nota 2 a dos deuses e das sombras

afrodite e adónis

1º – EXPLICAÇÃO

UMADÓNIS

adónis é | um | um torso | no louvre | e | o louvre é em paris | e | o torso é romano | o torso é de adónis | e | adónis | o torso de adónis romano | está patente no museu | no do | do louvre | em frança | adónis é um mito | um mito | um | fenício | e | um mito | um | grego | então adónis encheu as páginas dos jornais | os jornais | os dos jornais | e | os | nos diziam que | que adónis | era um jovem | um | jovem | um | efebo | de grande | de enorme | beleza | adónis | e | a sua beleza | a beleza de adónis | nasceu | nasceu por via | por | de relações | de incesto | de relações de | incestuosas | relações | relações que | e | que | que o rei cíniras de chipre manteve com a sua filha mirra | e | mirra gerou adónis | e | adónis era fenício | e | também | grego | adónis é mesmo | em absoluto | em absoluto | e |mesmo | um mito | e o mito de adónis envolve outras figuras | adónis está envolvido com vénus | adónis envolveu-se com perséfone | adónis  | enfim | amava afrodite | afrodite amava adónis | e | perséfone amava adónis | que amava afrodite | e | afrodite disputava adónis | e | adónis era disputado por afrodite | e | afrodite era a favorita de adónis | e | ainda menino | adónis despertou a paixão de afrodite | e | perséfone | e tiveram | tiveram de se | tiveram de se submeter | tiveram que submeter-se | à | à sentença de zeus | e zeus | zeus | este | zeus estipulou | estipulou que | que ele | ele é | é adónis | e | adónis passaria | passaria por um terço | por um terço do ano com cada uma delas | mas adónis | adónis que | que preferia afrodite | permanecia | permanecia com ela | com afrodite | com a deusa afrodite | o terço restante | e | daí o mito | nasce do mito | o ciclo | o anual ciclo | o | o da vegetação | o | o mito da | o mito duma | e | das | das sementes | as que permanecem sob a terra por | por precisamente | quatro meses

um ponto umadónis e as deusas

a deusa grega afrodite | deusa grega | do amor | e | deusa | e | grega | e | da beleza  | apaixonou-se por ele | por adónis | e | o deus | o ares | o da guerra | o deus amante da deusa | de Afrodite | sentiu-se | sentiu a | a traição | a traição da deusa | e | decide atacar | atacou adónis | com | com um | com um javali | e | o javali | o javali matou | matou adónis | um golpe | um fatal | um fatal golpe | na | na anca | a anca | a de | de adónis | e | o sangue | o que | o que jorrou | se | se transformou | se virou | se viu numa anémona
oh…!
oh..!
oh.!
oh!
e
afrodite | a que | a que corria | por entre | por selvas | para | para socorrer | o | o seu amante | feriu-se | e ao ferir | ao ferir-se | o sangue | o que lhe | o que escorria das feridas tingiu todas as rosas brancas

de vermelho

versão outra | versão do mito conta | e | conta que a deusa | a afrodite | transmudou | transformou | o | o sangue | o sangue de | do | adónis numa anémona

 

o
o jovem
o já morto
adónis desceu
ao submundo o de
hades e de perséfone
e perséfone apaixonou-se
por ele pelo jovem pelo adónis
o que causou um grande desgosto a
afrodite e as duas deusas tornam-se rivais

nem mais

hades e perséfone

um ponto doisjá no hades

já | já lá | já no hades | e | no | no início | mesmo no início | digamos | inicialmente | perséfone | compadecida que | que estava | pelo sofrimento de | de afrodite | prometeu | e | prometeu | mesmo | restituí-lo | mas com | com uma condição | e | a condição era | adónis | o lindo jovem | jovem e belo | belo morto | como gostam os deuses | o jovem passaria | passaria seis meses | seis meses no submundo | com perséfone | com | com ela | e | outros seis meses | seis | na terra | com | com afrodite | e o acordo | esse acordo | foi desrespeitado | o que | causou | o que provocou | mesmo | nova discussão entre as duas deusas

que
que só
terminou
com zeus que
determina mesmo
que adónis seria livre
livre quatro meses no ano
passaria quatro com afrodite
os restantes quatro com perséfone

um ponto doisa divindade

adónis | adónis tornou-se | adónis tornou-se símbolo | o símbolo da vegetação | o que morre no inverno

desce ao submundo e junta-se a perséfone
e
regressa à terra na primavera

para se juntar a afrodite

1º reparo – adónis tornou-se uma sombra porque a alma dos deuses são sombras e imortais
a alma dos humanos morre
o corpo
esse…
não morre. transforma -se

2º reparo – os deuses são sombras. não morrem e… adónis é a sombra oriental da vegetação
divindade ctónica (por excelência)
o que cumpre o ciclo da semente
ainda que seja mais conhecido como divindade grega… adónis é, todavia, de origem síria – ele é tamuz – o deus eternamente jovem. o que morre jovem para tornar o panteão dos deuses ainda mais belo

adónis
o da vida
e
o da morte

está associado ao calendário agrícola. adónis terá origem semítica – adonai – meu senhor
ele é a encarnação do grande sincretismo religioso produzido pelos gregos

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clown f. – fellini

O clown é como a sombra

Tenho sob os olhos, entre outras muitas coisas, uma definição do clown feita por meu conterrâneo Alfredo Panzini, no Dicionário Moderno:
“CLOWN – palavra inglesa (pronuncia-se cláun) que quer dizer rústico, rude, torpe, indicando depois quem com artificiosa torpeza faz o público rir.  É o nosso palhaço.”
Mas também aqui existe a mesma miserável diferença do termo estrangeiro que enobrece a coisa. O palhaço é mais de feira e praça, o clown, de circo e palco. Um bom acrobata é um clown, isto é, quase um artista, e julgará imprópria e ofensiva a expressão palhaço. Mas clown designa também o palhaço. O próprio Carducci, defensor do vernáculo, nas prosas polemicas de Confessioni e Bataglie, capítulo Ça ira, não desdenha a palavra.
Neste tempos de nacionalismo, que direi eu?  Bem, o clown encarna os traços da criatura fantástica, que exprime o lado irracional do homem, a parte do instinto, o rebelde a contestar a ordem superior que há em cada um de nós.
É uma caricatura do homem como animal e criança, como enganado e enganador.  É um espelho em que o homem se reflecte de maneira grotesca, deformada, e vê a sua imagem torpe. É a sombra.
O clown sempre existirá.  Pois está fora de cogitação indagar se a sombra morreu, se a sombra morre.
Para que ela morra, o sol tem de estar a pique sobre a cabeça. A sombra desaparece e o homem, inteiramente iluminado, perde seus lados caricaturais, grotescos, disformes. Diante duma criatura tão realizada, o clown, entendido no aspecto disforme, perderia a razão de existir. O clown, é evidente, não teria sumido, apenas seria assimilado. Noutras palavras, o irracional, o infantil, o instintivo já não seriam vistos com o olhar deformado que os torna informes.
Por acaso São Francisco não se definiu, a si mesmo, como jogral de Deus?
Lao Tsé afirmava: “Quando produzas um pensamento, ri-te dele.”


O branco e o augusto

Quando digo o clown, penso no augusto. Com efeito, as duas figuras são o clown branco e o augusto.  O primeiro é a elegância, a graça, a harmonia, a inteligência, a lucidez, que se propõem de forma moralista, como as situações ideais, únicas, as divindades indiscutíveis.  Eis que em seguida surge o aspecto negativo da questão.  Pois dessa forma o clown branco se converte em Mãe, Pai, Professor, Artista, o Belo, em suma: -o que se deve fazer.
Então o augusto, que devia sucumbir ao encanto dessas perfeições, se não fossem ostentadas com tanto rigor, se rebela. Vê as lantejoulas cintilantes, mas a vaidade com que são apresentadas as torna inalcançáveis.  O augusto, que é a criança que faz “borrada”, se revolta ante tanta perfeição, se embebeda, rola no chão e na alma, numa rebeldia perpétua.
Essa é a luta entre o orgulhoso culto da razão, onde o estético é proposto de forma despótica, e o instinto, a liberdade do instinto.
O clown branco e o augusto são a professora e o menino, a mãe e o filho arteiro, e até se podia dizer que o anjo com a espada flamejante e o pecador. São, em suma, duas atitudes psicológicas do homem, o impulso para cima e o impulso para baixo, divididos, separados.
O filme [I Clowns] termina com as duas figuras que se encontram e desaparecem juntas. Porque nos comove essa situação? Porque as duas figuras encarnam um mito que está dentro de cada um de nós – a reconciliação dos opostos, a unidade do ser.
A dose de dor que existe na guerra contínua entre o clown branco e o augusto não se deve às músicas nem a nada parecido, mas ao facto de presenciarmos a algo que se liga à nossa própria incapacidade de conciliar as duas figuras. Com efeito, quanto mais procures obrigar o augusto a tocar violino, mais ele dará pequenos sopros com o trombone. O clown branco ainda pretenderá que o augusto seja elegante. Mas quanto mais autoritária seja essa intenção, mais o outro se mostrará mal e desajeitado.
É o apólogo de uma educação que procura reduzir a vida a situações ideais e abstractas. Mas Lao Tsé dizia com acerto:  Quando produzires um pensamento (= clown branco), ri-te dele (=clown augusto).


  Outra versão do par

Neste ponto, também podia citar a famosa antítese popular chinesa entre ying e yang, o frio e o sol, a fêmea e o macho, todos os possíveis contrastes. Podia-se falar de Hegel e da dialéctica, acrescentar que os augustos são, mais justamente, uma imagem subproletária do pátio dos milagres, com desnutridos, disformes, marginais, capazes talvez de revoltas, não de revoluções. É provável que o povo sempre os tenha tratado com confiança por causa de sua condição miserável, sentindo-se familiar ao abismo.
Os Fratellini foram os que introduziram um terceiro personagem, o “contre-pitre”, parecido ao augusto, mas que se aliava ao patrão. Era o vigarista de rua, o espião, bufo da polícia, o que permitem que se mova nas duas zonas, está a meio caminho da autoridade e do delito.
Com excepção de François Fratellini, que fazia um aéreo clown branco, cheio de graça e amabilidade, incapaz de usar o tom acre do gozo com o mais fraco, todos os clowns brancos eram homens muito duros.  Diz-se que Antonet, um afamado clown branco, fora de cena, nunca dirigiu a palavra a Beby – que era o seu augusto.  O personagem influenciava o homem e vice-versa. Uma das regras do jogo é que o clown branco tem de ser malvado. Ele dá bofetadas.
O augusto: – Tenho sede.
O clown branco: – Tem dinheiro?
O augusto: – Não.
O clown branco: – Então não tem sede.
Outra tendência do clown branco é explorar o augusto, não apenas como objecto de burla, mas como serviçal.  Neste ponto, é característico este início:  – Não tens que fazer nada, eu faço tudo.  – E o clown branco manda o augusto pegar as cadeiras, pondo-o sobre pressão.
O clown branco é um burguês, que de entrada procura surpreender com sua aparência de rico, poderoso, maravilhoso. O rosto é branco, espectral, franze as sobrancelhas, a boca é assinalada por um só traço, duro, antipático, frio, desigual. Os clowns brancos sempre competiram para ficar com o traje mais luxuoso na luta dos figurinos.  Célebre foi Theodore, que possuía uma roupa para cada dia do ano.
O augusto, pelo contrário, faz um tipo único que não muda nem pode mudar de roupa. É o mendigo, o menino, o esfarrapado…
A família burguesa é uma junta de clowns brancos, em que a criança se vê relegada à condição de augusto.  A mãe diz: Não faças isso, não faças aquilo…  Quando se convidam os vizinhos e se pede à criança que diga uma poesia – Mostra a esses senhores como…  – é uma típica situação de circo.


  Ser augusto é bom para a saúde

O clown branco assusta as crianças por representar o dever ou, empregando uma palavra na moda, a repressão.
A criança identifica-se logo com o augusto, na medida em que esse se parece com um patinho feio ou um cachorro e é maltratado, e por isso quebra os pratos, retorce-se no chão, atira baldes d’água ao rosto.  É o que a criança gostaria de fazer e os clowns brancos, os adultos, a mãe, a tia, impedem que o faça.
No circo, através do augusto, a criança pode imaginar que faz tudo o que está proibido, vestir-se de mulher, armar surpresas, gritarias, dizer em voz alta o que pensa.
Aqui ninguém te repreende. Pelo contrário, te aplaudem.

(…)

  A minha cidadezinha se transforma num toldo

A chegada do circo durante a noite, na primeira vez que o vi, ainda criança, teve o cunho de uma aparição.  Um mundo novo, não precedido por nada. Na noite anterior não existia e, na manhã seguinte, ali estava, diante da minha casa.
De saída, pensei tratar-se de um barco desproporcional. Logo a invasão, pois foi isso, uma invasão, estava ligada com algo de marinho, uma pequena tribo pirata.
Então, além do medo, o fascínio pelo clown, surgido desse clima marinho, foi definitivo.
Ao clown principal, Pierino, vi na pequena fonte, no dia seguinte à estreia.  Poder tocá-lo, ser ele!
Totó, seu irmão, era um clown branco pobre. Trabalhava com uma camisa, uma gravata e umas calças de ganga.
Fazer rir me pareceu algo extraordinário, uma sorte, um privilégio.
No espectáculo de domingo à tarde, sem o toldo, perto da cadeia, os presidiários gritavam atrás das grades.  Totó se dirigiu duas vezes a eles. Como um clown branco, fazia outros augustos infelizes.
Daquele momento em diante, minha cidade se transformou insensivelmente num grande toldo. Sob esse estavam os augustos, junto com o prefeito e o chefe fascista local vestidos de clowns brancos.
A insatisfação que os clowns brancos traziam, também se podia achar em figuras dementes da cidade, sobretudo os augustos, mais que os clowns brancos. Essas figuras eram lembradas em casa como bichos-papões. “Se não comes o espinafre, vais ficar como o Giudizio” – dizia minha mãe.
Giudizio era justamente um augusto de circo. Um capote militar cinco ou seis vezes maior que o corpo, sapatos de borracha branca até no inverno, uma manta de cavalo nos ombros. Mas possuía sua dignidade, como o mais esfarrapado dos palhaços. Fitava um Isotta Fraschini resplendente e, com uma bagana nos lábios presa por um alfinete, afirmava: “Nem de presente, ficaria com ele.”
Mas o clown branco, com seu encanto lunar, a elegância nocturna, espectral, lembrava a fria autoridade de algumas monjas directoras de asilos; ou a certos fascistas pretensiosos, com as brilhantes sedas negras, os alamares dourados, o rebenque (como a pazinha do clown), os capotões, o fez e os adornos militares, homens ainda jovens com os rostos pálidos dos capangas, dos noctívagos.

(…)

O jogo do clown branco e do augusto

O mundo, não só minha cidade, está povoado de clowns.
Quando estive em Paris para este filme, imaginei uma sequência, que depois não rodei, em que, andando de táxi, de tanto falar nos clowns, podia-se vê-los na rua. Velhas ridículas com chapéus absurdos, mulheres com sacolas de plástico na cabeça para se proteger da chuva, chapéus e casacos que encolheram, homens de negócios com pastas típicas e um bispo, de aspecto embalsamado, sentado num auto junto ao nosso.
Se me imagino um clown, creio que sou um augusto.  Mas também um clown branco ou, talvez, o director do circo. O médico de loucos que, por sua vez, enlouqueceu.
Continuemos a prova. Gadda era um belo augusto. Mas Piovene é um clown branco. Moravia, um augusto que desejaria ser branco. Melhor, é um Monsier Loyale, o diretor do circo, procurando conciliar as duas tendências para se manter num terreno objectivo, imparcial.  Pasolini é um clown branco do tipo engraçado e sabichão. Antonioni é um augusto desses silenciosos, murchos, tristes. Parise pode ser tudo, um augusto mendigo, sempre meio bêbado, e também um clown branco impertinente, acerado, misógino, dos que esbofeteiam o augusto sem mesmo lhe dar uma explicação.
Picasso? Um augusto triunfal, presunçoso, sem complexos, que sabe fazer tudo e no fim é quem vence o clown branco. Einstein, um augusto sonhador, encantado, que não fala, mas no último instante tira, cândido, do bolso a solução do enigma proposto pelo atilado clown branco. Visconti, um clown branco de grande autoridade, cujo faustoso traje impressiona. Hitler, um clown branco. Mussolini, um augusto. Pacelli, um clown branco. Roncalli, um augusto. Freud, um clown branco. Jung, um augusto.
O jogo é tão certo que, se te vês por acaso ante um clown branco, tendes a ser um augusto, e vice-versa.
O chefe de produção da minha fita era um clown branco. Assim, os outros convertíam-se em augustos.  Apenas a aparição de um clown branco mais ameaçador, o fascista, nos transformava também em clowns brancos, desde o momento em que lhe respondíamos, disciplinados, com a saudação romana.
Apenas a destrambelhada aparição de Giovannone, o augusto que assustava as camponesas mostrando-lhes o membro como uma lebre morta, surpreso de conviver com esse inquilino que aceitava, nos mudava em clowns brancos quando lhe dizíamos: “Mas o que estás a fazer, Giovannone?”
Até na missa essa relação tinha lugar.  Acontecia entre o sacerdote e alguns sacristães, que andavam entre os bancos da igreja interrompendo o rito, com olhos apagados e alcoolizados, a pedir esmola.

(1)  Este texto é um excerto do comentário que fez Fellini a seu filme I Clowns, feito para a televisão em 1970.

  In “Fellini por Fellini”, L&PM Editores Ltda., Porto Alegre, 1974, págs. 1-7.  Tradução de Paulo Hecker Filho.
 
Fonte:  Grupo Tempo

nota no circo

 

tenho um atrelado num velho circo —–> cansado de deambular de subúrbio em subúrbio.

eu sou o homem bomba
e

sei
porque atravesso as entranhas
as almas
porque conheço segredos & medos
porque sou o que vislumbra demónios e deuses
porque tenho uma fé inabalável nas minhas visões de revolta
porque ……………………………… percorro
ruas
horas
luzes
ausências
e
boleros de brel

…………… vagueio cemitérios
e
recordo vidas
……………………………………….
……………………………………….
dentro da carne navega um velho sonho
…………………………………
………………………. depois
…………………………………
…………………………………
morro sempre em mil sabores
porque…
sou o filho rebelde da superstição
e
leio nas cartas todos os futuros

 

au revoir

 

a.s.

nota 1

a sombra, a nossa, é o motor da experiência possível

a sombra é a responsável pelos medos que experimentámos
ela…
é a entrada
o passo primeiro no processo
recuando ao velho egipto… a sombra reflecte a dualidade Set / Hórus

a força de Hórus – o oculto de Set

mas Set é a sombra aberta ao despertar – à exaltação poética

cena 1

o confronto com a própria sombra pode ser uma experiência…

uma experiência para além do seu significado

a sombra… representa o primeiro estágio
o encontro do EU

não há acesso à nossa realidade que não através da sombra…
e
nada é possível até que a sombra esteja na posição adequada para o confronto
então…
vermo-nos como realmente somos

somos poetas da imagem – a que se reflecte na nossa sombra