do Prazer do Auto Amor . do pensamento de Austin Osman Spare

spare

KIA

Deus, religiões, fé, moral, mulheres, etc. utilizados para expressar diferentes formas de controle e manifestações de desejo, são expressões marcadas por diversas crenças: – serão, pois, ideias de unidade incutidas pelo medo – expressões que carregam conceitos próprios daquilo que entendemos por servidão.

Kia: é a liberdade absoluta e, ao gozar desse estatuto (liberdade absoluta), será suficientemente poderosa.
Kia, não é um conceito potencial ou manifesto (a não ser enquanto possibilidade imediata) em função das ideias de liberdade, mas o Ego é livre ao recebe-las.
Livre de ideias pela simples razão de que a crença está ausente.
Quanto menos se falar de Kia, menos obscura se torna.
Relembramos que a evolução nos ensina, através de punições terríveis, que a concepção é a realidade maior, mas não a libertação maior dessa evolução. Assim teremos:
Virtude: Arte Pura.
Vício: Medo, crença, fé, controlo, ciência, etc.
Auto-Amor (self-love): o estado de espírito ou a condição gerada pela emoção, pelo riso – o que se transforma no princípio que confere ao Ego a apreciação ou associação universal – que nos permite a ideia ou sentido de anexação, anterior à concepção.
Exaustão: aquela sensação de vazio transportada pelo esgotamento do desejo através da dissipação do próprio desejo.
Quando o estado de espírito está em consonância com a natureza, quando a mente se liberta da insatisfação do desejo por cumprir… esse vazio é sensível à sugestão subtil do Sigilo.

do PRAZER, da LIBERDADE E do PODER.

Para além do Ego, haverá algo em que acreditar?
Que desejamos – cada um de nós – além da negação de tudo enquanto realidade?
Ele, o Ego, somos nós…
O Ego, é invisível.
Somos aquilo em que acreditamos…
O processo criativo reduz-se a esta fórmula.

Os nossos actos são o resultado de ideias com vínculos profundos nas nossas crenças e, como elas (crenças) inseparáveis de nós próprios – crenças: obscuras, indirectas e decepcionantes.
A dualidade é o resultado da acção:
Céu – Inferno
Tudo – Nada
O Céu será o espaço de desejo do feminino
O Inferno o espaço do intenso desejo
O Purgatório será, portanto, o espaço da esperança adiada ou da indiferença após um momento de decepção.
Poderemos assim chegar à conclusão de que estes espaços de crença são todos iguais….
O mago que busca o prazer, ao concluir que existem “diversos níveis de desejo”, entregar-se-à à Virtude e ao Vício – torna-se Kiaísta.

Montado no Tubarão do desejo individual, o mago atravessa o oceano da dualidade e mergulha, em seguida, no auto-amor.

Religiões; o mesmo que projecções da nossa incapacidade, suporte (conforto) das nossas fantasias e medos – sublimações da superstição e afirmação de paradoxos (“Deus está no Céu e sempre”, “o Todo-Poderoso é inconcebível” mas emana sua própria concepção ou sua negação, comete o suicídio etc.) com argumentos que frequentemente roçam a imbecilidade. E para obter o prazer máximo a custo mínimo, devemos contar os nossos pecados e eles serão perdoados. A religião provoca, desta forma, a transformação do homem livre numa marioneta condicionada e manipulada ao sabor dos interesses de um poder…
e o terror é o seu governante.
A religiosidade, ou através da religiosidade o homem conquista apenas a sua própria “manjedoura”, por mais imaginária que essa religiosidade possa ser!
A perspectiva não é agradável: O homem terá de reaprender tudo por si próprio.
Terá que nascer – renascer – de si próprio com toda a sensibilidade do seu corpo.

Muitos enaltecem os ideais da Fé.
Acreditam que eles (ou qualquer coisa) são deuses – “transformam-se” assim em tal “coisa”, ainda que as suas atitudes demonstrem o contrário.
Será melhor admitir a própria incapacidade ou insignificância do que carregar sobre as costas, eternamente, ideias cimentadas na fé.
Ideias que não nos levam a lugar nenhum.
O que é superficial “protege”, mas não altera o vital: portanto, rejeitemos tais ideias…

A Fé é a nossa própria negação, a metáfora do idiota – a fé está condenada ao fracasso.

Para que as “cadeias” se tornem mais eficientes, os governos, em geral, forçam as religiões a actuar junto dos seus escravos (catequizando-os) e são, normalmente, bem sucedidos; são poucos os que conseguem escapar às malhas da religiosidade, os méritos dos catequizadores são grandes.
Porém, quando a fé se desvanece, o Eu Superior entra em acção. E os menos tolos lembrar-se-ão de que Deus é uma criação deles próprios, portanto, sujeito às mesmas leis.
É desejável, esta ambição de fé?

Eu, pelo que me diz respeito, não conheci um único ser humano que não fosse Deus.

Outros há que, dotados de grande conhecimento, não sabem exactamente o que é uma “crença”.
Como acreditar naquilo que desafia as leis naturais e as crenças existentes.
Obvio será que não é dizendo: “- eu creio”.
A arte foi há muito esquecida.
Na realidade, estes estão sujeitos à estupefacção, à distracção a partir de seus próprios argumentos infelizes… confusos…
Adoptam seus dogmas, comportamentos que impossibilitam o exprimir do seu verdadeiro potencial – presos a preconceitos de pseudo coerência…
A “luz” de seu conhecimento estagna qualquer possibilidade de realização pessoal.
Quantas vezes os vemos perdidos na racionalidade das suas explicações?
O ser humano não consegue acreditar apenas pela fé ou pelo ter, uma vez que ele só pode entender o conhecimento adquirido a partir de uma nova percepção da realidade. Se somos tudo, para quê a necessidade de imaginar que não o somos?
Sejamos místicos.

Outros acreditam em orações: ainda não compreenderam que pedir é um acto de submissão – o mesmo que ver os seus desejos negados.
Que estas palavras possam vir a ser a base de seu Evangelho pessoal. “Oh, vós que viveis a vida de outras pessoas, ouvi: – a não ser que o desejo seja subconsciente ele não se realiza, pelo menos nesta vida. Dormir pode ser melhor que rezar. A concordância é uma forma de desejo oculto, um meio de “não pedir”; é assim que a fêmea consegue tudo do macho”.
Use a oração como um meio de exaustão, só assim poderá vir a realizar o seu desejo.

Alguns estão empenhados em mostrar as semelhanças entre as diferentes crenças; acabam por cair num equívoco e nunca mais se “levantam”…
acabam por nunca encontrar as semelhanças nem sequer a quinta essência das religiões.

……. decepcionar para governar ………….. para conseguirmos a transcendência, não podemos dar espaço a um deus ou à religião …….

Há os que veneram a Magia Ritual
acreditam atingir grandes êxtases! Os nossos asilos estão cheios deles, bem como os palcos!
Será através do simbolismo que nos transformamos naquilo que é simbolizado?
Se eu me coroar rei, transformar-me-ei num rei?
O mais provável seria transformar-me num objecto de piedade…

Estes Magos, cuja insinceridade é a sua própria segurança, não passam de janotas desempregados de bordeis.
Magia é apenas uma habilidade natural para atrair sem ter que pedir; ritual é aquilo que não foi afectado, e a sua doutrina nega a doutrina daqueles.

Eu conheço-os bem, tal como conheço o seu percurso de “iniciação” – um percurso que apregoa o medo do próprio conhecimento.

Vampiros!…
As vossas práticas provam a vossa própria incapacidade, não sois possuidores de quaisquer conhecimentos, não possuís qualquer prática mágica…

…. A liberdade e energia não são obtidas por meio da servidão nem o verdadeiro poder é obtido por sua desintegração.

Será que a nossa mente já está saturada e dividida, que não somos verdadeiramente capazes nem mágicos?

_________

Austin Osman Spare nasceu em Inglaterra em 1886 e faleceu em 1956.
Spare foi um dos mais interessantes ocultistas anglo-saxónicos. Pintor e Mago, Spare (filho de um policia londrino) é iniciado ainda muito jovem nos mistérios da bruxaria por uma senhora de apelido Paterson – uma velha bruxa. De 1927 até ao ano de sua morte, Spare viveu como ermita nos suburbios da cidade de Londres. É por muitos comparado a H. P. Lovecraft, outro importante estudioso dos níveis obscuros da mente

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voltaremos aos altares para os destruirmos

O tempo chegou – desceremos através da Espiral – a dos Tempos.

O ponto central da espiral, é também a do abismo – do Conhecimento.

O abismo é o caminho que os Adeptos almejam alcançar (deverão passar) – a Grande Cidade das Pirâmides.

Adentrando-nos nesse reino infernal e, caminhando em espiral, poderemos alcançar a capital do reino – para alguns, Infernal.

E esse reino representa a total reestruturação do sistema.

Para tal é necessário que superes as dualidades e te tornes um Mestre.

O Mito da descida, é o caminho. Aquele em que todos, no seu percurso, rumam ao interior do grande ciclo e, logicamente, iniciarão (tomarão em suas mãos) o outro.

São muitos os que nos seguirão.

Está escrito, nos muitos Livros e tal pensamento, patente nas muitas culturas: – uma nova Era surgirá!

Os calendários estão mortos.

Outros serão adoptados.

Outros.

Triângulo-a

Estruturados noutras frequências. Noutros ritmos.

Os do Tempo.

Os que provocarão uma outra ordem mental. A que nos convidará seguir a harmonia:

– A da natureza

– A da mente

– A dos ciclos (solar – lunar)…

Reordenaremos a nossa mente.

Valorizaremos o fluxo do calendário lunar, sua tradição iniciática.

Somos os filhos das “bruxas” e “magos” que a cristandade não conseguiu queimar nas suas fogueiras.

Estamos vivos e reivindicamos o regresso da “Grande Roda do Ano” com seus sabat e festividades lunares.

Reivindicamos as práticas da Bruxaria tradicional. A grande FESTA. Uma sociedade humanizada onde a criatividade e a liberdade são a grande chave.

Reivindicamos a absoluta liberdade. A liberdade é una. É um todo.

A liberdade é! – a “liberdade parcelar” não o é!

A liberdade e a criatividade irrompem. Espontaneamente.

Não há (não pode haver) “parcelas” de liberdade.

Há, tão só Liberdade.

É a Liberdade que desejamos. Que reivindicamos.

Quando as estrelas estiverem alinhadas eles voltarão para destruir o mundo. Os “Antigos” transportam consigo os nomes esquecidos e trarão, de novo, os poderes negados ou adormecidos.

Os poderes que residem no nosso interior – os quais não damos conta

Eles voltarão aos altares.

E Eles destruirão os altares.

A liberdade será reconquistada aos tiranos – A Grande Árvore será o nosso trono

o lixo decididamente um luxo

lixo

o lixo é um luxo (ou de uma reflexão para um manifesto quase poétiCU/artístiCU)

alucinante é o ritmo dos anúncios-lâmina as aves exóticas vibram encontros de fazer eriçar cabelos e cada parte do seu corpo se envolve na mente com harmoniosos sons próximos mui próximos da demência e nos limites da pele ele olha para ela para melhor entender como se sente bem quando dança nos olhos dos transeuntes então como bom ladrão de incautos cegos executa no teclado moinhos e odes dedilhadas delicadas e dedicadas aos rouxinóis é nesse momento que transcreve algumas letras separadas convenientemente para que  o espetáculo se assemelhe a um desfile de anjos reflectidos nos olhos claros e no sorriso inocente mas a desonestidade prevalece nos quadris quentes e isso ajuda a mover-se sobre os seus pecados vibrantes e hipnóticos para dizer – eu vi e caí sobre mil resistências que doce é o aroma da sedução – com um sorriso doce provoca-a e convida-a à dança sensual e deixa-se envolver junto à antecâmara dos violoncelos pelas suas mentiras
o

o fluxo laminar deixou-se cair sobre as chaves homero pro- punha-se nesse momento reconstruir sobre as ruínas a cidade bombardeada após aprofundada análise das obras de arte ocidental e de uma série de glyphs gravados na pele das vítimas o desenhador da coisa era um arquitecto da comissão das obras municipais foi ele quem pintou um burro para o andor da procissão que para o efeito usou uma impressora que transpirava poemas em linha e uma série de pausas cujo comprimento e cumprimento seria determinado através da formatação de códigos muito precisos em seguida registou um guincho guinado para o lado de fora que se movia no papel seguiu-se a reprodução do ruído e foram igualmente transcritas belas músicas com o auxilio da sua própria voz compôs também um texto que reconhece as palavras e ob- jectos tridimensionais inscritos no espaço-tempo os quais pre- tendem desatar os textos num tour de force mas nem sempre fazem uso de caracteres do alfabeto grego e tão pouco escapam aos parágrafos desenhados ao longo dos discursos sem fundo e tão pouco tecto o artista salientou ainda que o mundo é na verdade uma complexa alegoria digital onde os escritos poéticos serão sempre alvo de consulta por via de forças magnéticas emitidas por investimentos precisos
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lixo-4

as consoantes que circulam não são mais que consoantes as vogais é que são outra coisa mais colorida coisa arquivada na memória do tempo coisa devidamente estudada pelo menino arthur sentado sobre os lençóis manchados pelos restos de uma noite de sexo numa qualquer pensão de paris há todavia pensou ele notas de era uma vez que emanam magnetismo e um certo odor a filosofia e também a velhos jornais vendidos em caixas de cartão nas ruas a vida só poderá ser devidamente contemplada do alto dos moinhos de vento mas antes há um conjunto de instruções a cumprir claro que são úteis e não podem jamais ser descoradas para que melhor seja cumprida a sua real limpeza-a-seco e como é evidente só assim os devotos alcançarão com o olhar o sudário sagrado e nos poderão responder a questões que urge descodificar
as

as línguas zumbem na cabeça com secretas palavras qualquer peça que escreva exclui a escrita é assim como um remover de todas as especificidades e convertê-las em ambiguidades é como incendiar os dias por necessidade e é ainda ordenar o que segue e o que segue não é mais que uma verificação e confirmação do absoluto a língua será a resposta evasiva ou um endereçar de intenções é portanto como escrever uma mensagem à baleia mais próxima e sonharem-se áfricas em carne viva e é também muitas vezes o manter do todo sobre um beijo usado num sigilo mágico depois é só achar a raiz quadrada de uma gaita-de-foles ou de um pedaço de papel ou mesmo de um número escolhido aleatoriamente para se poder deixar o rolo de papel gerir todas as questões que possam ser levantadas só então nos resta submergir no teclado da máquina de escrever e soltar um grande soluço em branco o objecto resultante seguirá o seu caminho a trote – nem mais – como é bom cavalgar um secador de cabelo armado de globos oculares escreve-me um soneto com os restos do cianeto e deixa-me mergulhar nessa caixa de ar verde que escondes na varanda
uma

uma voz — come as batatas e bebe o chá – era tão só uma paisagem manchada por documentos uma dor que sobrevoa- va o quarto não é necessariamente mas possivelmente será o espaço que ela pode ocupar nas páginas deste romance que aborda os últimos dias de sua vida assim como o que poderia ter feito antes do seu desaparecimento é também um extraordinário guia de monumentos inexistentes encontrados em algum casebre no centro da cidade em algum lugar obscuro sim mas nós sabemos o que queremos dizer e ilustrar nós sa- bemos e este é o caso todas as missivas rabiscadas nas nossas esquizofrénicas folhas de vidro poderão vir a ser soletradas de acordo com uma fonética concebida com o auxilio desinteressado de um software específico e desenvolvido por estudiosos da área da patafísica assim sendo resta-nos afirmar que a paisagem não é mais que isso mesmo uma paisagem pintada com café por uma grande artista sobra-nos a tarefa de lhe atribuir um título e claro publicar a coisa que gravámos nos seus ossos ressequidos um breve epitáfio onde como é lógico não nos esqueceremos de referir os seus notáveis dotes literá- rios porém o odor fétido a comida de gato não vem ao caso tal facto singir-se-à a pequenas notas nas bordas laterais do seu livro não mais que isso
na

lixeiras

na e da mesma forma – a dúvida aparentemente pressupõe um conceito de certeza e se assim for a não-referencialidade pressupõe o conhecimento do referencial mas será que quero sequer saber disso que poderá importar tal conceito quando as páginas do livro não estão devidamente baralhadas as pá- ginas a páginas tantas não deverão estar ligadas e não estando revelarão o escrito com maior facilidade daí se infere que é realmente importante baralhar as páginas de um livro as páginas devem ser soltas devem sentir-se libertas em plena liber- dade sem qualquer referência numérica é facto – as páginas cumprem melhor a sua função de página se permitirem leitu- ras aleatórias a poesis reivindica hoje isso mesmo a destruição do círculo dos signos e dos símbolos
portanto

portanto a borda do oceano é a praia e as gaivotas as ondas o cheiro a sal ou a algas o brilho do sol na água tudo isso é a paisagem que anteriormente foi dito ter sido desenhada com café ou seja – qualquer coisa que digamos de forma descriti- va é na melhor das hipóteses parcial construímos assim uma outra estética ou mesmo linguagem produzida por todos movida por nossas próprias chaves as nossas muitas chaves escolhidas num qualquer momento e de forma aleatória com este molho de chaves poremos a máquina a funcionar a escrever e antes mesmo de começar com a cabeça entre as mãos poderemos parir um lindo romance e viajar no tempo que surge et voilá assistiremos ao desenlace dos mil e um objectos do nosso desejo só então poderemos recuar e atingir o início ou avançar vertiginosamente só então o nosso livro soltará página por página até que fiquemos sem papéis no andor ou mesmo no andar o importante é disparar em linha recta
e

e falar ou andar sobre rolamentos de esferas ou mesmo escrever um soneto contemplando uma outra paisagem ou não escrever e com as pontas dos olhos atingir sem aviso outras histórias por exemplo – uma noite imaginada no cabaret voltaire – para quê contemplar aquilo que o inferno é ou dizem ser se o conhecemos tão bem precisamente ao procurar viver o nosso quotidiano encalhamos forçosamente nesse maldito ruído faz já parte da nossa bagagem e para quê calcular a diferença entre volumes de ar deslocados por uma camisa limpa e bem passada por um ferro de vapor ou pela mesma camisa quando enrugada e suja sim para quê fazer um filme sobre uma nave espacial embrulhada em redes de cabelo quando o mais importante é promover o desemprego e destruir escolas de formação para fabulosas profissões obsoletas a questão é mes- mo essa todavia uma pergunta – será que não estais cansados de ser carrascos de vós próprios
então

então e decididamente não leio o mundo leio sim pelo prazer do acto o de ler uma outra escrita diferente – uma linguagem de uma só consoante de uma única vogal um urro em coro  e em vários tons em fuga consciente de toda a informação empacotada de palavras acolchoada em discursos empalhados – há que fazer um certo borbulhar nas mentes tendo em conta que há uma visão a cumprir a que vemos antes mesmo de vermos – pouco é o que sabemos sobre laranjas antes de termos comido a primeira
alguns

alguns argumentam contra-necessidades e reforçam a tecla – para as artes – todavia afirmam que há excepções para a coisa escrita dizem que sendo um suporte do verbal teremos neces- sariamente de responder com o verbal será que isso significa – paira nas suas mentes – que a linguagem e a imagem são meios cativos da sua especificidade – não são – entrementes os membros da velha “ordem” desafiam as estéticas alheias e perguntam – alguém pode escrever para não “comunicar” a resposta é um enorme nós é um argumento nosso apreender e experimentar outras linguagens afinar os sentidos através delas (linguagens) usá-las como simples meio para disparar sobre o fim esse é o seu uso o desejado pensamos nós e artistas há que tentam justificar essas experiências as da “não-comunicação” como uma forma de alienação como um discurso burguês “vazio” não como  uma  linguagem vivida a que ultrapassa qualquer exercício ou uma linguagem não realizada tais argumentações limitam não só a  coisa –  mas  a liberdade e espontaneidade de quem está no terreno não iluminam os espaços perante tal constatação para eles agreste respondem apenas e invariavelmente – não entendo
ou

 

ou isto ou aquilo ou nem isto nem sequer aquilo ou um guer- reiro no vazio cósmico encharcado em água de bruxas deferindo despachos de subvenção contemplando actos criativos o importante é prestar atenção a quem está por trás da cortina a manipular a coisa ou coisas ou simplesmente escrever comentários numa rede social e a arranhar o entre-espaço dos quadros de celulóide do último filme afinal a linguagem é em primeiro lugar uma questão política e uma vez escrita esta frase com uma caneta de tinteiro (permanente) não fará mais sentido qualquer outra uma vez que a cultura da destruição pode e deve sempre provocar danos nas chuvas transversais como diria um poeta do nosso burgo o objectivo nestas coisas é o agitar de mãos como desenharia um qualquer futurista italiano ou até russo num pedaço de papel para depois usar a imagem resultante na produção de janelas de bairros sociais ou e também escrever um belo romance sobre romãs podendo ou não trocar fotos de andorinhas a recitar manifestos comunistas muitos usam também pregos para pendurar pala- vras ou máquinas de costura e até um qualquer guarda-chuva em actividade considerada ilegal

porquê o “lixo é um luxo” nota a propósito e despropósito para o leitor menos atento

a questão aqui prende-se ao ritmo não mais que isso depois de jantar disparava sobre a máquina de escrever – era antiga e pesada – que repousava sobre a mesa da cozinha digitava ou escrevia furiosamente – uma escrita doce e quase automática

– até à hora de ir para a cama mais tarde o escrever passou  a rito nocturno – até que chegasse o dia – mas ultimamente escrevo em cadernos por longos períodos sobretudo quando viajo de comboio se isso te aborrece dirige-te ao frigorifico   e soletra todos os poemas da secção de congelados e volta    a encher o espaço com os comestíveis e bebidas correspondentes em alternativa poderás humanizar as partes que estão livres com coisas tuas os escritos devem consistir em nada um grande nada ou nada mais que sinais de pontuação (sempre em falta como terás verificado) e isto apenas para provar que existem poemas líricos e bolas de neve no deserto nada mais a assinalar para além de sugerir que imagines um amontoado de livros encontrados por acaso no fundo do refrigerador

nota final e importante – nunca te sirvas do micro-ondas

crocodarium editora apresenta-vos o kaos

queremos uma acção em que o corpo se exprima livremente e conquiste espaços de actuação que, no seu todo, possam vir a reflectir a dinâmica de um objecto estético em movimento
(sem história e sem estórias)

DA DESTRUIÇÃO

“A paixão pela destruição é uma paixão criativa”
in: “Estado e Anarquia” de Mikhail Bakunine

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a cultura e seus rituaisde absorção, de apropriação e de todos os impulsos críticos que podem interferir com o nosso quotidiano de miséria.

experimentemos a destruição…

destruir é, com efeito, um acto poético – um verdadeiro acto de criação – e há que devolver à arte o seu papel;
o da criatividade e da espontaneidade.

os nossos impulsos mais destrutivos e agressivos podem, até devem, ser base de (ou canalizados para) acções e experiências poéticas/dramáticas/pictóricas/sonoras – e ao “domar” essas forças maravilhosas e suas incríveis possibilidades contribuímos
cada vez mais
cada vez mais
cada vez mais
cada vez mais
para uma arte que será – sempre e como deve – efémera.

será um empurrar a arte para fora dessa passividade doméstica – esse apêndice apelidado de “cultural” agrilhoado a um sistema mercantil vazio.
completamente vazio.

a arte não é, não pode ser, um cartaz político. a arte é, isso sim, um acto espontaneísta
parte integrante do próprio processo de criação.

a defesa de uma estética destrutiva – desejada – pode ser o símbolo.

a destruição por mais subtil (ou mesmo extrema) desempenha um papel dominante no nosso quotidiano;
violenta-nos, é a razão de nossas dores, nossas úlceras, nossos assassinatos, nossos suicídios…
o rito – aqui – é, tão só, o ofertar o resultado das nossas destruições num grande cerimonial estético – e seremos nós mesmos resgatados
ao colapso “civilizacional”.

destruição

o espiritual tem sido historicamente objectivo e  território da arte.
as religiões usam e abusam da arte para se aproximarem do terreno
a arte deve fazer crescer o espectador ou pelo menos recordar coisas para além do visual e do terreno.

 

ACÇÃO ISOLADA I – sala de recepção com objectos vários. o público é convidado ao acto destrutivo – roupas, revistas, jornais, televisões, aparelhos de rádio e outros símbolos identificadores do consumismo instituído deverão ser alvos de pesquisa, manipulação e consequente destruição por parte dos intervenientes > um público activo e disponível para actuar de forma eficaz no acto (espontâneo). o resultado da acção é, de facto, poético. um grande acto poético (caótico) feito por todos.

ACÇÃO ISOLADA II – projecções audio-visuais do antes e do depois da intervenção. de máquinas em funcionamento (máquina de lavar roupa que “vomita” ondas de espuma vermelha (sangue), máquinas manuais de costura a actuar sobre largas tiras de tecido, betoneiras a derramar “massa” de cimento, montes de jornais e revistas em chamas, estendais de roupa sobre os quais personagens actuam com fogo, tintas, objectos cortantes, etc.).

esta acção privilegia, portanto, experiências no campo da “arte-destruição” multi-dimensional e, porque não, multi-sensual onde nos apercebemos dos nossos impulsos destrutivos e agressivos através de acções em arquivo ou captadas no momento da acção I

ACÇÃO FINAL – os espectadores – actuantes das duas acções anteriores são encaminhados para um segundo espaço.

espaço vazio – apenas sete painéis ou panos/papeis brancos nas paredes;

som – sons vários resultantes de gravações captadas no quotidiano (transito, máquinas várias, vozes imperceptíveis, comboios, gritos, grupos de adeptos desportivos, etc.);

equipamento – câmera de vídeo, projector, stroblight, aparelhagem sonora, projectores ou boa iluminação

destruição

 ACTO PRIMEIRO (da dimensão pictórica do corpo e não só) – quando os espectadores entram no espaço, apenas estarão presentes um “performer” e um operador de câmera. o performer deverá estar nu. entrará uma terceira figura com recipientes que deverão conter tinta (de uma ou mais cores) – despeja-os sobre o corpo do performer.

a terceira figura mantém-se no espaço > senta-se e, de um saco, retira um espelho e maquilhagem. inicia o seu ritual – o da pintura do rosto. após isso, levanta-se e sai. regressa com um alguidar e um balde de água. volta a sair, depois de pousar os adereços no palco. regressa com um banco (ou cadeira). deita a água no alguidar, descalça-se e senta-se. mergulha os pés no recipiente. constrói um barco de papel e coloca-o na água. passados alguns minutos de contemplação, destruirá o barco com os pés – num acto de raiva.

a captação da actividade da figura feminina (derrame da(s) tinta(s) e destruição do barco de papel) é fundamental – a câmera deverá estar ligada ao projector de vídeo de forma a que o acto possa ser visto (outro ângulo) numa das paredes da sala – no caso de haver mais projectores, seria interessante contemplar mais de uma das paredes – início do movimento

ACTO SEGUNDO (a dimensão pictórica do espaço – o corpo impresso no espaço) – o performer movimenta-se, de forma rítmica, ao encontro dos sete  painéis fixos na parede e, sobre eles, imprime o seu corpo coberto pelos pigmentos de cor (de frente, de costas, lateral esquerdo e direito, mãos, pés…) – início de movimentos vertiginosos 

ACTO TERCEIRO (a dimensão rítmica no espaço – a luz) – a máquina de lavar roupa jorra espuma vermelha (sangue), os braços agitados do performer iniciam um ritmo cada vez mais desesperado, os participantes tornaram-se parte da respiração… o batimento cardíaco será cada vez mais forte – como se tudo tivesse penetrado o cérebro. explosões, esmagamento de pequenos objetos lançados no chão, cheiro a incenso, luz intermitente dos stroblight, velas distribuídas aos espectadores, cheiros vários numa mescla (explosiva)…

os participantes mais uma vez se tornam espectadores e a destruição afirma-se como uma sublime realidade – serve as tradições humanistas fundamentais.

A Cidade de Palaguin

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Na cidade de Palaguin
o dinheiro corrente era olhos de crianças.
Em todas as ruas havia um bordel
e uma multidão de prostitutas
frequentava aos grupos casas de chá.
Havia dramas e histórias de era uma vez
havia hospitais repletos:
o pus escorria da porta para as valetas.
Havia janelas nunca abertas
e prisões descomunais sem portas.
Havia gente de bem a vagabundear
com a barba crescida.
Havia cães enormes e famélicos
a devorar mortos insepultos e voantes.
Havia três agências funerárias
em todos os locais de turismo da cidade.
Havia gente a beber sofregamente
a água dos esgotos e das poças.
Havia um corpo de bombeiros
que lançava nas chamas gasolina.

Na cidade de Palaguin
havia crianças sem braços e desnudas
brincando em parques de pântanos e abismos.
Havia ardinas a anunciar
a falência do jornal que vendiam;
havia cinemas: o preço de entrada
era o sexo dum adolescente
(as mães cortavam o sexo dos filhos
para verem cinema).
Havia um trust bem organizado
para a exploração do homossexualismo.
Havia leiteiros que ao alvorecer
distribuíam sangue quente ao domicílio.
Havia pobres a aceitar como esmola
sacos de ouro de trezentos e dois quilos.
E havia ricos pelos passeios
implorando misericórdia e chicotadas.

Na cidade de Palagüin
havia bêbados emborcando ácidos
retorcendo-se em espasmos na valeta.
Havia gatos sedentos
a sugar leite nos seios das virgens.
Havia uma banda de música
que dava concertos com metralhadoras;
havia velhas suicidas
que se lançavam das paredes para o meio da multidão.
Havia balneários públicos
com duches de vitríolo – quente e frio
– a população banhava-se frequentes vezes.

Na cidade de Palaguin
havia Havia HAVIA…

Três vezes nove um milhão.

__________

Carlos Eurico da Costa, in ‘A Cidade de Palaguin’

Irei descer Voltarei aos altares

aaa-demo

O tempo chegou – desceremos através da Espiral – a dos Tempos.

O ponto central da espiral, é também a do abismo – do Conhecimento.

O abismo é o caminho que os Adeptos almejam alcançar (deverão passar) – a Grande Cidade das Pirâmides.

Adentrando-nos nesse reino infernal e, caminhando em espiral, poderemos alcançar a capital do reino – para alguns, Infernal.

E esse reino representa (pode representar) a total reestruturação do sistema.

Para tal é necessário que superes as dualidades e te tornes um Mestre.

O Mito da descida, é o caminho. Aquele em que todos, no seu percurso, rumam ao interior do grande ciclo e, logicamente, iniciarão (tomarão em suas mãos) o outro.

São muitos os que nos seguirão.

Está escrito, nos muitos Livros e tal pensamento, patente nas muitas culturas: – uma nova Era surgirá!

Os calendários estão mortos.

Outros serão adoptados.

Outros.

Estruturados noutras frequências. Noutros ritmos.

Os dos Tempo.

Os que provocarão uma outra ordem mental. A que nos convidará seguir a harmonia:

– A da natureza

– A da mente

– A dos ciclos (solar – lunar)…

Reordenaremos a nossa mente.

Valorizaremos o fluxo do calendário lunar, sua tradição iniciática.

Somos os filhos das “bruxas” e “magos” que a cristandade não conseguiu queimar nas suas fogueiras.

Estamos vivos e reivindicamos o regresso da “Grande Roda do Ano” com seus sabat e festividades lunares.

Reivindicamos as práticas da Bruxaria tradicional. A grande FESTA. Uma sociedade humanizada onde a criatividade e a liberdade são a grande chave.

Reivindicamos a absoluta liberdade. A liberdade é una. É um todo.

A liberdade é! – a “liberdade parcelar” não o é!

A liberdade e a criatividade irrompem. Espontaneamente.

Não há (não pode haver) “parcelas” de liberdade.

Há, tão só Liberdade.

É a Liberdade que desejamos. Que reivindicamos.

Quando as estrelas estiverem alinhadas eles voltarão para destruir o mundo. Os “Antigos” transportam consigo os nomes esquecidos e trarão, de novo, os poderes negados ou adormecidos.

Os poderes que residem no nosso interior – os quais não damos conta

Eles voltarão aos altares.

E Eles destruirão os altares.

A liberdade será reconquistada aos tiranos – A Grande Árvore será o nosso trono

marques de sade O marido padre

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O marido padre – Conto provençal

Entre  a cidade  de Menerbe, no condado  de Avinhão, e a de Apt, em Provença,  há um pequeno  convento  de carmelitas isolado,  denominado Saint-Hilaire,  assente  no cimo   de uma montanha onde até mesmo às cabras é difícil o pasto; esse pequeno sítio é aproximadamente como a cloaca de todas as comunidades vizinhas  aos carmelitas; ali, cada uma delas relega o que a desonra, de onde não é difícil inferir quão puro deve ser o grupo de pessoas que frequenta essa casa. Bêbados, devassos, sodomitas, jogadores; são esses, mais ou menos, os nobres integrantes desse grupo, reclusos que, nesse asilo escandaloso, o quanto podem ofertam a Deus almas que o mundo rejeita. Perto dali, um ou dois  castelos e o burgo de Menerbe, o qual se acha apenas a uma légua de Saint-Hilaire – eis  todo o mundo desses bons religiosos que, malgrado  sua batina e condição, estão, entretanto, longe de encontrar abertas  todas as  portas de quantos estão à sua volta.

Havia muito o padre  Gabriel,  um dos santos desse eremitério, cobiçava certa mulher de Menerbe, cujo marido,  um rematado corno, chamava-se Rodin. A mulher  dele era  uma moreninha, de vinte e oito  anos, olhar leviano e nádegas roliças, a qual parecia constituir em todos os aspectos lauto banquete para um monge. No que tange ao sr. Rodin, este era homem bom, aumentando o seu património sem dizer nada a ninguém: havia sido   negociante de panos, magistrado, e era, pois, o que se poderia chamar um burguês honesto;  contudo, não muito  seguro das virtudes de sua cara-metade, era ele sagaz o bastante para  saber que o verdadeiro modo de se opor às enormes protuberâncias que ornam a cabeça de um marido é dar mostras de não desconfiar de os estar usando; estudara para tornar-se padre,   falava latim como Cícero, e jogava bem amiúde o jogo de damas com o padre Gabriel que,   cortejador astuto e amável, sabia que é preciso  adular  um pouco o marido  de cuja  mulher  se deseja possuir. Era um verdadeiro modelo dos filhos de Elias, esse padre Gabriel: dir-se-ia que toda a raça humana podia tranquilamente contar com ele para multiplicar-se; um legítimo fazedor de filhos, espadaúdo, cintura de uma alna(1), rosto perverso e trigueiro, sobrancelhas como as de Júpiter, tendo seis pés de altura  e aquilo que é a característica principal de um carmelita, feito, conforme se diz, segundo os moldes dos mais belos jumentos da província. A que mulher um libertino assim não haveria de agradar soberbamente? Desse modo, esse homem se prestava de maneira extraordinária aos  propósitos da sra. Rodin,  que  estava muito longe de encontrar tão sublimes qualidades no  bom senhor que  os pais lhe haviam dado por esposo. Conforme já dissemos, o sr. Rodin   parecia  fazer  vistas grossas  a  tudo,  sem ser, por isso, menos ciumento, nada dizendo, mas ficando por ali, e fazendo isso nas diversas vezes em que o queriam bem longe. Entretanto, a ocasião era boa. A ingénua Rodin simplesmente havia dito a seu amante que apenas  aguardava o momento para corresponder aos desejos que lhe pareciam fortes demais para  que continuasse a opor-lhe resistência, e padre Gabriel, por seu turno, fizera com que a sra. Rodin percebesse que ele estava pronto a satisfazê-la…  Além disso, num breve momento  em que Rodin fora obrigado a sair, Gabriel mostrara  à sua encantadora  amante uma dessas   coisas que fazem com que uma mulher se decida, por mais que hesite… só faltava, portanto, a ocasião.

Num dia em que  Rodin saiu para almoçar com seu amigo de Saint-Hilaire, com  a ideia de o convidar para uma caçada, e depois de ter esvaziado algumas garrafas de vinho  de Lanerte, Gabriel  imaginou  encontrar na circunstância o instante propício à realização  dos seus desejos.

– Oh, por Deus, senhor magistrado, – diz o monge ao amigo – como estou contente de vos ver hoje! Não  poderíeis ter vindo num momento mais oportuno do que este; ando às voltas com um caso da maior importância, no qual  haveríeis de ser a mim de serventia sem par.

– Do que se trata, padre?

– Conheceis Renoult, de nossa cidade.

– Renoult, o chapeleiro.

– Precisamente.

– E então?

– Pois bem, esse patife me deve cem céus (2), e acabo de saber que ele se acha às portas da falência; talvez agora, enquanto vos falo, ele já tenha abandonado o  Condado…   preciso muitíssimo correr até lá, mas não posso fazê-lo.

– O  que vos impede?

– Minha missa, por Deus! A missa que devo celebrar; antes a missa fosse para o diabo, e os cem écus voltassem para o meu bolso.

– Não compreendo: não vos podem fazer um favor?

– Oh, na verdade sim, um favor! Somos três aqui; se  não celebrarmos todos os dias três missas, o superior, que nunca as celebra, nos denunciaria a Roma; mas existe um meio de me ajudardes, meu caro; vede se podeis fazê-lo; só depende de vós.

– Por Deus! De bom grado! Do que  se  trata?

– Estou sozinho aqui com o sacristão; as duas  primeiras missas foram celebradas, nossos monges já saíram, ninguém suspeitará do ardil; os fiéis serão poucos, alguns camponeses, e quando muito, talvez, essa  senhorinha tão devota que mora no castelo de… a meia légua daqui; criatura angélica que, à força da austeridade, julga poder reparar todas as estroinices do marido; creio que me dissestes que estudastes para ser padre.

– Certamente.

– Pois bem, deveis ter aprendido a rezar a missa.

– Faço-o como um arcebispo.

– Ó meu caro e bom amigo! – prossegue Gabriel lançando-se ao pescoço de Rodin – são dez horas agora; por Deus, vesti meu hábito, esperai soar a décima primeira  hora; então celebrai a missa, suplico-vos; nosso irmão sacristão é um bom diabo, e nunca nos trairá; àqueles que julgarem não me reconhecer, dir-lhes-emos que é um novo monge, quanto aos outros, os deixaremos em erro; correrei ao encontro de Renoult, esse velhaco, darei cabo  dele ou recuperarei meu dinheiro, estando de volta em duas horas. O senhor me aguardará, ordenará que grelhem os linguados, preparem os ovos e busquem o vinho; na volta, almoçaremos, e a caça… sim, meu amigo, a caça creio que  há de ser boa dessa vez: segundo se disse, viu-se pelas redondezas um animal de chifres, por Deus! Quero que o agarremos, ainda que tenhamos de nos defender de vinte processos do senhor da região!

– Vosso  plano é bom – diz Rodin – e, para vos fazer um favor, não há, decerto, nada que eu não faça; contudo, não haveria pecado nisso?

– Quanto a pecados, meu amigo, nada direi; haveria algum, talvez, em executar-se mal a coisa; porém, ao fazer isso sem que se esteja  investido de poderes  para tanto, tudo o que dissentes e nada são a mesma coisa. Acreditai em mim; sou casuísta, não há em tal conduta o que se possa chamar pecado  venial.

– Mas seria  preciso repetir a liturgia?

– E como não? Essas palavras são virtuosas apenas em nossa boca, mas também esta é virtuosa em nós… reparai, meu amigo, que se eu pronunciasse tais palavras deitado em cima de vossa mulher, ainda assim eu havia de metamorfosear em deus o templo onde sacrificais… Não, não, meu caro; só nós possuímos  a virtude da transubstanciação; pronunciaríeis vinte mil vezes  as palavras, e nunca faríeis descer algo dos céus; ademais, bem amiúde connosco a cerimónia fracassa por completo; e, aqui, é a fé que faz tudo; com  um pouco de fé transportaríamos montanhas, vós sabeis, Jesus Cristo o disse, mas quem não tem  fé nada  faz… eu,  por exemplo, se nas vezes  em que  realizo a cerimónia penso mais nas moças ou nas mulheres da assembléia do que no diabo dessa folha de pão que revolvo em meus dedos, acreditais que faço algo acontecer? Seria mais fácil eu crer no Alcorão que enfiar isso na minha cabeça. Vossa missa será, portanto, quase tão boa quanto a minha; assim, meu caro, agi sem escrúpulo, e, sobretudo, tende coragem.

– Pelos céus, – diz Rodin – é que  tenho uma fome devoradora! Ainda  faltam duas  horas para o almoço!

– E o que  vos impede de comer um pouco? Aqui tendes alguma coisa.

– E a tal missa que é preciso celebrar?

– Por Deus! O que há de mal nisso? Acreditais que  Deus se há de macular mais caindo numa barriga cheia em vez de numa vazia? O  diabo me carregue se  não é a mesma coisa a comida estar em cima ou embaixo!  Meu caro, se eu dissesse em Roma todas as vezes que almoço antes de celebrar minha missa, passaria minha vida na estrada. Além disso, não sois padre, nossas regras não vos podem constranger; ireis  tão-somente dar certa imagem da missa, não ireis celebrá-la; consequentemente, podereis fazer tudo o que quiserdes antes ou depois, inclusive beijar vossa mulher, caso ela aqui estivesse; não se trata de agir como eu; não é celebrar, nem consumar o sacrifício.

– Prossigamos – diz Rodin – hei de fazê-lo, Podeis ficar tranquilo.

– Bem – diz Gabriel, dando uma escapadela, depois de fazer boas  recomendações do amigo ao sacristão… – contai comigo, meu caro; antes de duas horas estarei aqui  – e, satisfeito, o monge vai embora.

Não é difícil imaginar que ele chega apressado à casa da mulher do magistrado; que ela se admira de vê-lo, julgando-o em companhia de seu marido; que ela lhe pergunta a razão  de visita  tão imprevista.

– Apressemo-nos, minha cara – diz o monge, esbaforido – apressemo-nos!  Temos para nós apenas  um instante… um copo de vinho, e mãos à obra!

– Mas, e quanto a meu marido?

– Ele celebra a missa.

– Celebra a missa?

– Pelo sangue de Cristo, sim, mimosa – responde o carmelita, atirando a sra. Rodin ao leito – sim, alma pura, fiz de seu marido um padre, e, enquanto o farsante celebra um mistério divino, apressemo-nos em levar a cabo um profano… O monge era vigoroso; a uma mulher, era difícil opor-se-lhe quando ele a agarrava: suas razões, por sinal, eram tão convincentes… ele se põe a persuadir a sra. Rodin, e, não se cansando de fazê-lo a uma jovem lasciva de vinte e oito anos, com um temperamento típico da gente de Provença, repete algumas vezes suas demonstrações.

– Mas, meu anjo – diz, enfim, a beldade, perfeitamente persuadida – sabeis  que se esgota o tempo… devemos nos separar: se nossos prazeres devem durar apenas o tempo de uma missa, talvez ele já esteja há muito no ite missa  est.

– Não, não, minha querida – diz o carmelita, apresentando outro argumento à sra. Rodin – deixai estar, meu coração, temos todo o tempo do mundo! Uma vez mais, minha cara amiga, uma vez mais! Esses noviços  não vão  tão rápido quanto nós… uma vez mais, vos peço! Apostaria que o corno ainda não ergueu a hóstia consagrada. Todavia, mister foi que se despedissem, não sem promessas de se reverem; tracejaram novos ardis, e Gabriel foi encontrar-se com  Rodin;  este havia celebrado a missa tão bem quanto um bispo.

– Apenas o quod aures – diz ele – embaraçou-me um pouco; eu queria comer em vez de beber, mas o sacristão fez com que eu me recompusesse; e quanto aos cem écus, padre?

– Recuperei-os, meu filho; o patife quis resistir, peguei de um forcado, dei-lhe umas pauladas, juro-vos, na cabeça e noutras partes.

Entretanto, a diversão termina; nossos dois  amigos vão à caça e, ao regressar, Rodin conta à sua mulher o favor que prestou a Gabriel.

– Celebrei a missa – dizia o grande tolo, rindo com todas as forças – sim, pelo corpo de Cristo! Eu celebrava a missa como um verdadeiro vigário, enquanto nosso  amigo media as espáduas de Renoult com um forcado…  Ele  dava  com  a vara; que dizeis disso,  minha vida? Colocava galhos na fronte; ah! boa e querida mãezinha! como essa história é engraçada, e como os cornos me fazem rir! E vós, minha amiga, o que fazíeis enquanto eu celebrava a missa?

– Ah! meu amigo – responde a mulher – parecia inspiração dos céus! Observai de que modo nos ocupavam de todo, a um e a outro, as coisas do céu, sem que disso suspeitássemos; enquanto celebráveis a missa, eu entoava essa bela oração que a Virgem dirige a Gabriel quando este fora anunciar-lhe que ela ficaria grávida pela intervenção do  Espírito Santo. Assim seja, meu amigo! Seremos salvos, com toda certeza, enquanto ações   tão boas nos ocuparem a ambos ao mesmo tempo.

_______

(1) Antiga medida de comprimento de três palmos

(2) Antiga moeda francesa.

Conan era illuminati

Illuminati? conspiração?…

quê?…
Onde Estão Os Illuminati?

em todos os cantos!
devemos, mesmo, desconfiar de tudo
e
de todos
isso!…

a paranóia é o melhor de todos os instintos

Conan-the-Barbarian

Os Illuminati conspiram
detêm o mundo. todo.
comandam as programações
da TV
da rádio
do espectáculo
e…
etc
estão no tratamento das águas
na manutenção eléctrica
e
nas obras de saneamento…
estão, mesmo, em toda a parte.

será que tu (que estás a ler isto) és, também um illuminado?

Os seres mais influentes estão subordinados aos Illuminati – são “testas de ferro” das organizações ditas Illuminadas.
formam e integram vários grupos – a Mesa (que pretende dominar o mundo), a Network (que quer o controle do ciberespaço), a Irmandade da Luz (que quer destruir todos os Illuminati)…
pois

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ELES subordinam à sua vontade grandes companhias como as IBM, apple, microsoft (controladas pela Network), a CIA e a velha KGB (controladas pela Mesa) e a Greenpeace (que não passa de uma facção da Irmandade da Luz).
Os Illuminati mandam e desmandam
em tudo e em todos.
Os Illuminati querem o mundo
e
o seu único obstáculo são os seus inimigos.
precisamente.
os seus inimigos são os Illuminati.

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claro.
tudo não passa
de teoria
de conspiração
de especulação

claro
tudo pode ser
e
não o ser
pode
e
não pode

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Afinal…
quem sabe alguma coisa – mesmo – sobre os Illuminati?

sejam bem vindos ao mundo – tal como o é.

estejamos, portanto, calmos e lancemos a palavra.
e…
a palavra é: <FNORD> <FNORD> <FNORD>
porque <FNORD> <FNORD>
ou mesmo <FNORD>
é… possivelmente <FNORD>
daí que <FNORD>
no caso de <FNORD> <FNORD> <FNORD>
é tão só <FNORD>.

então <FNORD> <FNORD> <FNORD>
e <FNORD> <FNORD>
é tão só <FNORD>
e <FNORD>
mente e se desmente ao pronunciar bem alto <FNORD> .

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Obrigado FNORD

Intrigante?…
nem por isso. uma vez que FNORD é a palavra que resume tudo. não só o cosmos como qualquer banalidade.
e o cosmos não passa de uma banalidade.
com efeito tudo o é.
e sendo…

Tudo o é – também – para os Illuminati.

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quê?…
Onde Estão Os Illuminati?

em todos os cantos!
devemos, mesmo, desconfiar de tudo
e
de todos
isso!…

a paranóia é o melhor de todos os instintos

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origem dos Illuminati

é facto
não se sabe exactamente.
não se sabe do quando
ou, mesmo, do onde.
ou seja: ninguém sabe ao certo quando surgiram
será que já existiam Illuminati influenciando os velhos Faraós do Egipto?
havia já Illuminati
na Idade Média
na Renascença?…

há, porém, que não confundir Iluminismo com Illuminati.
e porque não? confundir pode ser, também, perigoso.
e
o perigo é importante. uma vez que sem perigo, a conspiração jamais terá o sucesso desejável.
mas… há uma hipótese (um quase facto) de que os Illuminati nasceram há vinte mil anos, quando Kull governava a cidade de Valusia, na Atlândida.
e, tendo em conta tal hipótese…

Conan foi um destacado Illuminati.

viva Conan “o bárbaro”

>>>> continuará