Fragmentum II

 

compartilhando o todo, o tudo

 

o tempo

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e por entre os bosques desenhámos um sigilo – eu e tu.

 

tu eras eu e eu era tu

 

a nossa maldição. a maldição lançada – não voltará atrás

a morte borbulha, já, sobre as coroadas cabeças.

o sonho torna-se – suavemente e entre silêncios – realidade

 

o triângulo é uno

somos a unidade

 

somos o único

 

 

 

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librum verbis templum

librum verbis templum (Fragmentum mare non inveni)

ou das Palavras – as do Supremum Dominum

.’. frater carbono IV

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as oito lâminas do Início – as do Louco

I. O louco pensa. Fala – com o que não vê

II. Os deuses morreram e Ele percorre os bosques em demanda

III. Ao deserto chega a pergunta – a d’Ele

IV.  E Ele transporta a carta – A que lhe foi dada

V. Aí está escrito com tinta eminentemente mágica: – amo-te, amo-te, amo-te. És o sol das minhas manhãs, amo-te como nunca

VI. E ele amou-se porque se descobriu

VII. Ele é o perfume dos deuses, o surpreendido

VIII. Ele é a unidade. É ele próprio, É. É Ele – o que nele se projecta e, É. É o seu corpo-templo

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A crisálida – A mariposa regressou ao casulo (oito lâminas)

I. A distante melodia, é o rito do princípio e do fim

II. Mas não há fim, há um outro começar

III. E o louco disse: O Teu perfume marca o nascimento do meu corpo e o meu corpo é o teu corpo

IV. O centro és tu. Tu abres e fechas o ciclo

V. De ti nasci em ti faleço. o teu corpo é o meu corpo

VI. Eu amo-te secretamente com o estômago prenhe de borboletas

VII. Eu, no abismo, medito em ti e questiono-te. Questiono-te porque me questiono

VIII. Eu e Tu somos o fim porque somos o princípio – de tudo. O meu corpo é o templo em que habito

Eu sou a verdade porque sou o deus que reconheço e reconhecendo, reconheço-te

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O antes e o após – a semente (três lâminas)

I. Com as primeiras chuvas a romã abrir-se-à e das suas sementes irrompem os “De Antes” – os que voltarão do interior do mago

II. Eu sou a besta, Tu és o Universo – ainda que o não digas, eu sei – sinto como a tua língua corre sobre a minha, e a minha pela tua

é delicioso

é excitante

muito foi o tempo assim. e agarraste a cintura da luz. A de uma outra lua –  e tiraste, lenta, a camisa

III. Estás de pé e só. No meio do nada. As palavras do bem e do mal são doces.

não pares!

e seguiste

e segui

e sentimo-nos morrer e renascer por aí.

Somos as borboletas negras que pousam sobre nós – próprios. Somos porque continuaremos a ser – Seremos

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Junto à fonte (uma lâmina)

 I. Tu és o Meu Mestre porque Eu Sou o Mestre – Vejo-te e vejo-me como um deus junto à fonte. E digo: no nada busco o tudo. Tudo é um nada e do nada nasce o desejo em silêncio.

A horda dos “De Antes” virá.

Digo que voltará. Eu sei que voltará.

.’. frater carbono IV