do mito, do rito e a deusa nossa

deusa

é facto
estamos unidos  tal como os grãos de areia
e
continuaremos
enquanto os nossos objectivos permanecerem em harmonia
é que a nossa obra não pode – jamais – ser levada a cabo sem
o entendimento
o dos nossos cúmplices
só ele (entendimento) permitirá que no interior dos nossos templos exista aquela tendência – tão natural e tão praticada – para os cismas
daí se infere que a nossa obra não pode – jamais – ser levada a sério
(ou pode?)
a fé não é racional, é emocional
os crentes reagem emocionalmente quando a sua fé é contestada
precisamente
é que no fundo… lá no fundo de suas mentes, sabem que acreditam num mito e têm medo de que a sua crença desabe na presença da lógica
seguindo este raciocínio…
poderemos dizer: – é por isso que as diferenças religiosas levam à guerra, mas nunca (por exemplo) à aritmética
e
quanto menor a evidência – a que existe – a favor de uma ideia…
maior a paixão
maior a violência
para nós…
para nós é o cisma que interessa
o cisma
cada um de nós é um cisma e, muitas vezes – cisma do cisma
ou… talvez, nem cisma sejamos
por não crentes
por navegarmos alegremente a uma distância considerável daquilo em que os outros crêem
e
que chamam fé
não há fé
há sonhos a fervilhar no caldeirão do bruxo ou bruxa —> que somos nós <— nós somos, mesmo, bruxos
feiticeiros/magos/artistas
em processo e progresso
e
soltamos gargalhadas inflamadas pelo gozo
o gozo de estar vivo – aqui e agora
é que sabemos que a nossa deusa – a ser falsa – é menos falsa que os deuses dos outros
precisamente
porquê?
pela simples razão de que os outros (deuses) sobrevivem no imaginário das gentes à custa da fé
da fé dessas gentes
e a nossa deusa existe, mesmo, no nosso imaginário
uma vez que a nossa deusa é obra nossa
é arte…
a nossa deusa vive à margem de qualquer fé…!
porque nós
não temos fé nenhuma…
 

 

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