ANTONIN ARTAUD

“eu, antonin artaud” pelos alunos do “curso profissional de teatro” (escola secundária passos manuel – lisboa)

 

“Quem sou eu?
De onde venho?
Sou Antonin Artaud
e basta que eu o diga
Como só eu o sei dizer
e imediatamente
verão meu corpo actual,
voar em estilhaços
e juntar-se sob dez mil aspectos notórios.
Um novo corpo
no qual jamais
poderão esquecer.

Eu, Antonin Artaud, sou meu filho,
meu pai,
minha mãe,
e eu mesmo.
Eu represento Antonin Artaud!
Estou sempre morto.

Mas um vivo morto,
Um morto vivo.
Sou um morto
Sempre vivo.
A tragédia em cena já não me basta.
Quero transportá-la para minha vida.

Eu represento totalmente a minha vida.

Onde as pessoas procuram criar obras
de arte, eu pretendo mostrar o meu espírito.
Não concebo uma obra de arte dissociada da vida.

Eu, o senhor Antonin Artaud,
nascido em Marseille
no dia 4 de setembro de 1896,
eu sou Satã e eu sou Deus,
e pouco me importa a Virgem Maria.”

ratara ratara ratara
atara tatara rana
otara otara katara
otara retara kana
ortura ortura konara
kokona kokona koma
kurbura kurbura kurbura
kurbata kurbata keyna
pesti anti pestantum putara
pest anti pestantum putra

onde houver máquina
haverá sempre o abismo e o nada
há uma interposição técnica que deforma e aniquila aquilo que fazemos.
(…)
e doravante consagrar-me-ei exclusivamente ao teatro
um teatro como o concebo
um teatro de sangue
um teatro que em cada representação proporcionará
corporalmente
qualquer coisa para quem representa
como para quem vem ver representar
aliás,
não se representa,
age-se
o teatro é na realidade a gênese da criação.
assim se fará.
Tive uma visão esta tarde
vi aqueles que me seguirão e aqueles que ainda não ganharam corpo
porque os porcos como aqueles do restaurante de ontem a noite comem demais.
há os que comem demais
e outros como eu que não podem comer sem escarrar
todo seu
antonin artaud.

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completamente ao lado

“se nos limitarmos por qualquer ética ou moral, é necessário que seja uma que nós mesmos tenhamos imaginado, fabulosamente mais exaltada & libertária que o “ácido moral” dos puritanos & humanistas. – “sois como os deuses” – “sois isto”.”

Hakim Bey

 

errado?
que o seja.
penso o que penso & tu, és livre de pensar o que te der na gana, a liberdade é isso
mesmo

os “ships” ainda não chegaram (não lamentamos o atraso)

 

sonho e realidade X

nós…

estamos longe

muito longe

de pertencermos a essa classe a que – alguns – chamam excêntricos

somos portadores – isso sim – de uma lucidez sem limites

somos deuses

 

aprendemos isso nos velhos livros

logo…

somos os portadores da ciência antiga

e

cultivamos uma retórica muito própria

 

com os velhos sábios aprendemos todos estes – muitos – segredos

e

tendo em conta tudo isso

aceitámos com alegria

o niilismo

e

a negação do todo – e do tudo…

 

nosso inferno é azul

e

com essa cor equipámos a grande orde que enfrentará – num evento desportivo – o exército dos anjos, dos incubos e dos sucubos que os homens criaram

 

acreditamos, no entanto, no poder dos sentidos

nas nossas capacidades de fabricar génios e loucos

 

o nosso mestre era portador de uma visão

 

foi devorado por ela

 

o nada

 

com ele nos iniciámos no ilusionismo

e

outras sensações que os homens não aceitam

e

muito menos reconhecem.

a sua loucura deu-nos a conhecer a lucidez e a desesperança

 

apesar de tudo…

aqui estamos para revelar outros pensamentos

e

decifrar os vossos sonhos

e

se o quiserem —–> adivinhar futuros

sonho e realidade IX

 

 

entre a razão e o sonho interpõe-se o acto dominado pela irrupção da matéria – aqui, a acção do corpo não é alheia.

propomo-nos mostrar imagens marcantes. imagens que, todavia, podem passar desapercebidas. imagens intensas e impregnantes num jogo continuo por onde podem navegar ambiguidades, metamorfoses, transgressões…

arte/sonho. arte/instrumento de apropriação de imagens que povoam o nosso quotidiano