do Livro da Lei. e completando o Nome, pelo facto de Eu ser a saída de NUIT e HÓRUS, a irmã incestuosa de RA-HOOR-KHUIT. 

3. sou BABALON. e o TEMPO é o dos loucos. 

4. chamaste-me maldito e bem-amado. chamaste-me louco. 

5 a 8. (lacuna – desaparecida ou, provavelmente, perdida) 

9. e fica a saber que Eu, BABALON, me tornarei carne e voltarei. serei uma entre os homens. 

10. virei como um fogo pendente, como uma canção fora da Ordem, um trompete soando por entre átrios – os do julgamento. tornar-me-ei  bandeira frente aos exércitos. todos.

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11. reunirei as minhas crianças em meu redor, porque O TEMPO é meu. 

12. esta será a forma que tomarei quando da minha encarnação. mas atenção! 

13. tu me oferecerás tudo. tudo o que fores e tudo o que poderes – em meu altar. tu serás o atingido pelo sentido e serás proscrito e amaldiçoado. tornar-te-às errante e solitário em espaços abomináveis. 

14. arrisca. sim. porque eu não pedi a ninguém e ninguém pediu a alguém. os outros são vazios. porém, tu o quiseste. 

15. saibas tu, que eu me cheguei a ti antes de ti e tu, o grande senhor, e eu a donzela caída. Ah!… que cega é a insensatez. 

16. depois… apenas a loucura, porque tudo é vazio. assim será e assim tem sido. tal como tu que queimaste tudo para lá de ti. 

17. sim. virei de novo e tomarei a forma que tu adivinhas. a forma do nosso e vosso sangue. 

18. o nosso/meu altar está composto, poderás roubá-lo. 

19. o perfume que invade o ar do templo é de sândalo e a túnica, que envergarás, será verde e dourada. sobre o altar, a minha taça, o livro da nossa Ordem e a tua adaga. 

20. uma chama que se vislumbra. 

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21. há um sigilo. o da devoção. e que o sigilo seja consagrado, para que se torne verdadeiro, para que seja afirmado nos nossos dias – todos. jamais serei esboçada nos teus canhenhos de mago. o teu amor, apenas a mim será dedicado. corre em busca da moeda de cobre cujo  diâmetro se mede em três polegadas no campo azul. sim. a grande estrela dourada sou eu: BABALON. 

22. é este o meu talismã. vai e consagra-o com os nossos supremos ritos. o da palavra e o do cálice consagrado – a mim BABALON.

23. ao responderes à minha chamada, tu saberás que fazer. entoarás todas as canções de amor que sabes e a mim as dedicarás. depois…  procurar-me-às no Sétimo Vento. 

24. vivemos o tempo prescrito. jamais poderás procurar o fim, porque eu te guiarei como só eu posso guiar os meus… cultiva a verdade. não seria exigir demais que eu fosse tua amante e te dominasse? não. porque eu sou precisamente a tua amante e te domino – porque EU SOU. 

25. providenciarei o meu receptáculo, quando e onde não te direi. não me sigas. não me chames! deixa-me que te anuncie. tão pouco o perguntes. mantem-te no silêncio. 

26. este meu receptáculo deverá ser perfeito. e esse será o modo. o meu. o da minha perfeição. 

27. trabalha. o ciclo é de nove luas. 

28. a obra de Astarte, o da música e das festividades, comporta vinho e todas as artes. também as do amor. 

29. que a BABALON seja dedicada e consagrada com sangue sobre sangue, com o coração sobre o coração, com a mente sobre a mente – um será vontade, nenhum o será sem o círculo, tudo a mim será dedicado. 

30. ela, vagueará no bosque enfeitiçado, protegida na grande Noite de Pan e, tomará conhecimento de todos os mistérios do Bode. da Serpente. das crianças que se escondem no longe. 

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31. providenciarei, como é apanágio, o local e as bases materiais. e tu, dos teus olhos, verterás lágrimas de sangue. 

32. será isto impossível, entre dois mundos – o da matéria e o do espírito? não. para mim é o grande êxtase. a agonia do silêncio – nada dirás porque a nossa palavra é indizível. no entanto Eu estou. estou em ti. Eu sou a força e  tu a terás – porque a alcançarás – de mim. 

33. prepara o meu livro para instruir os que virão para a grande Ordem. tu os ensinarás. a nossa Ordem, tu sabes, terá capitães e adeptos. e todos nos servirão. me servirão. isso. seguirás a grande peregrinação negra e não regressarás. o tempo é de avançar. sempre.

34. o teu trabalho será consumado de acordo com a minha voz e a minha voz tocará o teu coração. o livro será o teu guia, nenhuma outra instrução será visível. 

35. que seja ela (a tua guia nos escritos) a sábia, a segura e a excelente. 

36. que ela saiba:… que meu caminho não está nos caminhos – os solenes, ou os mais racionais, mas no caminho da liberdade selvagem da águia, o caminho tortuoso da serpente, o caminho oblíquo do factor desconhecido e inumerável. 

37. eu sou BABALON. ela é minha filha. a única filha, não haverá outra como ela. 

38. em Meu Nome terá ela o poder, todos os homens e todas as coisas. as mais excelentes. e terá os reis, os capitães e todos os segredos sob seu comando. 

39. os primeiros servidores serão escolhidos em segredo – um capitão, um mentiroso, um agitador, um rebelde… 

40. chama a minha filha e Eu virei. até ti. serás inundado pela minha força e pelo meu fogo. pela minha paixão e meu poder, que te cercarão e servirão de inspirarão. e a minha voz será a tua voz – a que julgará todas as nações. 

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41. ninguém te resistirá porque tu és quem amo e tu me amas. e, ainda que me chamem meretriz, prostituta, desavergonhada, falsa, má, tais palavras serão pronunciadas como sangue em suas bocas, como pó. 

42. então as minhas crianças te conhecerão, te amarão – isto vos libertará. 

43. tudo está nas tuas mãos:… todo o poder, toda a esperança, todo o futuro. 

44. houve quem viesse como homem. ao ser fraco, falhou. 

45. houve quem viesse como mulher. foi estúpida, falhou. 

46. mas tu estás para além de homem e da mulher, a minha estrela está em ti. tu a utilizarás. 

47. a tua hora soará no relógio de meu PAI. Ele preparou um banquete, um Leito de Núpcias. Eu serei a Noiva. a designada desde sempre – e isto estava escrito T.O.P.A.N. 

48. aproxima-se a hora da nossa natural encarnação. tu és o adepto crucificado na minha morada. 

49. as tuas lágrimas, teu suor, teu sangue, teu amor, tua fé provarão o que foi escrito. Ah!… Eu te absorverei como se fosses a taça que é o meu corpo. o corpo de BABALON. 

50. não cedas. tu e Eu cobrir-nos-emos com o primeiro véu e falaremos por baixo da dança das estrelas. 

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51. não cedas. tu e Eu cobrir-nos-emos com o segundo véu no momento em que Deus e Jesus serão golpeados com a espada de HÓRUS. 

52. não cedas. tu e Eu cobrir-nos-emos com o terceiro véu, e as ondas do mar infernal serão infestadas pela nossa beleza. 

53. por ti caminharei ao largo, atravessarei as labaredas do Inferno, ainda que minha língua se venha a calar irremediavelmente. 

54. deixa-me contemplar-te nu a coberto da luxuria. deixa-me contemplar-te como gosto, ouvindo a tua voz num grito – pronunciando o meu nome. 

55. deixa-me receber o teu corpo – todo – dentro da minha Taça para que possa atingir o clímax que se sobrepõe ao clímax, o prazer que se sobrepõe ao prazer. 

56. então, conquistaremos a morte e todos os Infernos juntos. 

57. então, a terra será minha. 

58. sim. tu farás a Peregrinação Negra. 

59. sim. sou mesmo EU, BABALON e EU, SEREI LIVRE. tu o louco, serás também livre do sentimentalismo. porque serei  Eu a tua rainha e tu me seguirás, para que possa sentir teu nariz nas minhas ancas? 

60. EU SOU BABALON, sim. o MEU TEMPO é chegado. e este é o meu livro. o que o meu adepto preparou. este é o livro de BABALON. 

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61. sim. o meu adepto completou a sua Peregrinação Negra. e ele será amaldiçoado porque esta é a natureza do caminho. ele publicará a palavra secreta dos adeptos. a que lhe foi dada a conhecer num sonho. e isto é apenas um apêndice – o qual resume o meu Livro. e eles (os outro) lhe gritarão: – louco! mentiroso! bêbedo! caluniador! prevaricador! e ele apenas questionará: – não estais vós contentes por tomar conhecimento da magia? 

62. não há outro caminho. heis-nos chegados à décima-primeira hora. 

63. o selo de meu Irmão repousa sobre a terra e o seu Avatar encontra-se à sua frente. o trigo foi debulhado. as uvas pisadas e nada cessará até que a verdade seja revelada pelo último dos homens. 

64. e tu que não aceitas e tu que podes vislumbrar o além, alcancem com as vossas mãos as minhas crianças e ceifem o mundo. está na hora da colheita. 

65. congreguem-se em covens como nos velhos tempos. o número dos congregados é onze porque esse é também meu número. congreguem-se frente ao público, num grande festim onde a música e a dança sobejem. congreguem-se em segredo. mantenham-se nus e desavergonhados e regozijem-se por se afirmarem em meu nome. 

66. elaborem os vossos feitiços seguindo o meu livro. pratiquem de forma secreta para atingir o feitiço supremo. 

67. a elaboração da imagem, a poção e o charme… prossigam o trabalho da aranha e da serpente. prossigamos o nosso percurso aos poucos e calmamente – no escuro. este será o nosso trabalho. 

68. aquele que ama não odeia, o que odeia teme – permitam-se provar o medo. 

69. esta é a forma, a nossa estrela, a estrela que nos queima com seu divino brilho. oh!… lua! lua feiticeira…

70. tu o secreto, tu o pária, tu o amaldiçoado e desprezado, tu mesmo que te congregaste em privado e, há muito, nos meus ritos ao luar. 

71. tu o liberto, tu o selvagem, tu o indomável, tu que caminhas sem esperança. 

72. vê, meu irmão… vê e quebra o mundo como se fora a noz que te alimenta. 

73. é facto. meu Pai construiu uma casa para ti e minha Mãe preparou-nos o Leito Nupcial. Meu Irmão confundiu os nossos inimigos. 

74. Eu sou a Noiva designada. vá!… vem cumprir as nossas núpcias – vem. agora! 

75. o meu prazer é o prazer da eternidade, o meu sorriso é como a gargalhada de uma bêbeda, duma prostituta no leito onde atingirá o êxtase. 

76. os teus amores – todos – são sagrados. regozija-te com eles em liberdade e, em meu nome. 

77. coloca a minha estrela nas tuas bandeiras e prossegue o teu caminho com prazer e com um sorriso vitorioso. ninguém te negará, e ninguém te passará. confia na Espada de meu Irmão e invoca-me, grita o meu nome nas tuas convocações e ritos, pronuncia o meu nome no teu leito de amor e, nas batalhas que travares em meu nome… O MEU NOME É BABALON,

todo o poder te será dado!

___________

texto de Jack Parsons (tradução e adaptação para português em processo)

Fragmentum II

 

compartilhando o todo, o tudo

 

o tempo

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e por entre os bosques desenhámos um sigilo – eu e tu.

 

tu eras eu e eu era tu

 

a nossa maldição. a maldição lançada – não voltará atrás

a morte borbulha, já, sobre as coroadas cabeças.

o sonho torna-se – suavemente e entre silêncios – realidade

 

o triângulo é uno

somos a unidade

 

somos o único

 

 

 

librum verbis templum

librum verbis templum (Fragmentum mare non inveni)

ou das Palavras – as do Supremum Dominum

.’. frater carbono IV

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as oito lâminas do Início – as do Louco

I. O louco pensa. Fala – com o que não vê

II. Os deuses morreram e Ele percorre os bosques em demanda

III. Ao deserto chega a pergunta – a d’Ele

IV.  E Ele transporta a carta – A que lhe foi dada

V. Aí está escrito com tinta eminentemente mágica: – amo-te, amo-te, amo-te. És o sol das minhas manhãs, amo-te como nunca

VI. E ele amou-se porque se descobriu

VII. Ele é o perfume dos deuses, o surpreendido

VIII. Ele é a unidade. É ele próprio, É. É Ele – o que nele se projecta e, É. É o seu corpo-templo

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A crisálida – A mariposa regressou ao casulo (oito lâminas)

I. A distante melodia, é o rito do princípio e do fim

II. Mas não há fim, há um outro começar

III. E o louco disse: O Teu perfume marca o nascimento do meu corpo e o meu corpo é o teu corpo

IV. O centro és tu. Tu abres e fechas o ciclo

V. De ti nasci em ti faleço. o teu corpo é o meu corpo

VI. Eu amo-te secretamente com o estômago prenhe de borboletas

VII. Eu, no abismo, medito em ti e questiono-te. Questiono-te porque me questiono

VIII. Eu e Tu somos o fim porque somos o princípio – de tudo. O meu corpo é o templo em que habito

Eu sou a verdade porque sou o deus que reconheço e reconhecendo, reconheço-te

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O antes e o após – a semente (três lâminas)

I. Com as primeiras chuvas a romã abrir-se-à e das suas sementes irrompem os “De Antes” – os que voltarão do interior do mago

II. Eu sou a besta, Tu és o Universo – ainda que o não digas, eu sei – sinto como a tua língua corre sobre a minha, e a minha pela tua

é delicioso

é excitante

muito foi o tempo assim. e agarraste a cintura da luz. A de uma outra lua –  e tiraste, lenta, a camisa

III. Estás de pé e só. No meio do nada. As palavras do bem e do mal são doces.

não pares!

e seguiste

e segui

e sentimo-nos morrer e renascer por aí.

Somos as borboletas negras que pousam sobre nós – próprios. Somos porque continuaremos a ser – Seremos

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Junto à fonte (uma lâmina)

 I. Tu és o Meu Mestre porque Eu Sou o Mestre – Vejo-te e vejo-me como um deus junto à fonte. E digo: no nada busco o tudo. Tudo é um nada e do nada nasce o desejo em silêncio.

A horda dos “De Antes” virá.

Digo que voltará. Eu sei que voltará.

.’. frater carbono IV

LIBER LIBERI VEL LAPIDIS LAZULI

LIBER LIBERI VEL LAPIDIS LAZULI


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ADUMBRATIO KABBALÆ Æ GYPTIORUM

Sendo: A Emancipação Voluntária de certo Adeptus Exemptus de seu Adeptado. – (Estas são as Palavras de Nascimento de um Magister Templi).

PRÓLOGO DO NÃO NASCIDO

 

1. À minha solidão chega –

2. O som de uma flauta em bosques obscuros que se encontram nos montes mais distantes.

3. Mesmo do bravo rio, eles atingem a borda do deserto.

4. E Eu vejo Pan.

5. As neves são eternas acima, acima –

6. E o perfume delas fumega para o alto até as narinas das estrelas.

7. Mas o que Eu tenho a ver com isto?

8. Para mim, somente a flauta distante, a duradoura visão de Pan.

9. Em todos os lados, Pan para o olho, para o ouvido;

10. O perfume de Pan penetrando, o gosto dele enchendo completamente a minha boca, de modo que a língua irrompe num idioma monstruoso e estranho.

11. O abraço dele intenso em todo centro de prazer e dor.

12. O sexto sentido interior se inflama com Seu ser mais íntimo;

13. Eu mesmo arremessado ao precipício do ser.

14. Mesmo ao abismo, aniquilação.

15. Um fim para a solidão, como para tudo.

16. Pan! Pan! Io Pan! Io Pan!

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I

 

1. Meu Deus, como Eu Te amo!

2. Com o apetite veemente de uma besta, Eu Te busco pelo Universo.

3. Tu estás de pé como se estivesses sobre um pináculo no limite de alguma cidade fortificada.

Eu sou um pássaro branco e me empoleiro sobre Ti.

4. Tu és o Meu Amante: Eu Te vejo como uma ninfa com seus membros brancos estendidos junto à fonte.

5. Ela está deitada sobre o musgo; não há ninguém mais que não ela:

6. Não és Tu Pan?

7. Eu sou Ele. Não fales, Ó meu Deus! Que o trabalho seja realizado em silêncio.

8. Que meu grito de dor se cristalize num pequeno fauno branco em fuga para o interior da floresta!

9. Tu és um centauro, Oh meu Deus, dos brotos de violeta que Te coroam até aos cascos do cavalo.

10. Tu és mais duro que o aço temperado; não há diamante igual a Ti.

11. Eu não danifiquei este corpo, esta alma?

12. Eu te cortejo com uma adaga passada pela minha garganta.

13. Que o jorro de sangue sacie Tua sede de sangue, Ó meu Deus!

14. Tu és um coelhinho branco na toca da Noite.

15. Eu sou maior que a raposa e o buraco.

16. Dá-me Teus beijos, Ó Senhor Deus!

17. O relâmpago veio e lambeu o pequeno rebanho de ovelhas.

18. Há uma língua e uma flama; e Eu vejo aquele tridente caminhando sobre o mar.

19. Uma fênix o tem – como cabeça; por baixo, há dois dentes. Eles perfuram os maus.

20. Eu Te perfurarei, Ó Tu, deusinho cinza, a não ser que Tu te protejas!

21. Do cinza ao ouro; do ouro àquilo que está além do ouro de Ofir.

22. Meu Deus! mas Eu Te amo!

23. Porquê sussurraste tantas coisas ambíguas? Estavas com medo, Ó Tu, de pés-de-bode, Ó Tu, chifrudo, Ó pilar de relâmpago?

24. Do relâmpago caem pérolas; das pérolas, partículas negras de um nada.

25. Eu reduzi o tudo em um, o um em nada.

26. Flutuando no éter, Ó meu Deus, meu Deus!

27. Ó Tu, grande sol de glória encoberto, corta estas pálpebras!

28. A natureza morrerá; ela me esconde, fechando minhas pálpebras com medo, esconde-me da Minha destruição, Ó Tu, olho aberto.

29. Ó, O sempre choroso!

30. Nem Ísis, minha mãe, nem Osíris, Eu mesmo; mas o incestuoso Hórus, entregando-se a Tifon, assim seja Eu!

31. Há pensamento; e pensamento é mal.

32. Pan! Pan! Io Pan! é bastante.

33. Não caias na morte, Ó minha alma! Pensa que a morte é a cama na qual estás caído!

34. Ó, como Eu Te amo, Ó meu Deus! Especialmente há uma veemente luz paralela do infinito, difamada de modo vil na névoa desta mente.

35. Eu Te amo. Eu te amo. Eu te amo.

36. Tu és uma coisa bela, mais branca que uma mulher na coluna desta vibração.

37. E Eu me lanço verticalmente como uma flecha e me torno Aquilo que está acima.

38. Mas isto é morte, e a chama da pira.

39. Ascende na chama da pira, Ó minha alma! Teu Deus é como o frio vazio do extremo céu, no qual tu irradias tua luz.

40. Quando Tu me conheceres, Ó Deus vazio, minha chama expirará completamente em Teu grande N.O.X.

41. O que Tu serás, meu Deus, quando Eu deixar de Te amar?

42. Um verme, um nada, um velhaco desprezível.

43. Mas Oh! Eu Te amo.

44. Eu atirei um milhão de flores da cesta do Além aos Teus pés, Eu te ungi e ao Teu Cajado com óleo, sangue e beijos.

45. Eu acendi Teu mármore para a vida – sim! E para a morte.

46. Eu fui golpeado com o vapor da Tua boca, que nunca bebe vinho, mas vida.

47. Como o orvalho do Universo embranquece os lábios!

48. Ah! piscante fluxo das estrelas da mãe, vai-te!

49. Eu Sou Ela, a que deve vir, a Virgem de todos os homens.

50. Eu sou um menino diante de Ti, Ó Deus sátiro.

51. Tu infligirás a punição do prazer. Agora! Agora! Agora!

52. Io Pan! Io Pan! Eu Te amo. Eu Te amo.

53. Ó meu Deus, poupa-me!

54. Agora! Está feito! Morte.

55. Eu gritei alto a palavra – e ela foi um potente encanto para atar o Invisível, um encantamento para desatar o atado; sim para desatar o atado

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II

 

1. Ó meu Deus! usa-me Tu, de novo, sempre. Para sempre! Para sempre!

2. Aquilo que veio fogo de Ti, vem água de mim; portanto, que Teu Espírito se aposse de mim, para que minha mão direita solte o relâmpago.

3. Viajando pelo espaço, Eu vi o ataque de duas galáxias, gozando uma e outra como touros se corneando sobre a terra. E Eu estava com medo.

4. Elas cessaram a luta e voltaram-se contra mim, e Eu fui esmagado e dilacerado.

5. Eu preferiria ter sido calcado pelo Elefante do Mundo.

6. Ó, meu Deus! Tu és minha pequenina tartaruga de estimação!

7. Porém, Tu sustentas o Elefante do Mundo.

8. Eu rastejo sob tua carapaça, como um amante na cama de sua bela; Eu rastejo para o interior e sento-me no Teu coração, por menor e mais apertado que possa ser.

9. Tu me abrigas, e Eu não ouço o toque da trombeta daquele Elefante do Mundo.

10. Tu não vales um óbolo na praça de mercado; no entanto, Tu não podes ser comprado pelo valor de todo o Universo.

11. Tu és como uma bela escrava Núbia, inclinando sua púrpura nua contra os verdes pilares de mármore que estão acima dos banhos.

12. Vinho jorra de seus negros mamilos.

13. Eu bebi vinho há pouco tempo na casa de Pertinax. O escanção favoreceu-me, e deu-me do dulcíssimo Chian.

14. Havia um jovem Dórico, perito em feitos de força, um atleta. A lua cheia desapareceu com raiva por baixo das ruínas. Ah! mas nós rimos.

15. Eu fiquei perniciosamente bêbedo . Ó meu Deus! Porém, Pertinax levou-me às bodas.

16. Eu tive uma coroa de espinhos como único dote.

17. Tu és como um chifre do bode de Astor, Ó Tu, Deus meu, áspero e retorcido e diabolicamente forte.

18. Mais frio que todo o gelo de todos os glaciares da Montanha Nua foi o vinho que ele derramou em mim.

19. Um país selvagem e uma lua minguante. Nuvens correndo pelo céu. Um círculo de pinheiros, e de altos seixos além. Tu no meio!

20. Ó, todos vós, sapos e gatos, alegrai-vos! Vós, coisas gosmentas, vinde aqui!

21. Dançai, dançai para o Senhor nosso Deus!

22. Ele é ele! Ele é ele! Ele é ele!

23. Porquê Eu? Para quê deveria prosseguir?

24. Porquê? Porquê? Vem o cacarejo súbito de um milhão de pequenos seres infernais.

25. E o riso alastra-se.

26. Mas não afecta o Universo; não faz tremer as estrelas.

27. Deus! Como Eu Te amo!

28. Eu estou no asilo; todos os homens e mulheres em volta são insanos.

29. Oh loucura! Oh loucura! Desejável és tu!

30. Mas Eu Te amo, Ó Deus!

31. Estes homens e mulheres deliram e uivam; eles espumam o absurdo.

32. E Eu começo a sentir medo. Não tenho controle; Estou só. Só. Só.

33. Pensa, Ó Deus, como Eu sou feliz envolto no Teu amor.

34. Ó, Pan de mármore! Ó, falsa face maligna! Eu amo Teus beijos escuros, sangrentos e mal cheirosos! Ó, Pan de mármore! Teus beijos são como a luz do sol no Egeu azul; teu sangue é o sangue do poente sobre Atenas; teu mau cheiro é como um jardim de Rosas da Macedônia.

35. Eu sonhei com poente, e rosas, e vinhedos; Tu estavas lá, Ó meu Deus, Tu Te disfarçaste como uma cortesã de Atenas, e Eu Te amei.

36. Tu não és um sonho, Ó Tu, tão belo, tanto para o sono como para a vigília!

37. Eu disperso as pessoas insanas da terra; Eu caminho sozinho com meus fantoches no jardim.

38. Eu sou grande como Gargantua: aquela galáxia é apenas o anel de fumo do meu incenso.

39. Queima Tu ervas estranhas, Ó Deus!

40. Fermentai-me um licor mágico, rapazes, com vossos olhares!

41. A própria alma está bêbeda .

42. Tu estás bêbedo , Ó meu Deus, com os meus beijos.

43. O Universo vacila; com o Teu olhar.

44. Duas vezes, e tudo está feito.

45. Vem, Ó meu Deus, e abracemo-nos!

46. Preguiçosamente, esfomeadamente, ardentemente, pacientemente; assim Eu te amarei.

47. Haverá um Fim.

48. Ó Deus! Ó Deus!

49. Eu sou um louco por Te amar, Tu és cruel, Tu não Te conténs.

50. Vem a mim agora! Eu Te amo! Eu Te amo!

51. Ó meu querido, meu querido – Beija-me! Beija-me! Ah! Uma vez mais.

52. Sono, toma-me! Morte, toma-me! Esta vida é por demais cheia; ela dói, ela mata, ela basta.

53. Que Eu volte para o mundo; sim, volte para o mundo.

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III

 

1. Eu fui o sacerdote de Ammon-Ra no seu templo de Thebai.

2. Mas Baco veio e, cantando com suas tropas de fémeas vestidas com folhas de vinha e mantos escuros; e Baco no meio como um fauno!

3. Deus! A minha raiva dispersou o coro!

4. Mas no meu templo permaneceu Baco como verdadeiro sacerdote de Ammon-Ra.

5. Então, Eu fui com as mulheres à Abissínia; e lá moramos e e lá nos divertimos.

6. Excessos? sim. Prazer? sim!

7. Eu comerei o fruto maduro e também o verde pela glória de Baco.

8. Terraços de azevinho e fileiras de ônix e opalas e sardônia levando até o fresco portal verde de malaquita.

9. Dentro há uma concha de cristal, na forma de uma ostra. Ó, glória de Príapo! Ó, beatitude da Grande Deusa!

10. Ali dentro, há uma pérola.

11. Ó, Pérola! Tu vieste da majestade do terrível Ammon-Ra.

12. Então Eu, o sacerdote, vi um brilho firme no coração da pérola.

13. Tão vivo que não podíamos olhar! Mas vede! Uma rosa cor-de-sangue sobre uma cruz de ouro fulgente!

14. Assim Eu adorei o Deus. Baco! tu és o amante de meu Deus!

15. Eu, que fui o sacerdote de Ammon-Ra, o que viu o Nilo correr por muitas luas, por muitas, muitas luas, sou o jovem fauno da terra cinza.

16. Eu estabelecerei minha dança em vossos conventículos, e meus amores secretos serão doces entre vós.

17. Tu terás um amante entre os senhores da terra cinza.

18. Ele o trará para ti, nem tudo é em vão: a vida de um homem derramada sobre o teu amor. Sobre Meus Altares.

19. Amén.

20. Que seja logo, Ó Deus, meu Deus! Eu sofro por Ti, Eu vagueio por entre os loucos, na terra cinza da desolação.

21. Tu levantarás a abominável Coisa solitária da maldade. Oh alegria! vem enterrar aquela pedra fundamental!

22. Ela permanecerá ereta sobre a montanha alta; apenas o meu Deus comungará com ela.

23. Eu a construirei a partir de um rubi único; e Ela será vista de bem longe.

24. Vem! irritemos os vasos da terra: eles destilarão vinho estranho.

25. Cresce sob minha mão: e ela cobrirá todo o céu.

26. Tu estás atrás de mim: Eu grito com a alegria de um louco.

27. Então disse Ituriel, o forte: adoremos Nós também esta maravilha invisível!

28. Assim fizeram, e os arcanjos cobriram o céu.

29. Estranho e místico, como um sacerdote amarelo invocando fortes revoadas de grandes pássaros cinzentos do Norte, assim estou. De pé e Te invoco!

30. Que elas não obscureçam o sol com suas asas e seu clamor!

31. Retirem-se na forma e no seu cortejo!

32. Eu permaneço.

33. Tu és como uma águia marinha no arrozal, Eu sou o grande pelicano vermelho nas águas do poente.

34. Eu sou como um eunuco negro; e Tu és a cimitarra. Eu decepo a cabeça do leviano, do que devora o pão e o sal.

35. Sim, Eu decepo e o sangue faz como se fosse um pôr do sol no lápis-lazuli do Quarto de dormir do Rei.

36. Eu decepo. O mundo inteiro é quebrado num forte vendaval, e uma voz faz-se ouvir, forte, numa língua que os homens não podem falar.

37. Eu conheço aquele horrível som de alegria primeva; sigamos nas asas da ventania, até à casa santa de Hator; ofereçamos as cinco jóias da vaca sobre o seu altar!

38. De novo a voz inumana!

39. Eu ergo minha massa de Titã nos dentes da ventania, e golpeio e prevaleço, e lanço-me sobre o mar.

40. Lá está um estranho Deus pálido, um deus de dor e de maldade mortal.

41. Minha própria alma morde-se a si mesma, como um escorpião cercado de fogo.

42. Aquele pálido Deus de face cuidadosa, aquele Deus de subtileza e riso, aquele jovem Deus Dórico, a ele Eu servirei.

43. Pois o fim daquilo é o tormento (o que não prenunciarás).

Melhor a solidão do grande mar de cinza! Mas aflição recaia sobre a gente da terra cinzenta, meu Deus!

46. Deixai-me sufocá-los com minhas rosas!

47. Oh Tu, Deus delicioso, o do sorriso sinistro!

48. Eu te colho, Ó meu Deus, como uma ameixa púrpura sobre uma árvore. Como Tu te dissolves em minha boca, Tu, consagrado açúcar das Estrelas!

49. O mundo é todo cinza diante dos meus olhos: é como um velho odre de vinho já usado. Todo o vinho está sobre estes lábios.

51. Tu me geraste sobre uma Estátua de mármore, Ó meu Deus!

52. O corpo está gelado com o frio de um milhão de luas; é mais duro que o diamante da eternidade. Como prosseguirei até a Luz?

53. Tu és Ele, Ó Deus! Ó meu querido! Minha criança! Meu brinquedo! Tu és como um enxame de donzelas, como uma multidão de cisnes sobre o lago.

54. Eu sinto a essência da maciez.

55. Eu sou duro, e forte, e másculo; mas vem Tu! Eu serei macio, e fraco, e feminino.

56. Tu me esmagarás no lagar de vinho do Teu amor. Meu sangue tingirá Teus pés ardentes com litanias de Amor em Angústia.

57. Haverá uma nova flor nos campos, uma nova vindima nos vinhedos.

58. As abelhas colherão um novo mel; os poetas cantarão uma nova canção.

59. Eu ganharei a Dor do Bode como meu prêmio; e o Deus que se senta sobre os ombros do Tempo balbuciará palavras ilegíveis.

60. Então tudo o que está escrito será realizado; sim, será realizado.

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IV

 

1. Eu sou como uma donzela que se banha numa clara poça de água fresca.

2. Ó meu Deus! Eu Te vejo escuro e desejável que, subindo nas águas, é como uma fumaça dourada.

3. Tu és completamente dourado, o cabelo e as sobrancelhas e a face brilhante; das pontas dos dedos às pontas dos artelhos, Tu és um rosado sonho de ouro.

4. No fundo dos Teus olhos dourados, a minha alma pula, como um arcanjo ameaçando o sol.

5. Minha espada Te atravessa e atravessa as luas cristalinas que escoam lentamente do Teu belo corpo, o que está escondido atrás das ovais de Teus olhos.

6. Mais fundo, sempre mais fundo. Eu caio, como o Universo cai no abismo de Anos.

7. Pois a Eternidade chama – a do Sobremundo – nos chama  e a Palavra espera-nos.

8. Acaba com a palavra, Ó Deus! Crava as presas do cão da Eternidade nesta minha garganta!

9. Eu sou como um pássaro ferido voando em círculos.

10. Quem sabe onde vou Eu cair?

11. Ó Abençoado! Ó Deus! Ó meu devorador!

12. Deixa-me cair, precipitar-me, afastar-me, longe e só!

13. Deixa-me cair!

14. Não haverá qualquer descanso, Coração Doce, salvo no berço do régio Baco, na coxa do Mais Sagrado.

15. Lá descanso, sob o dossel da noite.

16. Urano censurou Eros; Marsyas censurou Olympia; Eu censuro meu belo amante com a sua juba de raios de sol; não cantarei?

17. Meus encantamentos não me trarão a maravilhosa companhia dos deuses da selva, seus corpos luzindo com o unguento do luar, do mel, da mirra?

18. Adoráveis sois vós, Ó meus amantes; avancemos para o vale mais sombrio!

19. Lá festejaremos sobre mandrágoras e sobre alhos mágicos! Lá O amável nos estenderá Seu santo banquete.

20. Nos bolos castanhos de trigo, provaremos a comida do mundo, e seremos fortes.

21. Na rubra e medonha taça da morte, nós beberemos o sangue do mundo, e ficaremos bêbedos !

22. Ohé! uma canção a Iao, uma canção a Iao!

23. Vem, cantemos para ti, Iacchus invisível, Iacchus triunfante, Iacchus indivisível!

24. Iacchus, Ó Iacchus, Ó Iacchus, fica perto de nós!

25. Então a face de todo o tempo foi escurecida, e a verdadeira luz se exibiu.

26. Houve também um certo grito numa língua desconhecida, cuja estridência perturbou as águas quietas de minha alma, minha mente e meu corpo foram curados da doença que padeciam; o auto-conhecimento.

27. Sim, um anjo perturbou as águas.

28. Este foi o seu grito: IIIOOShBTh-IO-IIIIAMAMThIBI-II

29. Nem Eu cantei isso mil vezes por noite por mil noites antes que viesses, Ó meu Deus flamejante, que me perfuraste com Tua lança. Teu robe escarlate cobriu o céu e os Deuses disseram: Tudo está queimado; é o fim.

30. Também Tu puseste teus lábios na ferida e sugaste um milhão de ovos. E Tua mãe sentou-se sobre eles, e vê!

31. Estrelas e estrelas e Coisas – das quais as estrelas são tão só átomos.

32. Então Eu Te percebi, Ó meu Deus, sentado como um gato branco sobre a tripeça do porto; e o zumbido dos mundos giratórios era apenas o Teu prazer. Ó, gato branco, as faíscas voam do Teu pelo! Tu crepitas e partes os mundos.

33. Eu vi mais de Ti no gato branco do que vi quando da Visão dos Æons.

34. No bote de Ra, Eu viajei, mas nunca encontrei sobre o Universo visível qualquer ser como Tu!

35. Tu eras como um cavalo branco alado, e Eu Te fiz correr pela eternidade contra o Senhor dos Deuses.

36. É desta forma que ainda corremos!

37. Tu eras como um floco de neve caindo nos bosques de pinheiros.

38. Num instante Tu te evaporaste no deserto. O que é parecido é diferente.

39. Mas Eu vi o belo Deus atrás de uma névoa, Tu eras Ele!

40. Também Eu li num grande Livro.

41. Sobre antigo pergaminho estava escrito em letras de ouro: Verbum fit Verbum.

42. Também Vitriol e o nome do hierofante,

V.V.V.V.V.

43. Tudo isto girava em bolas de fogo, de fogo estelar, raro e longínquo e completamente solitário, – assim como Tu e Eu. Ó alma desolada, meu Deus!

44. Sim, e a escrita,

*%$#$%^&&@@#$$$$$%%$#@@@*

E a voz que fez estremecer a terra.

45. Oito vezes ele gritou bem alto, e por oito e mais oito Eu contarei Teus favores, Oh Deus Undécuplo 418!

46. Sim, e por muito mais; pelas dez nas vinte e duas direcções; assim como a perpendicular da Pirâmide e assim Teus favores serão.

47. Se Eu os numero, eles são o Um.

48. Excelente é o Teu amor, Oh Senhor! Tu és revelado pela escuridão e por aquele que tacteia no horror dos bosques. O que Te pegará alegremente, como a uma cobra que agarra um pequeno pássaro.

49. Eu Te peguei, Ó meu tordo macio; Eu sou como um falcão de esmeralda-mãe; Eu pego-Te por instinto, apesar de meus olhos falharem diante da Tua glória.

50. Porém, eles são apenas gente. Gente diminuída. Eu apenas os vejo sobre a areia amarela, estão vestidos de púrpura de Tiro.

51. Eles atraem o seu Deus brilhante para a terra – com o auxilio de redes; eles preparam o fogo para o Senhor do Fogo, e gritam palavras profanas, inclusive a medonha maldição: Amri maratza, maratza, atmam deona Lastadza maratza maritza – marán!

52. E cozinham o deus brilhante, e o engolem por inteiro.

53. Esta é gente má, Ó belo menino lindo! passemos ao Outro mundo.

54. Tornemo-nos uma isca agradável e de forma sedutora!

55. Eu serei como uma esplêndida mulher nua com seios de marfim e mamilos dourados; meu corpo será como o leite das estrelas. Eu serei lustrosa e grega, uma cortesã de Delos, da Ilha instável.

56. Tu serás como um pequeno verme rubro no anzol.

57. Mas tu e Eu pescaremos os nossos peixes.

58. Então serás Tu um peixe brilhante de costas douradas e barriga prateada: Eu serei como um belo homem violento, mais forte que duas vintena de touros, um homem do Oeste que carrega um esplêndido saco de jóias preciosas. Estarei debruçado sobre um cajado sobre o eixo do todo.

59. E o peixe será sacrificado a Ti, e o homem forte crucificado para mim, e Tu e Eu nos beijaremos, e repararemos o erro do Princípio; sim, o erro do princípio.

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V

 

 

1. Ó meu belo Deus! Eu nado no Teu coração como uma truta na torrente da montanha.

2. Eu pulo de poça em poça em minha alegria; Eu sou belo. Visto uma túnica castanha bordada a ouro e prata.

3. Ora, Eu sou mais formoso que os bosques ruivos de outono após a queda da primeira neve.

4. E a caverna de cristal, a do meu pensamento é mais formosa que Eu.

5. Apenas um anzol me pode apanhar; ele é uma mulher ajoelhada à margem da corrente. É ela que derrama o orvalho brilhante sobre si e na areia, de forma a que o rio jorre.

6. Há um pássaro naquele mirto; apenas a canção daquele pássaro me pode tirar da poça que se forma no Teu coração, Ó meu Deus!

7. Quem é este menino Napolitano que ri e e se enche felicidade? Seu amante é a poderosa cratera da Montanha de Fogo. Eu vi seus membros queimados ao descer as encostas numa furtiva língua de pedra líquida.

8. E Oh! o canto da cigarra!

9. Eu lembro-me dos dias em que fui cacique no México.

10. Ó meu Deus, eras Tu então, como agora, o meu belo amante!

11. Foi minha mocidade então, como agora, Teu brinquedo, Tua alegria?

12. Em verdade, Eu me lembro daqueles dias férreos.

13. Lembro-me de como inundávamos os lagos amargos com nossa torrente de ouro; como afundávamos a imagem preciosa na cratera de Citlaltepetl.

14. Como a boa chama nos elevou até às terras baixas, deixando-nos na floresta impenetrável.

15. Sim, Tu eras um estranho pássaro escarlate com um bico de ouro. Eu fui Teu parceiro nas florestas da terra baixa; e sempre ouvíamos de longe o canto agudo de sacerdotes mutilados e o clamor insano do Sacrifício de Donzelas.

16. Havia um esquisito Deus alado que nos falava de sua sabedoria.

17. Nós conseguimos tornar-nos grãos brilhantes na poeira dourada das areias do lento rio.

18. Sim, e aquele rio era o rio do espaço e do tempo.

19. Nós nos separamos ali; sempre para o menor, sempre para o maior, até que, Ó doce Deus, nós somos nós próprios, os mesmos.

20. Ó meu Deus! Tu és como um jovem bode branco que dispara relâmpagos de seus cornos!

21. Eu Te amo, Eu Te amo.

22. Todo o alento, toda a palavra, todo o pensamento, todo o acto é um gesto de amor quando Contigo.

23. A batida do meu coração é o pêndulo do amor.

24. Minhas canções são suspiros leves:

25. Meus pensamentos são verdadeiro êxtase:

26. E meus actos são as miríades de Tuas crianças, as estrelas e os átomos.

27. Que nada exista!

28. Que todas as coisas caiam neste oceano de amor!

29. Seja esta devoção um potente encantamento para exorcizar os demónios dos Cinco!

30. Ah Deus, tudo se foi! Tu consumiste Teu êxtase. Falútli! Falútli!

31. Há uma solenidade no silêncio. Não existe mais voz.

32. Assim será até o fim.

33. Nós, que fomos pó, nunca cairemos no pó. Assim será.

34. Então, Ó meu Deus, o sopro do Jardim de Especiarias terá um sabor adverso.

35. O cone é cortado por um raio infinito; a curva da existência hiperbólica surge no ser.

36. Mais e mais longe flutuaremos; porém estamos parados. É a corrente dos sistemas que cai bem longe de nós.

37. Primeiro cai o mundo enlouquecido; o mundo da antiga terra cinza.

38. Cai de forma inimaginável. Cai longe, com sua tristonha face barbada e, presidindo eu à queda; vejo-o desaparecer em silêncio e dor.

39. Nós, em silêncio e alegria. A face é a risonha face de Eros.

40. Sorrindo o saudamos com os sinais secretos.

41. Ele nos conduz ao Palácio Invertido.

42. Lá está o Coração de Sangue, uma pirâmide com seu ápice para baixo tocando o além do Erro do Princípio.

43. Enterra-me na Tua Glória, Ó amado, Ó amante principesco desta donzela prostituta, dentro da mais Secreta Câmara do Palácio!

44. Isto é feito rápido; sim, o selo é aposto sobre a cripta.

45. Há um que conseguirá abri-la.

46. Nem pela memória, nem pela imaginação, nem pela oração, nem pelo jejum, nem pelo flagelo, nem pelas drogas, nem por ritual, nem pela meditação; – ele valerá só

pelo amor passivo.

47. Ele esperará pela espada do Amado, e despirá sua garganta para o golpe.

48. Então seu sangue jorrará e me escreverá runas no céu; sim, escrever-me-á runas no céu.

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VI

 

1. Tu eras uma sacerdotisa, Ó meu Deus, entre os Druidas; e nós conhecíamos os poderes do carvalho.

2. Nós construímos um templo de pedras na forma do Universo, como era tua prática e Eu escondido.

3. Realizámos muitas coisas maravilhosas à meia-noite.

4. Pela lua minguante trabalhámos.

5. Sobre a planície veio o terrível uivo de lobos.

6. Nós respondemos; Caçamos com a alcateia.

7. Chegámos mesmo à Capela nova e Tu levaste o Santo Graal sob Tuas vestimentas de Druida.

8. Secretamente e às escondidas, bebemos do sacramento informador.

9. Então uma terrível enfermidade se apoderou da gente da terra cinza; e nós nos regozijámos.

10. Ó meu Deus, disfarça Tua glória!

11. Vem como um ladrão, e roubemos os Sacramentos!

12. Em nossos bosques, em nossas celas de claustro, em nosso favo de alegria, bebamos, bebamos!

13. É o vinho que tinge todas as coisas com a verdadeira tintura do infalível ouro.

14. Há profundos segredos nestas canções; não basta ouvir o pássaro; para apreciar a canção, ele deve ser o pássaro.

15. E Eu sou o pássaro, e Tu és minha canção, Ó meu glorioso Deus galopante!

16. Tu puxas as rédeas das estrelas; tu guias as constelações sete a sete pelo círculo do Nada.

17. Tu, Deus Gladiador!

18. Eu toco minha harpa, Tu lutas contra as bestas e as flamas.

19. Tu tomas Tua alegria na música, e Eu na luta.

20. Tu e Eu somos queridos do Imperador.

21. Vê? ele nos chamou ao palanque imperial. A noite cai; é uma grande orgia de adoração e de gozo.

22. A noite cai como um manto reluzente dos ombros de um príncipe sobre um escravo.

23. Ele se ergue como um homem livre!

24. Joga tu, Ó profeta, o manto sobre estes escravos!

25. Uma grande noite, e fogos escassos dentro dela; mas liberdade para o escravo que a glória dela cercará.

26. Assim, também Eu desci à grande cidade triste.

27. Lá a morta Messalina trocava sua coroa pelo veneno da morta Locusta; lá estava Calígula, e golpeava os mares de esquecimento.

28. Quem eras Tu, Oh César, Tu, que percebias Deus num cavalo?

29. Pois vê! nós contemplamos o Cavalo Branco dos Saxões gravado sobre a terra; e nós contemplamos os Cavalos do mar que flamejam em volta da velha terra cinza, e a espuma das suas narinas nos ilumina!

30. Ah! mas Eu te amo, Deus!

31. Tu és como uma lua sobre o mundo de gelo.

32. Tu és como a aurora das mais extremas neves sobre as planícies secas da terra do tigre.

33. Pelo silêncio e pela fala Eu Te adoro.

34. Mas é tudo em vão.

35. Só valem Teu silêncio e Tua fala que me adoram.

36. Lamentai-vos, Ó vós, gente da terra cinza, pois nós bebemos vosso vinho, e vos deixamos apenas os excrementos amargos.

37. Porém, destes, nós vos distilaremos um licor além do néctar dos Deuses.

38. Há valor em nossa tintura para um mundo de Especiaria e ouro.

39. Pois nosso pó vermelho de projecção está além de todas as possibilidades.

40. Há poucos homens; há bastantes.

41. Estaremos cheios de escanções, e o vinho não é racionado.

42. Ó querido, meu Deus! que festa que Tu proporcionaste.

43. Vede as luzes e as flores e as donzelas!

44. Provai dos vinhos, dos bolos e das carnes esplêndidas!

45. Aspirai os perfumes e as nuvens de pequenos deuses como ninfas dos bosques que habitam as nossas narinas!

46. Senti com vosso corpo inteiro a maciez gloriosa do mármore frio e o calor generoso do sol e dos escravos!

47. Que o Invisível informe toda a devoradora Luz do seu vigor destrutivo!

48. Sim! todo o mundo é separado em dois, como uma velha árvore devorada pelo relâmpago!

49. Vinde, Ó deuses, e que nós vos festejemos.

50. Tu, Ó meu querido, Ó meu incessante Deus-Pardal, meu deleite, meu desejo, meu enganador, vem Tu e segreda na minha mão direita!

51. Este foi o conto da memória de Al A’in, o sacerdote; sim, de Al A’in, o sacerdote.

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VII

 

 

1. Pela queima do incenso, foi a Palavra revelada, e pela droga distante.

2. Ó farinha e mel e óleo! Ó bela bandeira da lua, que ela pendura no centro da felicidade!

3. Estes afrouxam as ataduras do cadáver; estes desatam os pés de Osíris, para que o Deus flamejante possa bramar pelo firmamento com sua lança fantástica.

4. Mas de puro mármore negro é a estátua triste, e a imutável dor dos olhos é amarga para os cegos.

5. Nós compreendemos o êxtase daquele mármore mexido, despedaçado pelas dores do parto da criança coroada, a vara dourada do Deus dourado.

6. Nós sabemos por que tudo está oculto na pedra, dentro do caixão, dentro do poderoso sepulcro, e nós também responderemos Olalám! Imál! Tutúlu! como está escrito no livro antigo.

7. Três palavras daquele livro são como a vida para um novo æon; nenhum deus leu tudo.

8. Mas Tu e Eu, Ó Deus, o escrevemos, página por página.

9. A nossa via é a undécupla, a leitura da palavra Undécupla.

10. Estas sete letras juntas fazem sete palavras diversas; cada palavra é divina e sete sentenças estão aí escondidas.

11. Tu és a Palavra, Ó meu querido, meu senhor, meu mestre!

12. Ó vem a mim, mistura o fogo e a água, tudo se dissolverá.

 

13. Eu Te espero no sono, na vigília. Eu não mais Te invoco; pois Tu estás em mim, Ó Tu, que me transformaste num belo instrumento afinado para o Teu êxtase.

14. Porém Tu estás sempre apartado, tal como Eu.

15. Lembro-me de um certo dia santo no ocaso do ano, no ocaso do Equinócio de Osíris, quando primeiro Eu Te contemplei de forma especial; quando a pavorosa questão foi decidida em luta; quando a cabeça-de-Íbis afastou a discórdia com seu encantamento.

16. Eu me lembro do Teu primeiro beijo, assim como uma donzela se lembraria. Nem nos atalhos escuros havia outro; Teus beijos permanecem.

17. Não existe outro ao Teu lado em todo o Universo que o Amor.

18. Meu Deus, Eu Te amo, a Ti bode de chifres dourados!

19. Tu, belo touro de Ápis! Tu, bela serpente de Apep! Tu, bela criança da Deusa Prenhe!

20. Tu mal Te mexeste em Teu sono, Ó antigo sofrimento dos anos! Tu levantaste Tua cabeça para golpear, e tudo foi dissolvido no Abismo de Glória.

21. Um fim para as letras das palavras! Um fim para a séptupla fala.

22. Resolve-me a maravilha de tudo isso na figura de um rápido camelo magro e em largas passadas sobre a areia.

23. Solitário é ele, e abominável; porém ganhou a coroa.

24. Oh regozijai-vos! regozijai-vos!

25. Meu Deus! Ó meu Deus! Eu sou apenas uma partícula no pó estelar das idades; Eu sou o Mestre do Segredo das Coisas.

26. Eu sou o Revelador e o Preparador. Minha é a espada – e a Mitra e a Baqueta Alada!

27. Eu sou o Iniciador e o Destruidor. Meu é o Globo – e o Pássaro Bennu e o Lótus de Ísis, minha filha!

 

28. Eu sou o Único além destes todos, e Eu carrego os símbolos da poderosa escuridão.

29. Haverá um sigilo como o de um vasto, negro, atormentado oceano de morte, e o brilho central da escuridão, radiando na noite sobre tudo.

30. Isto engolirá aquela escuridão menor.

31. Mas, naquele profundo, quem responderá: O que é?

32. Não Eu.

33. Não Tu, Ó Deus!

34. Vem, não mais arrazoemos juntos; aproveitemos! Que nós sejamos nós mesmos, silenciosos, únicos, apartados.

35. Ó bosques solitários do mundo! Em que recessos escondereis nosso amor?

36. A floresta de lanças do Altíssimo é chamada Noite,  Hades e o Dia de Cólera; mas Eu sou Seu capitão, e carrego Sua taça.

37. Não me temais com meus lanceiros! Eles chacinarão os demónios, com suas presas mesquinhas. Vós sereis livres.

38. Ah, escravos! vós não quereis – vós não sabeis como querer.

39. Porém a música das minhas lanças será uma canção de liberdade.

40. Um grande pássaro voltará do Abismo da Alegria, e vos carregará para serdes meus escanções.

41. Vem, Ó meu Deus; que, em um último êxtase, nós atinjamos a União com os Muitos!

42. No silêncio das Coisas, na Noite das Forças, além do amaldiçoado domínio das Três, que nós aproveitemos o nosso amor!

43. Meu querido! Meu querido! para longe, para longe, além da Assembleia, e da Lei, e da Iluminação, para uma Anarquia de Solitude e Escuridão!

44. Pois assim mesmo devemos velar o brilho de nosso Ser.

45. Meu querido! Meu querido!

46. Ó meu Deus, mas o amor em Mim explode sobre os laços do Espaço e do Tempo; meu amor é derramado entre aqueles que não amam o amor.

47. Meu vinho é derramado sobre aqueles que nunca provaram vinho.

48. Os fumos dele os intoxicará, e o vigor do meu amor gerará poderosas crianças de suas donzelas.

49. Sim! sem bebida, sem abraço: – e a Voz respondeu Sim! estas coisas serão.

50. Então, Eu busquei uma Palavra para Mim Mesmo; não, para mim mesmo.

51. E a Palavra veio: Ó Tu! que estejas bem. A nada atentes! Eu Te amo! Eu Te amo!

52. Portanto Eu tive fé até ao fim de tudo; sim, até ao fim de tudo.

 

tradutor: desconhecido – adaptação: confraria da alfarroba