o livro do dr. fausto

Prólogo

O livro do Doutor Johannes Faust é, sem dúvida, um dos mais conhecidos livros mágicos de origem alemã.
Os magos referiam-se a ele como: “A Coerção do Inferno do Doutor Faust”. O Corvo Negro é, segundo alguns magos contemporâneos, obra de Jesuítas – talvez pelo seu estilo… Do que não haverá dúvidas é o facto dos magos – nos seus ritos de iniciação – usarem este livro mágico (sobretudo pela qualidade dos seus talismãs).
Para aqueles que sabem ler – “com olhar profundo” – o Corvo Negro abre as portas a poderes mágicos de grande potencial, especialmente aos que tenham acesso ao Tarot de Fausto.
As lâminas deste tarot não deixam de ser semelhantes aos habituais maços de cartas, procuram, sobretudo, uma melhor representação das energias que imanam do nosso interior, energias capazes de servir e desafiar aqueles que as ousem despertar.

O leitor deve estar preparado, portanto, para uma “outra” leitura – a ùnica que lhe dará acesso aos poderes deste fascinante livro de feitiçaria.

 tradução de fra. abdul affi

Introdução

O Livro da Arte, dos Milagres e da Magia do Doutor Johannes Faust – O Corvo Negro ou A Tríplice Coerção do Inferno:

– Com este livro, eu, Dr. Johannes Faust, dominei os espíritos. Obriguei-os a trazerem tudo o que fosse ao encontro dos meus desejos: 
– ouro, prata, tesouros grandes e pequenos. 
E tudo aquilo que estivesse disponível no planeta. 
O que fiz, foi conseguido a partir deste livro. 
E sempre libertei os espíritos depois de satisfeitos os meus desejos.

  Ao leitor aviso: – Não leias estas linhas em voz alta sem previamente traçar o círculo – Se não for cumprido o rito, O Corvo Negro tornar-se-à perigoso.

Outro conselho: – Não chames espíritos que não tenhas a certeza de vir a dominar, o espírito que não dominares colar-se-á à tua pele. Não mais te libertarás dele o que te causará sérios problemas.

Prepara-te, pois, para o rito do começo: – traça com o teu bastão ou punhal o círculo, sacraliza o espaço e não esqueças os sigilos do espírito a invocar.
Deverás, portanto, certificar-te que possuis o símbolo do espírito desejado.
Ao conjurar deverás imprimir todo o teu poder, só assim alcançarás os resultados desejados.

Foi assim que o fiz.
Foi assim que os obriguei a trazerem-me e fazerem tudo o que exigi.
Eu, Doutor Johannes Faust, sou iniciado nas Artes. E desde a mais tenra idade, tenho lido os “livros”.
Nos meus estudos e pesquisa, encontrei um livro cujo conteúdo era riquíssimo – nele encontrei um sem número de esconjuros.
Como será lógico, no princípio o meu espírito foi inundado pela dúvida, porém entendia e entendo que tudo deverá ser testado.
E assim, levado por uma prática constante tudo acontece – exactamente como li.
Este Corvo Negro, é o resultado das minhas pesquisas – o meu canhenho de notas.
Numa das minhas sessões, um espírito poderoso (ASTAROTH) compareceu à minha chamada.
– Porque me chamaste?!…
Perguntou ele.
Como será obvio, a situação surpreendeu-me. E de forma  apressada pensei: – Este espírito poderá vir a ser-me útil na satisfação de meus desejos.
Como condição, o espírito exigiu de mim um trato. A princípio tive algumas dúvidas e receios, como será natural. Estava no interior de um círculo frágil – já que o meu propósito era apenas experimental…
Não estava, eu, em posição de resistir – tive que me sujeitar aquilo que o espírito me pedia.
Então elaboramos um acordo, mediante o qual o espírito teria que me servir durante um número determinado de anos.
Após isto, o espírito apresentou-me Mochiel a quem ordenou que me servisse.
Eu, então, quis saber quem era Mochiel e suas capacidades – rapidez no desempenho de tarefas.
Mochiel respondeu-me: – Sou tão rápido quanto o vento.
Então, cheguei à conclusão que Mochiel não me servia, que deveria voltar para o lugar de onde veio.
Após isto, apresentou-se Aniquel.
Este respondeu à minha questão afirmando ser tão rápido quanto um pássaro.
– Também tu és muito lento, vai-te!…
Respondi eu.
Um terceiro espírito se apresentou. Chamava-se Aziel.
Aziel afirmou ser tão rápido quanto o pensamento humano.
Aziel foi a minha escolha, aceitei-o ao meu serviço.
Foi ele quem me ajudou na construção deste opúsculo que, como poderá ser confirmado, compõe-se dos seguintes capítulos:

– Caput Primum
– Caput Secundum
– Caput Tertium
– Caput Quartum
– Caput Quintum
– Último Testamento do Dr. Fausto

I Caput Primum

Neste capítulo pretendo instruir o leitor na acção.
Como deverá agir e forçar os espíritos, mesmo os mais poderosos, a comparecerem ao seu chamamento?
Como dominá-los e obrigá-los  a trazerem à sua presença os seus desejos?
No início eles recusam.
Deves, porém, continuar a exigir a sua presença (normalmente, só comparecem ao terceiro chamamento).
O espírito que solicitaste, deverá apresentar-se com a forma humana – Então deverás colocar-lhe duas ou três questões – não mais – de forma a não o perturbares.
Se o espírito não comparecer com aparência humana, deverás recusá-lo, enviá-lo para o espaço de onde veio – não o recebas.
O praticante e seus possíveis auxiliares devem ter jejuado antes da conjuração. Para além disso, todos devem ser experientes em termos do conhecimento espiritual, caso contrário, os espíritos não lhes obedecerão.
A tua fé no sucesso da acção terá de ser forte (dela dependerá o sucesso de conjuração).
De importância fundamental será também a escolha do dia e hora ( a título de exemplo: Segunda-Feira às 8 e às 15, Terça-Feira às 9, às 18, e 24).
Nos dois dias que indico deverás ter ainda em conta a Lua, ela deverá estar na fase plena – Lua-Cheia. É nessa fase que os espíritos tudo trarão, e satisfarão os teus desejos.

O ritual deverá ser efectuado em lugar secreto, de forma a garantir que o teu trabalho não será bloqueado ou perturbado.
O traçado do círculo deverá ser alvo de cuidados especiais.
As instruções são para ser seguidas de forma rigorosa – evita cometer quaisquer erros.
É fundamental uma actuação de confiança. O teu comportamento durante o rito é fundamental.
Os conhecimentos (adquiridos) deverão ser mantidos  em segredo – não os passes gratuitamente a qualquer um, a tua felicidade depende disso.
Não deverás usar, em proveito próprio, as receitas provenientes do teu trabalho espiritual – essas riquezas deverão ser passadas para a irmandade, para auxilio das Obras.
Caso te recuses, a sorte não te bafejará.
Que isto seja um aviso, porque jamais terás a oportunidade de receber de novo este conhecimento.
Que tudo seja usado correctamente e em segredo.
De forma certa, e não o reveles a ninguém que não seja de inteira confiança, de outra forma a tua cabeça rolará.
Deves ser cauteloso, não deverás fazer acordos com os espíritos  que te ponham em perigo – não queiras sofrer nem experimentar o que me está para acontecer neste momento.

Citação Geral de Todos os Espíritos:
Osola mica rama lamani
Volase cala maja mira salame
Viemisa molasola Rama Afasala
Mirahel Zorabeli Assaja

Caput Secundum

Este capítulo descreve a construção do círculo.

Primeiro :
– Deves traçar o círculo com uma espada que ainda não feriu ninguém. Sobre uma face da espada, deverás inscrever os seguintes caracteres.

Sobre a outra face, inscreve:

Segundo :
– Deverás traçar o círculo enquanto pronuncias as seguintes palavras:
O Le Ja meni sete Mirari jael
la mese mihi Jasala Ale Jona
Masa criel Finamiel-Siona
O la sariel Assa Salimeni Arael
fasa, maja, Paja, Lalemisa Jerobeliel
Majasa faliel mica sariel olomisa
lale masa Hajariel

Após isto, faz três cruzes e recita três mantras numa posição comoda

Terceiro :
– Quando conjuras, terás de colocar à tua frente – fora do círculo, os 4 (quatro) símbolos traçados a vermelho.
1

2

3

4

Caput Tertium

Este capítulo refere-se aos sete Grandes Duques.
Sempre que queiras conjurar espíritos, deverás colocar o selo do espírito que desejas chamar à  frente do círculo – de forma a que seja revelada a tua intenção.
Heis o Selo de Aziel, o primeiro dos grandes duques:

SELO DE AZIEL

Meu nome é Aziel, e domino todos os tesouros ocultos da Terra.
Tenho o poder de abrir todos eles e ofereço-os às pessoas que os desejem.
Também me divirto a enganar os menos conhecedores.
Meu planeta é o Sol – o meu paladino.
Carmielis é o meu servidor.
Surjo com a aparência de um touro, mas posso assumir qualquer outra forma.
Comando as legiões dos espíritos que se encontram ao meu serviço.
Eu sou um Grande Duque.
Para me coagires terás de o fazer com vigor e de forma correcta, de outra forma eu não aparecerei.
O meu outro sigilo deverá ser gravado em ouro.
Só revelarei este outro selo se me for pedido.
Sou tão rápido quanto o pensamento humano.

SELO DE ARIEL

Meu nome é Ariel e surjo sob a aparência de um cão.
Eu comando tudo – por cima e por baixo da Terra.
Muitas legiões estão sob meu comando.
Sou um espírito veloz – tão rápido quanto o gamo.
Algumas pessoas poderão usufruir da minha boa vontade.
Outras destruirei.
Sempre agirei segundo a forma do conjuro.
Sou um espírito obstinado.
Não atenderei ao chamamento de qualquer um.
Portanto deverás conjurar-me com poder.
Milhões de espíritos estão sob meu comando.
Eu sou o guardião dos tesouros dos deuses.
Eu sou tão rápido quanto o vento.

SELO DE MARBUEL

Eu sou um espírito pronto a servir.
Apareço sob a forma de um menino de dez anos.
Podes conjurar-me  em qualquer altura.
Eu sou tão rápido quanto uma flecha.

SELO DE MEPHISTOPHILIS

Eu sou o grande mestre – o de muitas artes.
Comigo poderás aprender muitas “coisas” num instante. Para me conjurares, quatro vezes serão precisas. Possuo uma boa selecção de espíritos sob meu comando. Sempre que ordeno, eles apressam-se a obedecer.

SELO DE BARBUEL


Eu sou o Senhor das águas. Governo tudo o que nelas vive. Sou rápido e tudo posso dar – desde que me conjures correctamente. Então…
surgirei, e poderei servir-te.

SELO DE AZIABEL

Eu sou o grande espírito – o que surge como uma criança. Sirvo todos desde que me conjurem correctamente. Sou eu quem rege todos os assuntos legais. São milhares, os espíritos que me obedecem.
Também gosto de agradar. E posso produzir riquezas, status e muita sorte.

SELO DE ANIFEL

– Eu, Fausto, perguntei ao meu Grande Duque Aziel como poderia prender e coagir os humanos.
Respondeu-me: – sobre isso, nada posso dizer.
Então pedi-lhe que anotasse num papel, uma vez que não o podia dizer por palavras.
– “Oh Fausto!… Eu não deveria ter feito este acordo!… Vou, no entanto, fazer o que me pedes…”
Disse-me ele.

    1. esta é minha coerção.
2. a carne vem
3. com a omnipotência dos deuses
4. quando mantenho a minha promessa a alguém…
esse alguém tem de me fazer acreditar que está de boa fé
5. então darei o meu sinal.
Este é o sinal:

imperium magnum infernalis

O Império Infernal:

1. LUCIFER, o imperador
2. BELIAL, Vice rei
3. SATAN, Governador
4. BEELZEBU, Governador
5. ASTAROTH, Governador
6. PLUTÃO, Governador

Estes são os sete Grande Duques do Império Infernal :
1. AZIEL
2. MEPHISTOPHILIS
3. MARBUEL
4. ARIEL
5. ANIGUEL
6. ANISEL
7. BARFAEL (Barbuel)

Estes, os Grandes Ministros e Conselheiros Infernais secretos:

1. ABBADON
2. CHAMUS
3. MILEA
4. LAPASIS
5. MERAPIS

Estes são os Espíritos Familiares do Império Infernal

1. CHINICHAM
2. PIMPAM
3. MASA
4. LISSA
5. DROMDROM
6. LOMHA
7. PALASA
8. NAUFA
9. LIMA
10. PORA
11. SAYA
12. WUNSOLAY

Caput Quartum

Este capítulo comporta: – convocação e conjuração dos espíritos.

Conjuração de AZIEL
Eu, (teu nome), te ordeno, (o nome do espírito), que apareças num repente!
Pelo poder da palavra ADBDA!
Pelo poder do anjo AMASALE!
Pelo poder da estrela GADALA,
A que se eleva no último grau de Capricórnio!…
Eu (teu nome) o que desenhou e apresentou o teu símbolo, chamo-te!
(nome do espírito) por Durashain, Maim, Lulim!…  (+)
(traça uma cruz sempre que o símbolo + aparecer no texto)
Menim + Senim + Zaim + Sulim +.
Eu te conjuro espírito! (nome do espírito)
Por Hipim + Repim + Sepim + Gulum + Locsant + Dropep + Schamot + .
Eu (teu nome), eu (teu nome), eu (teu nome)
ordeno, ordeno, ordeno,
a ti (nome do espírito) pelo poder  celestial +
PelO que criou o céu e a terra e tudo o que nela está.
PelO que comanda os quatro ventos,
PelO que reina sobre todos os seres,
e a quem tudo o que é vivo e criado tem que obedecer,
que tu, (nome do espírito) faças para mim tudo o que eu te ordenar fazer, pelo poder das seguintes palavras:
Alaja + Rasamule + Moliel + Zynagamim + lo + affrisi + Misaniel + ,
que tu me tragas tudo,
que tu, (nome do espírito) o faças agora, rapidamente!
Teu símbolo está contigo, frente ao meu círculo.
Eu (teu nome) te chamo pelo poder dos quatro ventos,
pelo poder do ar, e por todos os seres criados, que apareças frente ao meu círculo.
Agora mesmo.
e que o faças sem tentar provocar o medo, aparece!
em forma visível!
Eu (teu nome) te conjuro por tudo o que é vivente!…
Que venhas, venhas, venhas, pela força de todas as forças,
as que te subjugam
as que tudo comandam.
Eu te conjuro,
ar, e que não mantenhas o (nome do espírito) apartado de mim, que o envies muito rápido.
Oh la Valasaja + Salajami + Masei + ,

Que ele me dê fala e resposta na língua (o idioma desejado).
que assim se faça.

Conjuração Geral do Espírito

AZIEL
Calemi + Cadem + O spirit AZIEL Poramase la hemise + Coelum + et Firmamentum + Casami + Misarajaet + Xamara + Sadalachamim + Dusama + Popiniet + Lemisisaraet + Assim se faça
Se ele não vier, diga o conjuro três vezes.

Conjuração particular do Grande Duque
ARIEL
Eu, (teu nome) te conjuro,
ARIEL + vinde, vinde, mui rapidamente +.
Firmamento,
terra,
ar,
e todas as coisas!…
oh!… espírito eu vos ordeno pelas grandes palavras e nomes
Dala + Makasaim + Rusaloja + Munot + Phalaniet + eu te forço ARIEL pela coerção mais forte – Roma + Sa + Ra + Família + Rominase +
vinde, vinde, vinde,
imediatamente,
vinde, vinde, vinde,
Anasai + fa + fali + monitase + fata + assim se faça

Conjuração Principal do Grande Duque
ARIEL
Vota + misa + Lasafe + ma + Homina + Sara + Pada + Chagiel + Matachia + Mecha + Enazarael + O hevilame Ga + Hiebani +
que o envieis ao meu círculo, ou vossa punição será sete vezes – tanto quanto em ti ARIEL , Roma + sa + fu + Amiel + mien + suisa + assim se faça.
Conjuração Particular do Grande Duque
MARBUEL
Eu (teu nome)
a ti conjuro Grande Duque MARBUEL
Pelo grande regente do céu e da terra,
da água e do ar,
do fogo,
do inferno,
de fora do inferno,
e pela palavra que existia no começo do mundo,
e que te dominou
a ti, Grande Duque MARBUEL durante tua vitoriosa descida ao inferno,
Eu (teu nome) conjuro
a ti Grande Duque MARBUEL
por todas as folhas e ervas
e por tudo que é chamado “mundo”,
que abras para mim todas as fundações da terra
que tudo me tragas em nome e poder daquele que não tem fim +

todas as pedras,
espíritos,
espíritos da terra,
que os tragas para a frente do meu círculo,
que o faças imediatamente
assim te ordeno segundo a minha vontade,
por + Amala Saim + fara + lamim + Saumi + ma + assim se faça.
Vinde, vinde, vinde.

Conjuração Geral do Grande Duque MARBUEL

Ma + Schaffot + Etanahoim + Masalami + Fasta + Apiramus + Misa + ETANOGANASA + Padaschia +
eu, (teu nome)
te chamo MARBUEL
por Masa + Hipa + Sapa + Rama + Laja + Meffi + assim se faça

Conjuração Principal de todos os espíritos – quando fazem barulho

O Ma + Raieschia + Nisanatos + Mopsi + Laminasi + Coporasch + Monasha + Alolia + Mygyssa + Pompana + Nosis + Firmamenta + Samasa + Jameschia + Fonascha + Molami + assim se faça
Poraschalia +++ Minischa +++ Semisa +++
deve ser dito três vezes

Conjuração – se o espírito se recusar a transformar-se (mostrar aparência humana)

Mosa + O Naschi + Gajala + Pressi + Fafa + Hisca + Allismicos + Felschima + Potmas + Saal + Amesda + Proceses + Terra + Festus + Spica + Munisa + Soila + Desca + Elesiamini + assim se faça +++
Qui venit in nomine Domini O Kyrios + O Kyrie Eleison + assim se faça +++
por três vezes

A saudação a todos os espíritos

Palifasta + Firmis + Demecha + Haim +

Caput Quintum


Este capítulo tem a ver com o aprisionamento, libertação, fustigação e banimento dos espíritos. A [sentença] abaixo serve para “aprisionar”, quando o espírito não quer permanecer.
diga-o três vezes.
Deu + Pata + binde + Jesus + Behalte + Deus + Spiritum + binde + durch + Kraft + Christi + Knuepfe + schliesse + o espírito (nome do espírito) assim se faça +++

Tríplice libertação quando o espírito se recusa a responder:
O Sa miha + Aseffonila + Ja + La + Mifflahi + Mehahinesi + Milonahireil
Fustigação, para ser dita três vezes

Quando o espírito não quiser obedecer golpeia o ar com a vara, e golpeia também o selo do espírito. As varas que utilizares para a fustigação dos espíritos devem ser de madeira de junípero. Corta-as numa Quinta-Feira na fase nova da Lua e pela manhã – antes do nascer do Sol – horas de Marte e Vénus.
Grava as seguintes palavras nas varas: “A semente da mulher deve calcar a cabeça da serpente”,  seguido de: “Defi + Ministrahel + Jasa + Mifana + Hisanam”

Conjuração – fustigação

Prescio + Mipot + Domisiac + Tufi + Maha + Huschia + Laemelisete + Hedera + Cade + Veleadis + Locisomnibus + Amesiamin + ARIROSH + Laedemische + Jehonale + Hisipo + Assim se faça +++ Podarasche + Podarasche

Banimento de todos os espíritos

Oh espírito (nome do espírito) + Portam Benedictam + Sic tecum quasia horas siece mila + assim se faça
Quando o espírito não quiser partir, diz :
Benedictus + est qui omnia regnat + per omnia secula seculorum + in nomine domini +++ assim se faça +++
Podes também conjurar os Grandes Duques e todos os outros espíritos com a citação que encontrarás em meu último testamento.

Fumigação para conjurar um mau espírito

Pega em alho, enxofre, piche, erva de Cristo, erva Burzel e coloca-as sobre carvão. Quando a fumaça subir deverás ser cuidadoso para que o espírito não pressione. Então deverás, nessa altura, dizer  as seguintes palavras : O Lama + Basulai + Monai + Mempis + Lorrate + Pacem +

Os Nobres Segredos do Doutor Johannes Fausto
Estes são os nobres segredos e sigilos do Doutor Johannes Fausto. Servem para proteger todo o operador e praticante das ARTES contra os espíritos, e podem também ser transportados por uma pessoa com outros propósitos, para os quais estes segredos sejam igualmente úteis. São segredos, devem ser guardados bem e com respeito. Deves mantê-los bem ocultos para que não sofras grandes danos, má sorte, ou mesmo a morte. Guarda bem isso na tua mente.

Faz este selo numa manhã de Domingo antes do nascer do Sol – na hora de Marte. Deves gravá-lo em ouro. Se o transportares, ele te protegerá contra todos os espíritos. Com ele, também serás protegido contra todos os seus inimigos. Coloca o selo numa bolsa de veludo vermelho e ata-o à cintura – lado direito.

Este símbolo deverá ser feito numa Sexta-Feira na hora de Vénus. Deves colocá-lo de frente – no peito. Quando estiveres em contacto com os espíritos, estarás mais seguro e livre de todos os perigos. O símbolo deve ser desenhado num pergaminho Virgem com o sangue de um morcego.

Este selo deve ser desenhado numa Segunda-Feira durante a hora de Júpiter. Com ele estarás livre dos maus espíritos.

Este outro selo deve ser construído na Noite de São João à meia-noite e sobre ouro. Se o enterrares num local onde os espíritos habitam, fugirão e deixarão para trás todos os seus tesouros.

Este é um selo com o qual podes aprisionar e coagir todos os espíritos infernais. Deves mostra-lo  durante as citações.

Se gravares este selo sobre prata e o colocares sobre um tesouro, resultará que o tesouro duplicará e  será teu com toda a certeza. Com este selo, todos os espíritos abandonarão o tesouro. Este é o selo mais poderoso.

Este selo ajuda-te a controlar as tuas emoções e também protege o teu corpo. Se o transportares, ninguém te poderá ferir. Vencerás, e realizarás todos os teus “trabalhos”. Grava-o em ouro – hora do Sol de um Domingo (antes do nascer do Sol). Com este selo, também poderás tornar-te invisível quando o colocares sobre ti na hora do Sol.

Este selo é de uso em todas as operações, nunca deve ser deixado à margem, porque ele é a defesa e muralha do operador.


Este serve como defesa dos ataques de qualquer espírito ou seres malignos. Quando o colocas num espaço eles abandonam-no. Grava-o em chumbo na hora de Júpiter.

Faz este selo na hora de Marte e Vénus em ferro e cobre, coloca-o durante nove dias num local onde haja um tesouro enterrado, e todos os espíritos o abandonarão – nesse lugar encontrarás o metal coberto de sangue.


Com estes selos podes operar milagres.
Estarás seguro contra todos os inimigos e ninguém poderá prejudicar-te – de nenhuma forma.
O fogo e a água temem-te, os maus espíritos terão de partir.
Um remédio poderoso contra todas as doenças e tu não precisarás de nada mais para te sentires seguro. Ninguém te negará qualquer pedido. Seja o que for que projectares, chegará a bom porto.
Todos te amarão e temerão. Serás afortunado no trato com o clero e a corte. Este é o selo mais poderoso que possivelmente poderás encontrar. Deves grava-lo em ouro na hora do Sol.

Este selo é para ser gravado numa liga composta pelos sete metais. Se o colocares sobre um tesouro que tenha sido transformado, o selo trará o tesouro de novo e na sua forma real. Deve ser feito na hora de Mercúrio e numa Quarta-Feira.



Comprei estes últimos quatro selos na Holanda pelo preço exorbitante de 8000 Ducados. Descobri que os selos eram bons para qualquer situação. Auxiliaram-me, especialmente, na busca e captura de tesouros.  Com e através deles consegui fazer tudo o que quis.

Caput primum…

. . . relativo ao meu acordo.
1. Deves tu, Lucifer, trazer-me duas toneladas de ouro.
2. Deverá este ouro ser válido em qualquer lugar, e todos aqueles a quem eu o der deverão ser, dele, beneficiados.
3. Este ouro não deverá ser falsificado, tão pouco deverá ser de matéria rejeitável, não deverá desaparecer ou transformar-se em carvão ou algo similar. Porém deverá, este ouro, ser feito do metal usado pelos seres humanos – válido em todos os lugares e em todos os países.
4. Deverão todos os tesouros abrirem-se por minha vontade, nunca sendo necessário que os tenha de cavar com minhas próprias mãos, vós deveis levá-los para onde eu os deseje receber e sem quaisquer esforços de minha parte.
5. Não poderás ferir-me. Não poderás atentar contra a minha saúde. Eu deverei manter corpo e saúde em boas condições sem quaisquer enfermidades até que tenha terminado o meu tempo de vida.
6. Deves, não apenas, me transportar de uma localidade para outra na velocidade do pensamento humano – não importando o quão distante sejam as localidades uma da outra – mas também me conceder o conhecimento de todas as línguas locais de forma que possa falar com os nativos com toda a facilidade. Uma vez usufruído o meu lazer em determinada localidade, deves-me trazer de volta à minha cidade ou a outra que eu deseje.
Deves fazer tudo isso sem me causar quaisquer danos.
7. Deves fornecer-me um anel que possa usar de forma a tornar-me invisível e invencível.
8. Deves ensinar-me a preparar o remédio universal, assim como me deves mostrar e contar como o usar correctamente – informar-me-ás sobre as medidas, os pesos e potências que terei de usar quando o receitar a alguém.
9. Deves prometer e afirmar que cumprirás todos os pontos acima mencionados, sem falhas. Contudo, caso incorras em falha ou demora, não tereis paz por toda a eternidade.

Caput secundum
. . . relativo à construção do círculo – Este círculo principal é necessário e fundamental para todas as citações. Com ele, serás capaz de aprisionar todo o exército infernal, coagi-lo e também subjugá-lo.
Isto assim é, porque este círculo é tão poderoso que nenhum espírito será capaz de lhe resistir  – não importa quão forte o espírito possa ser. Os três outros círculos já foram descritos em capítulos anteriores.

Para construir o círculo; deverás fazê-lo com espada, punhal ou bastão – essas ferramentas deverão ser “virgens” (ferramentas que não tenham ferido nenhum ser humano), o círculo será traçado na hora de Saturno e uma cruz será inscrita no seu interior, assim como uma estrela de 5 pontas. Então reforças o círculo com pedaços de papel. Após feito o círculo da forma indicada, entrarás nele caminhando para trás.
Assegura-te que fizeste tudo nas dimensões correctas e de modo a que nada falhe. Lembra-te que necessitas falar alto e claro quando da realização da(s) invocação(ões).

Caput tertium
Antes de invocar, é bom recitar, pelo menos, três mantras. Só então prosseguirás com os trabalhos.
Assegura-te que tens os pentáculos prescritos #20 e #21 – tanto quanto os quatro últimos (do último capítulo do livro anterior). Caso queiras invocar um tesouro, deverás ter escrito na frente do teu círculo as letras : oom – Eis o círculo.

A Serpente Hazel é muito útil em muitas das artes. Poderás encontrá-la sob o arbusto da avelã. Quando encontrada, não lhe toques com as mãos.
Assim que seja visível, pega num galho do arbusto e golpeia-a. Esta é a única forma de matares a serpente.
Transporta a cabeça e a pele da serpente contigo. Desse modo estarás seguro e protegido contra todos os inimigos e serás – sempre – vitorioso. Receberás também

A Capa de Cavaleiro
Do Doutor Johann Faustis

Em primeiro lugar, coloca uma grande capa vermelha no solo. No meio traçarás o selo sobre um papiro.
Na tua mão esquerda segurarás o selo.
Colocas-te em cima da capa, caminhas para trás.
Deves assegurar-te que permaneces no centro, de outra forma a viagem não será feliz.
Enquanto isso, inicias a invocação e dizes para onde queres viajar.
Caso queiras sair de uma sala, assegura-te de que as janelas estão abertas.
Caso não estejam, o espírito não sairá nem passará através das paredes. O resultado poderá ser desastroso!…
Certifica-te de que seguras o selo com firmeza.

citação

Eu te invoco, espírito Aziel memomui, vem comigo para (nome da localidade), eu vou fazer contigo o que quero.
Recita esta invocação três vezes. Depois, a capa eleva-se, e tu pairas no ar sobre ela, e ela irá para onde ordenaste.

Coerção Geral de Todos os Espíritos
+ + + Romubabal + Sualabob + Schobal + Samitasa + Mabul + Absumaba + Bethael + Culiel + Daniel + Faniel + Gabriel + Humigiel + Israel + Kafariel + Musiala + Musia + Sinaelienae linerasiel farami.
Eu obrigo-os pelo poder todo poderoso, o que é tudo em tudo,
eu os aprisiono com o poder da majestade de todas as majestades,
com quem Hiob Salomo, forçou os espíritos para dentro da água,
eu aprisiono e obrigo também com o poder mais profundo da sabedoria
de toda a sabedoria,
que realizes a minha vontade imediatamente e sem resistência.
Anami + Misalemi + + +
Eu te conjuro espírito (nome do espírito) pelos criadores do céu e da terra, juizes dos vivos e dos mortos, que tu, espírito (nome do espírito) apareças rapidamente e realizes o que desejo.
Eu te subjugo e te aprisiono espírito (nome do espírito)
Em nome do leão da tribo de Judá
o que é capaz de destruir o inferno
o que se apoderou do poder e da força dos demónios.
Eu (teu nome)
te conjuro espírito (nome do espírito)
– com as palavras de poder Musim, Oseth, Sobsles, Saclagis, Aybulle,
vinde, vinde, vinde,
que a partir desta hora me tragas aquele tesouro de 1000 ducados,
dinheiro de válida denominação e não alterado,
da forma que eu quiser.
Eu te ordeno espírito (nome do espírito) por todas as palavras de poder Ebelias, Lauthor, Iditasita, Hechiomelle, Alpha et Omega. + + +
Eu te ordeno espírito de novo e pelas palavras de poder:
– E Eles se tornaram carne,
Eu (teu nome) te obrigo e te aprisiono espírito (nome do espírito)
Eu te conjuro
com Lúcifer e Beelzebu e todos os líderes do exército infernal,
com quaisquer outros nomes que podereis ter. + + +
Eu, (teu nome) te obrigo espírito (nome do espírito)

Eu te conjuro e a todos os demónios
E a Todo o exército infernal,
no inferno,
na terra,
nos ares,
nas águas,
nos desfiladeiros,
sob o firmamento,
no fogo,
em todo o lugar em que possam estar
em todos os lugares da terra,
nenhum estará isento,
que vós ordeneis imediatamente o espírito (nome do espírito)
que ele venha
e me traga milhares de ducados
e tudo o que eu exigir
e que ele o traga
imediatamente,
ou o fogo cairá sobre todos vós,
dor, dor, dor,
cairá sobre vós
até que o espírito (nome do espírito) a mim venha
e atenda às minhas exigências. + + +
O grande império infernal, com seus muitos milhões de espíritos,
eu vos conjuro pelo sangue que foi derramado pela raça humana e com o qual somos redimidos,
e conjuro toda a extensão até às trevas mais longínquas,
continuarei a faze-lo até que realizem minha vontade exacta e imediata.
Neste instante.
O Lamisamaia, Herimicala, Masamimema, limarascha, Jupirachiel, Minefira, Hopi Alali Maialiel misa + fige + Riga.

Caput quartum
E o espírito aparecerá. Então fala ao espírito:
+ + + Como tu apareceste de forma amigável após a minha invocação
e como vieste sem demora,
assim eu te agradeço espírito (nome do espírito) e elogio este serviço fiel e disponível.

Dispensa
Ide em paz.
Volta para o lugar de onde vieste.
Faz o que te digo sem qualquer reticência ou, mesmo, ruído,
sem ferir o círculo
sem ferir ninguém.
Saia em paz deste lugar,
goza o teu direito à liberdade de agora em diante.
Ide em paz por toda a eternidade,
Assim se fará.

Agora abençoa o teu círculo e agradece aos Deuses.
Não abuses daquilo que conseguiste.
– Meu e nosso círculo,
nós o abriremos em nome dos Deuses, de forma a que nenhum mau espírito nos possa ferir.
Isto assim será em nome dos Deuses.
Farás o selo numa Sexta-Feira Santa à Meia-noite sobre chumbo e cobre.
Se o colocares sobre um tesouro, o tesouro ser-te-á ofertado.

– Eu pratiquei isto em Cologne e apoderei-me de um grande tesouro, tenho feito muitas outras coisas com esta formula.

Este outro selo, é o pilar que aterroriza todos os espíritos.
O mementum Hyschakos, Schehalamis, Gabrieles, audi Michaelis, Hyschacos Colimny Kyrie Ochea Janvemi, Malamim Oparasat, Nemnomy, Omniny, Messaca, Aschariel, Mipasata, Owa, Tajiair, Kai , iam.

Desci aos infernos, depois das sagradas palavras de abertura – os espíritos acompanharam-me e auxiliaram-me na viagem.

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Guillaume Apollinaire um conto

o guardanapo dos poetas

 

Situado no limite da vida, nos confins da arte, Justin Prérogue era pintor. Uma amiga vivia com ele e poetas o visitavam. Cada um, por sua vez, jantava no atelier, onde o destino colocara, no tecto, percevejos, à guisa de estrelas.
Havia quatro convivas que nunca se encontravam na mesa.
David Picard vinha de Sancerre; descendia de uma família judaica cristianizada, como há tantas na cidade.
Léonard Delaisse, tuberculoso, escarrava sua vida de inspirado com uma expressão que era de se morrer de rir.
George Ostreole, os olhos inquietos, meditava, como outrora Hércules, entre as entidades do beco.
Jaime Saint-Félix sabia muitas histórias; sua cabeça era capaz de fazer a volta sobre os ombros, como se o pescoço fora parafusado no corpo.
E seus versos eram admiráveis.
As refeições não acabavam nunca e o mesmo guardanapo servia, um por um, aos quatro poetas, mas, sobre isso, nada se lhes dizia.
O guardanapo, pouco a pouco, foi ficando sujo.
Eis o amarelo de ovo junto a um rastilho sombrio de espinafre. Esta é a curva de uma boca avinhada e estas cinco marcas cinzentas foram deixadas pelos dedos de uma mão em repouso. Uma espinha de peixe rasgou o tecido como se fosse uma lança. Um grão de arroz secou, colado, num ângulo. E a cinza de cigarro escurece certas partes mais que outras.

* * *

David, olha o teu guardanapo – dizia a amiga de Justin.
– é preciso comprar guardanapos – dizia Justin – Pensa nisso, quando recebermos.
– O teu guardanapo está sujo, David – dizia a amiga de Justin. – Eu o mudarei da próxima vez. A lavadeira não apareceu esta semana.
– Leonard, olha o teu guardanapo – dizia a amiga de Justin. – Podes escarrar no caixão de carvão. Como o teu guardanapo está sujo! Eu o mudarei logo que a lavadeira trouxer a roupa.
– Leonard, quero fazer o teu retrato escarrando – dizia Justin. – Gostaria até de fazer uma escultura.

* * *

– George, tenho vergonha de te dar sempre o mesmo guardanapo – dizia a amiga de Justin. – Não sei que fim levou a lavadeira, que não há meio de me trazer a roupa.
– Jaime Saint-Félix, sou obrigada a dar-te outra vez o mesmo guardanapo. Não tenho outro hoje – dizia a amiga de Justin.
E o pintor fazia rodar a cabeça do poeta durante todo o jantar, escutando muitas histórias.

* * *

Passaram-se as estações.
Os poetas serviam-se, um por um, do guardanapo e seus poemas eram admiráveis.
Léonard escarrava sua vida mais comicamente ainda e David Picard começou também a escarrar.
O guardanapo venenoso infectou um a um; depois de David, George e Jaime, mas eles não o sabiam.
Semelhante a um trapo ignóbil de hospital, o guardanapo manchava-se do sangue que vinha aos lábios dos poetas, e os jantares não terminavam.

* * *

Na entrada do outono, Léonard escarrou o resto de sua vida.
Em diferentes hospitais, sacudidos pela tosse, como mulheres excitadas pela voluptuosidade, os outros poetas morreram, com poucos dias de intervalo um do outro. E os quatro deixaram poemas tão belos que pareciam encantados.
Atribuíram as mortes, não à alimentação, mas à fome excessiva e às vigílias líricas. Pois, poderia verdadeiramente, um único guardanapo matar em tão pouco tempo quatro poetas incomparáveis?

* * *

Mortos os convivas, o guardanapo tornou-se inútil.
A amiga de Justin quis guardá-lo na cesta de roupa suja.
Dobrara-o pensando: – Está mesmo muito sujo e começa a ter um cheiro terrível.
Mas, o guardanapo desdobrado, a amiga de Justin surpreendeu-se e chamou o amigo, que se maravilhou:
– É um verdadeiro milagre! Este guardanapo, tão sujo, que se exibe com tanta complacência, apresenta, graças à sujidade coagulada e às diversas cores, os traços de nosso amigo que morreu, David Picard.
– Não é? – murmurou a amiga de Justin.
Ambos em silêncio, examinaram por alguns instantes a imagem miraculosa e depois, docemente, viraram o guardanapo.
Mas imediatamente empalideceram, vendo aparecer o espantoso aspecto de morrer de rir de Léonard Delaisse, esforçando-se por escarrar.
E os quatro cantos do guardanapo ofereceram o mesmo prodígio.
Justin e sua amiga viram George Ostreole indeciso e Jaime Saint-Félix a ponto de contar uma história.
– Larga o guardanapo – disse, bruscamente, Justin Prérogue.
O pano caiu e desdobrou-se no chão.
Justin e sua amiga circularam muito tempo ao redor do guardanapo como astros em torno de seu sol e esta Santa Verônica, com seu quádruplo olhar, incitava-os a fugir, além dos limites da arte, até os confins da vida.

Guillaume Apollinaire