Eris a deusa primordial do Caos

eris

No início era Éris – a nossa deusa, e Éris era pura e moldada no absoluto caos – como nos foi revelado pelo divino Tai Chi.

Éris é, tão só, o substrato a partir do qual o universo surge.

E Éris concebeu cinco filhos:

– Gaia (a Terra)

– Urano (o grande céu)

– Pluto (o submundo)

e

– os dois primeiros corvos

Gaia e Urano casaram e, conceberam os doze Titãs, o mais jovem dos quais era Cronos, o Tempo e, também, o Senhor da Agricultura.

Cronos está na origem de todos os nossos problemas.

Foi Cronus, sempre insatisfeito, que desmentiu sua mãe, castrou o pai e… proclamou-se rei da e para a eternidade.

E foi por isso, que Éris o amaldiçoou.

Tal maldição, lançada sobre ele, provocou um acto de traição… isso. Cronos – também ele seria traído e usurpado por um de seus filhos.

Mas antes… muito antes, Cronos, pressente que será traído por um dos filhos. Na ânsia de evitar tal previsão, devorou os 5 filhos.

Mas Rhea, sua esposa, estava grávida de um sexto filho.

E, como é normal, Rhea não queria ver o filho comido por seu marido. Quando a criança nasceu, Rhea substituí a criança por uma grande pedra envolta em linho e apresentou-a a Cronos como seu filho. E ele comeu a pedra sem sequer se certificar se era, de facto, o verdadeiro filho.

E Rhea escondeu o menino. Para tal, contou com a cumplicidade de sua mãe, a deusa Gaia que, na altura, vivia com sua avó Éris na escuridão eterna – aí, onde Cronus não poderia encontrar o petiz.

Precisamente!…

Gaia e Eris foram incumbidas de proteger Zeus, o filho mais novo de Cronus, o menino que sobreviveu envolto no sagrado caos.

E a deusa primordial, Éris, a que tudo previa (porque tudo sabia) – percebeu que Zeus iria crescer para se tornar um Deus de topo da hierarquia – logo um deus dominante e supremo.

Éris pensa e repensa e, ao pensar, repensa de novo e… decide que o melhor será matar seu bisneto – Zeus – antes que inicie o seu reinado de terror.

Porém Zeus sobrevive graças à sua avó, a deusa Gaia.

Com efeito, Éris sabia que ao matar o deus-menino teria de destruir o universo e começar tudo do zero. Então, resolveu fazer da vida de Zeus uma farsa e uma tragédia. Faz tudo para subverter a hierarquia e, logicamente, dar uma machadada na falocracia.

Foi o que, realmente, fez. Procurou arruinar a carreira hierárquica do deus no panteão. E Zeus, esse, sentia-se completamente fodido e frustrado.

Zeus cresce e, derruba o pai, liberta seus irmãos mais velhos das entranhas do progenitor, todavia os titãs serão escravizados e subjugados pelos tios e tias. Tais atitudes de Zeus chateiam profundamente sua avó, Gaia. A deusa não podia suportar que seu neto, o deus-menino que tinha protegido, iria provocar tão grandes danos a seus irmãos, os Titãs – filhos de Gaia.

E Gaia gera um último Titã com Pluto – deus do submundo. Nasceu então Typhon o Pai de todos os monstros. E Typhon cavalga com Éris para enfrentar e matar Zeus. Mas Zeus, nessa altura, andava com Nike (Vitória) – donde se infere que naquele dia não poderia ser derrotado. No entanto, Éris acaba por cagar em Zeus.

Com seu poder supremo qual macho dominante, Zeus reescreve a história, a fim de retratar Éris como uma ordinária, uma deusa subordinada.

é nesta altura que Zeus faz crer a todos que Éris não é sua bisavó mas sim, sua filha. (foda-se!… o tipo era um cabrão falocrata).

Hail Eris !!!!!
23.

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do mito, do rito e a deusa nossa

deusa

é facto
estamos unidos  tal como os grãos de areia
e
continuaremos
enquanto os nossos objectivos permanecerem em harmonia
é que a nossa obra não pode – jamais – ser levada a cabo sem
o entendimento
o dos nossos cúmplices
só ele (entendimento) permitirá que no interior dos nossos templos exista aquela tendência – tão natural e tão praticada – para os cismas
daí se infere que a nossa obra não pode – jamais – ser levada a sério
(ou pode?)
a fé não é racional, é emocional
os crentes reagem emocionalmente quando a sua fé é contestada
precisamente
é que no fundo… lá no fundo de suas mentes, sabem que acreditam num mito e têm medo de que a sua crença desabe na presença da lógica
seguindo este raciocínio…
poderemos dizer: – é por isso que as diferenças religiosas levam à guerra, mas nunca (por exemplo) à aritmética
e
quanto menor a evidência – a que existe – a favor de uma ideia…
maior a paixão
maior a violência
para nós…
para nós é o cisma que interessa
o cisma
cada um de nós é um cisma e, muitas vezes – cisma do cisma
ou… talvez, nem cisma sejamos
por não crentes
por navegarmos alegremente a uma distância considerável daquilo em que os outros crêem
e
que chamam fé
não há fé
há sonhos a fervilhar no caldeirão do bruxo ou bruxa —> que somos nós <— nós somos, mesmo, bruxos
feiticeiros/magos/artistas
em processo e progresso
e
soltamos gargalhadas inflamadas pelo gozo
o gozo de estar vivo – aqui e agora
é que sabemos que a nossa deusa – a ser falsa – é menos falsa que os deuses dos outros
precisamente
porquê?
pela simples razão de que os outros (deuses) sobrevivem no imaginário das gentes à custa da fé
da fé dessas gentes
e a nossa deusa existe, mesmo, no nosso imaginário
uma vez que a nossa deusa é obra nossa
é arte…
a nossa deusa vive à margem de qualquer fé…!
porque nós
não temos fé nenhuma…