voltaremos aos altares para os destruirmos

O tempo chegou – desceremos através da Espiral – a dos Tempos.

O ponto central da espiral, é também a do abismo – do Conhecimento.

O abismo é o caminho que os Adeptos almejam alcançar (deverão passar) – a Grande Cidade das Pirâmides.

Adentrando-nos nesse reino infernal e, caminhando em espiral, poderemos alcançar a capital do reino – para alguns, Infernal.

E esse reino representa a total reestruturação do sistema.

Para tal é necessário que superes as dualidades e te tornes um Mestre.

O Mito da descida, é o caminho. Aquele em que todos, no seu percurso, rumam ao interior do grande ciclo e, logicamente, iniciarão (tomarão em suas mãos) o outro.

São muitos os que nos seguirão.

Está escrito, nos muitos Livros e tal pensamento, patente nas muitas culturas: – uma nova Era surgirá!

Os calendários estão mortos.

Outros serão adoptados.

Outros.

Triângulo-a

Estruturados noutras frequências. Noutros ritmos.

Os do Tempo.

Os que provocarão uma outra ordem mental. A que nos convidará seguir a harmonia:

– A da natureza

– A da mente

– A dos ciclos (solar – lunar)…

Reordenaremos a nossa mente.

Valorizaremos o fluxo do calendário lunar, sua tradição iniciática.

Somos os filhos das “bruxas” e “magos” que a cristandade não conseguiu queimar nas suas fogueiras.

Estamos vivos e reivindicamos o regresso da “Grande Roda do Ano” com seus sabat e festividades lunares.

Reivindicamos as práticas da Bruxaria tradicional. A grande FESTA. Uma sociedade humanizada onde a criatividade e a liberdade são a grande chave.

Reivindicamos a absoluta liberdade. A liberdade é una. É um todo.

A liberdade é! – a “liberdade parcelar” não o é!

A liberdade e a criatividade irrompem. Espontaneamente.

Não há (não pode haver) “parcelas” de liberdade.

Há, tão só Liberdade.

É a Liberdade que desejamos. Que reivindicamos.

Quando as estrelas estiverem alinhadas eles voltarão para destruir o mundo. Os “Antigos” transportam consigo os nomes esquecidos e trarão, de novo, os poderes negados ou adormecidos.

Os poderes que residem no nosso interior – os quais não damos conta

Eles voltarão aos altares.

E Eles destruirão os altares.

A liberdade será reconquistada aos tiranos – A Grande Árvore será o nosso trono

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pataphisica

Qu’est ce que la ’Pataphysique

 

La plus vaste et la plus profonde des Sciences, celle qui d’ailleurs les contient toutes en elle-même, qu’elles le veuillent ou non, la Pataphysique ou science des solutions imaginaires a été illustrée par Alfred Jarry dans l’admirable personne du Docteur Faustroll. Les Gestes et Opinions du Docteur Faustroll, pataphysicien, écrits en 1897-1898 et parus en 1911 (après la mort de Jarry) contiennent à la fois les Principes et les Fins de la Pataphysique, science du particulier, science de l’exception (étant bien entendu qu’il n’y a au monde que des exceptions, et que la «règle» est précisément une exception à l’exception ; quant à l’univers, Faustroll le définissait «ce qui est l’exception de soi».)

Cette Science, à laquelle Jarry avait voué sa vie, les hommes la pratiquent tous sans le savoir. Ils se passeraient plus facilement de respirer. Nous trouvons la Pataphysique dans les Sciences Exactes ou Inexactes (ce qu’on n’ose avouer), dans les Beaux-Arts et les Laids, dans les Activités et Inactivités Littéraires de toutes sortes. Ouvrez le journal, voyez la télévision, parlez: Pataphysique !

 

La Pataphysique est la substance même de ce monde.

(in: Novum Organum du Collège de ’Pataphysique)

livre-faustroll

a criação do “superior instituto de altos estudos patafísicos da nova lusitânia” é uma realidade. já.
a sereníssima sub-comissão dos provedores gerais assim como as  transcomissões e satrapias apenas aguardam a tomada de posse dos excelsos catedráticos.
o “superior instituto de altos estudos patafísicos da nova lusitânia” estará apto a conferir os mais diversos títulos académicos aos seus estudantes…
a saber:
– bacharel titular em estudos patafísicos
– licenciatura-técnica em soluções imaginárias
– pós-graduação em máquinas de leitura (manipulação especializada)
– mestrados em alinhamentos e semi-virtualidades
– doutorados(mentos) em planos, círculos, excepções, plásticas, espirais, estéticas, seduções e outras formas e graças.
os grandesssissimos sátrapas e “enormissimos cornópios” (como diria cortázar) deste recanto europeu, foram já convidados.
aos nossos candidatos a estudiosos deste instituto publicamos aqui alguns documentos – trabalhos  de casa…

calendário perpétuo do dr. faustrol – permite-nos reconhecer as diversas festas supremas e também as do grande vaziu (comuns).

Festas Supremas – principais principais:

ONTOGÉNIE PATAPHYSIQUE

Festas Supremas principais secundárias:
NAVEGAÇÃO DO Dr FAUSTROLL

Festas Supremas secundárias:
FESTA DOS POLIEDROS

Festas Supremas de terceiro grau:
FESTA DA CANDEIA VERDE

Festas Supremas de quarto grau:
St Alambique – “o abstracto”

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Irei descer Voltarei aos altares

aaa-demo

O tempo chegou – desceremos através da Espiral – a dos Tempos.

O ponto central da espiral, é também a do abismo – do Conhecimento.

O abismo é o caminho que os Adeptos almejam alcançar (deverão passar) – a Grande Cidade das Pirâmides.

Adentrando-nos nesse reino infernal e, caminhando em espiral, poderemos alcançar a capital do reino – para alguns, Infernal.

E esse reino representa (pode representar) a total reestruturação do sistema.

Para tal é necessário que superes as dualidades e te tornes um Mestre.

O Mito da descida, é o caminho. Aquele em que todos, no seu percurso, rumam ao interior do grande ciclo e, logicamente, iniciarão (tomarão em suas mãos) o outro.

São muitos os que nos seguirão.

Está escrito, nos muitos Livros e tal pensamento, patente nas muitas culturas: – uma nova Era surgirá!

Os calendários estão mortos.

Outros serão adoptados.

Outros.

Estruturados noutras frequências. Noutros ritmos.

Os dos Tempo.

Os que provocarão uma outra ordem mental. A que nos convidará seguir a harmonia:

– A da natureza

– A da mente

– A dos ciclos (solar – lunar)…

Reordenaremos a nossa mente.

Valorizaremos o fluxo do calendário lunar, sua tradição iniciática.

Somos os filhos das “bruxas” e “magos” que a cristandade não conseguiu queimar nas suas fogueiras.

Estamos vivos e reivindicamos o regresso da “Grande Roda do Ano” com seus sabat e festividades lunares.

Reivindicamos as práticas da Bruxaria tradicional. A grande FESTA. Uma sociedade humanizada onde a criatividade e a liberdade são a grande chave.

Reivindicamos a absoluta liberdade. A liberdade é una. É um todo.

A liberdade é! – a “liberdade parcelar” não o é!

A liberdade e a criatividade irrompem. Espontaneamente.

Não há (não pode haver) “parcelas” de liberdade.

Há, tão só Liberdade.

É a Liberdade que desejamos. Que reivindicamos.

Quando as estrelas estiverem alinhadas eles voltarão para destruir o mundo. Os “Antigos” transportam consigo os nomes esquecidos e trarão, de novo, os poderes negados ou adormecidos.

Os poderes que residem no nosso interior – os quais não damos conta

Eles voltarão aos altares.

E Eles destruirão os altares.

A liberdade será reconquistada aos tiranos – A Grande Árvore será o nosso trono

as ervas as bruxas e alguns bruxedos

Como Usar as Ervas – Mágicas

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Usar ervas mágicas é relativamente simples!
Mas atenção!… Algumas das ervas, que indicamos neste apontamento, são venenosas. Há que ter as cautelas necessárias antes de as usar.

Assim e para o uso correcto das ervas mágicas, devemos colocá-las num saquinho feito com veludo preto ou em couro (igualmente negro).
O saquinho é (passa a ser) um amuleto – mágico. Assim sendo, passa a ser objecto de transporte pessoal.

Secar e, eventualmente, deixar as ervas penduradas em espaços de sua casa também poderá ser uma forma poderosa de atrair as forças mágicas dessas ervas.

As ervas que se relacionam com amor, podem ser reduzidas à pó. Nesse caso, poderemos soprar sobre a pessoa que desejamos ou usar o pó para conquistar alguém…

O Poder mágico das plantas

Para assuntos relacionados com negócios: benjoim, canela, cravos da índia, louro;

Para assuntos relacionados com a adivinhação: alecrim, anis estrelado, artemísia, canela, freixo, louro, noz-moscada, rosa, sândalo;

Para assuntos relacionados com a fertilidade: carvalho, girassol, mandrágora, noz, papoula, pinho, romã, roseira;

Para assuntos relacionados com a cura: alecrim, arruda, canela, cardo bento, cravo, eucalipto, freixo, hortelã, lavanda, maçã, mirra, narciso, rosa, salva, violeta;

Para assuntos relacionados com o amor: alecrim, canela, cominho, coentro, jasmim, laranja, lavanda, limão, lírio, maçã, manjericão, verbena, violeta;

Para assuntos relacionados com dinheiro: amêndoa, artemísia, brionia, camomila, cravo, jasmim, madressilva, manjericão, menta, trigo;

Para assuntos relacionados com protecção: alecrim, angélica, arruda, boca de leão, artemísia, erva doce, freixo, louro, verbena, visgo;

Para assuntos relacionados com purificação: açafrão, alfazema, alecrim, anis, arruda, hortelã, lavanda, limão, louro, mirra, sabugueiro, sândalo, sangue de dragão.

bruxas2

As Ervas

A

Alecrim (Rosmarinus officinalis)

. Planeta: Sol
. Elemento: Fogo
Usado em encantamentos de proteção, ajuda nos estudos. Devemos lavar as mãos com uma infusão de alecrim (tal acto substitui o banho de purificação). Podemos beber um chá de alecrim antes de fazer um exame ou uma entrevista de trabalho para abrir a mente. O chá de alecrim é óptimo para trazer ânimo.
Esta infusão está ligada à fidelidade, ao amor, às lembranças felizes. O cheiro de alecrim mantém a pessoa alegre, é pois um símbolo de amizade.

Açafrão (Crocus sativus)

. Planeta: Sol
. Elemento: Fogo
Usado em rituais de prosperidade e cura.

Alho (Allium sativum)

. Planeta: Marte
. Elemento: Fogo
Erva extremamente protectora. Pode ser pendurado em casa como elemento protector. É também utilizado para ritos de exorcismo. Os antigos gregos colocavam o bolbo do alho sobre um amontoado de pedras numa encruzilhada – uma oferenda à deusa Hécate.

Amêndoas (Prunus amygdalus [doce] Amygdalus communis [amarga])

Na antiguidade as amêndoas eram conhecidas para prevenir a intoxicação, na idade média as amêndoas eram adicionadas às refeições com esse mesmo propósito. Além disso, a amêndoa é consumida para despertar a inteligência.

Angélica (Angelica archanegelica)

. Planeta: Sol
. Elemento: Fogo
A raiz da angélica guardada num saquinho de tecido azul funciona como um poderoso talismã protector.
A raiz também pode ser colocada num saquinho de tecido branco pendurado na janela para proteger, casa e pessoas que moram nela, de todo o mal.

Anis (Pimpinela anisum)

. Planeta: Júpiter
. Elemento: Ar
Usado para protecção. Um travesseiro feito com anis, proporciona um sono tranquilo e sem pesadelos.
É considerado um óptimo protector contra o mau olhado.

Avelã (Corylus spp.)

. Planeta: Sol
. Elemento: Ar
A madeira é apropriada para fazer qualquer tipo de bastão. Óptimo encantamento para nos trazer sorte. Fazer uma cruz solar amarrando 2 galhos juntos com um cordão vermelho ou dourado torna a acção mais eficaz.

bruxas3

B

Bálsamo de Gilead (Populus candicans)

. Planeta: Saturno
O botão pode ser usado na cura – por exemplo um coração partido. Também é usado noutros feitiços de amor e proteção.

Basílico (Ocimum basilicum)

. Planeta: Marte
. Elemento: Fogo
Usado em rituais que privilegiam a riqueza e a prosperidade. Pode ser carregada no bolso para atrair riqueza.
Acreditava-se que a mulher poderia impedir a infidelidade do marido salpicando basílico no seu corpo.

Baunilha (Vanilla aromatica ou Vanilla planifolia)

. Planeta: Júpiter
. Elemento: Fogo
Usado nos encantamentos de amor. O óleo de baunilha tem função afrodisíaca.

Benjoim (Styrax benzoin)

. Planeta: Sol
. Elemento: Ar
Usado como incenso de purificação.

bruxas3

C

Camomila (Anthemis noblis)

. Planeta: Sol
. Elemento: Água
Usado nos encantamentos e rituais de prosperidade. Estimula o sono. O chá acalma e tranquiliza. Pode ser muito útil quando de um ritual ou em situações de raiva ou, mesmo, agonia.
Lavar o rosto e as mãos com camomila atrai a relação amorosa.

Canela (Cinnamonum zeylanicum)

. Planeta: Sol
. Elemento: Fogo
Pode ser usado como incenso para a cura, para a clarividência e para as vibrações espirituais. É conhecida como poderoso afrodisíaco. Também usada em feitiços de prosperidade ou feitiços de amor.

Carvalho (Quercus alba)

. Planeta: Sol
. Elemento: Fogo
Árvore sagrada em muitas culturas. Queimar folhas de carvalho purifica. A madeira é usada para fazer bastões de todos os tipos. O fruto do carvalho pode ser usado para fazer encantamentos de fertilidade, preserva a juventude e evita doenças. O homem pode usar o fruto de carvalho para aumentar a potência sexual.

Cebola (Allium cepa)

. Planeta: Marte
. Elemento: Fogo
Usado para proteger e curar.

Cipreste (Cupressus spp.)

. Planeta: Saturno
. Elemento: Terra
A fumaça do cipreste pode ser usada para consagrar instrumentos mágicos.

Coentro (Coriandrum sativum)

. Planeta: Marte
. Elemento: Fogo
Usado em feitiços de amor.

Cominho (Carum carvi)

. Planeta: Mercúrio
. Elemento: Ar
Usado em encantamentos de amor – atrai a pessoa amada.

Cravo (Dianthus caryophyllus)

. Planeta: Sol
. Elemento: Fogo
Na época da inquisição as bruxas carregavam o cravo consigo para prevenir-se contra a captura ou enforcamento. Gera energia no ritual quando usado como incenso.

bruxas3

D

Dill (Anethum graveolens)

. Planeta: Mercúrio
. Elemento: Fogo
Usado em feitiços de amor. Pendurado nos quartos de crianças protege-as. Na antiguidade o dill era usado para proteger pessoas contra os malefícios e bruxedos.

bruxas3

E

Espinheiro (Crataegus oxyacantha)

. Planeta: Marte
. Elemento: Fogo
Muito usado em “saquinhos” de proteção. Na antiga Grécia e Roma, era associado à felicidade em ligações amorosas.
Pode ser queimado como incenso para proporcionar energia e dinamismo ou em momentos de reflexão.

Eucalipto (Eucalyptus globulus)

. Planeta: Lua
. Elemento: Ar
Usado em rituais de cura e feitiços de todos os tipos. Pode ser utilizado para cura colocando as folhas em volta de uma vela azul e queimá-las. Também pode ser pendurada em volta do pescoço – cura de resfriados e dores de garganta.

bruxas3

F

Freixo (Fraxinus excelsior)

. Planeta: Sol
. Elemento: Água
Usado na feitura de vassouras e bastões de cura. As folhas deixadas por baixo do travesseiro auxiliam na concretização de sonhos psíquicos. A folha pode ser trazida no bolso para atrair a fortuna.

bruxas3

G

Gardénia (Gardenia spp.)

. Planeta: Lua
. Elemento: Água
Use as flores para atrais amor.

Girassol (Helianthus annus)

. Planeta: Sol
. Elemento: Fogo
Traz as bênçãos do Sol – no espaço onde cresce.

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H

Hera (Hedera spp.)

. Planeta: Saturno
. Elemento: Água
Guarda e protege a casa.

Hortelã (Mentha piperata)

. Planeta: Vénus
. Elemento: Ar
Usada nos encantamentos de cura. Tomar banho com hortelã é óptimo -pode ser usada como incenso.

bruxas3

I

Íris (Iris florentina ou Iris germanica)

. Planeta: Vénus
. Elemento: Água
Usado em feitiços de amor, banhos e incenso.

bruxas3

J

Jasmin (Jasminum officinale ou Jasminum odoratissimum)

. Planeta: Júpiter
. Elemento: Terra.
Usado em feitiços de amor.

Junípero (Juniperus communis)
. Planeta: Sol
. Elemento: Fogo
O ramo de junípero é usado para evitar acidentes. O grão seco atrai o amor. Esta planta protege a casa contra o roubo.

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L

Laranja (Citrus sinesis)

. Planeta: Sol
. Elemento: Água
A casca seca de laranja é usada em feitiços de amor e fertilidade, ou como incenso solar. É um símbolo tradicionalmente chinês de sorte e prosperidade.

Lavanda (Lavendula vera ou Lavendula officinale)

. Planeta: Mercúrio
. Elemento: Ar
Usado em banhos ou incenso de purificação. Jogar lavanda ao fogo no solstício de verão é um tributo aos Deuses, dá-nos visão e inspiração. Usado também em banhos para curar e para atrair o homem (objecto de desejo). O perfume da Lavanda induz ao sono. Excelente para nos dar claridade e coerência em trabalhos mágicos e concentração.

Louro (Lauris noblis)

. Planeta: Sol
. Elemento: Fogo
Na Antiga Grécia as folhas de louro eram usadas nas coroas dos vitoriosos no atletismo ou nos concursos de poesia. As folhas podem ser queimadas ou mastigadas para induzir visões. Usado como amuleto para protecção das forças negativas. As folhas deixadas por baixo do travesseiro induzem a sonhos proféticos. Pode ser usado em rituais de protecção e purificação. Manter um pé de louro em casa protege, todos os que nela moram, de doenças.

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M

Mandrágora (Mandragora officinarum)

. Planeta: Mercúrio
. Elemento: Terra
Uma erva muito poderosa para proteger o Lar. A raiz pode ser usada para curar a impotência masculina. Para carregar a mandrágora com seu poder pessoal, deixe-a em sua cama durante 3 dias durante a lua cheia. Usada também para dar coragem.

Manjerona (Origanum majorana)

. Planeta: Mercúrio
. Elemento: Ar
Usado em feitiços de amor. Coloque um pedaço dessa erva em todos os cómodos da casa como protecção.

Margarida (Bellis perennis)

As margaridas estão associadas as celebrações da primavera e do verão: decorar a casa na noite do solstício de verão, traz felicidade para o lar e atrai as fadas.

Maçã (Pyrus malus)

. Planeta: Vênus
. Elemento: Água
Muito usada em feitiços de amor há milhares de anos. O suco da maçã pode substituir o vinho quando realizar um feitiço ou ritual. A madeira da macieira pode ser usada para fazer bastões e em feitiços de amor.

Meimendro (Hyoscyamus niger)

. Planeta: Saturno
. Elemento: Água
Venenoso. Usado para atrair o amor de uma mulher. Também usado em adivinhação salpicando meimendro na água.

Mirra (Commiphoria myrrha)

. Planeta: Sol
. Elemento: Água
Usado como incenso protector e purificador. Também pode ser usado para consagrar instrumentos mágicos.

Murta (Myrica cerifera)

. Planeta: Vénus
. Elemento: Água
Sagrado a Vénus – é usado em feitiços de amor e de todos os tipos. Ter murta em casa atrai a sorte. Use as folhas de murta para atrair amor, e a madeira para preservar a juventude. A madeira é boa para os encantamentos.

bruxas3

N

Noz (Juglans regia)

. Planeta: Sol
. Elemento: Fogo
Use a noz em encantamentos para promover a fertilidade e fortalecer o coração.

Noz-moscada (Myristica fragrans)
. Planeta: Júpiter
. Elemento: Ar
Usado para reforçar a clarividência prevenir reumatismo. Sonhar com noz-moscada significa mudanças na vida do sonhador.

bruxas3

O

Olíbano (Boswellia carterii)

. Planeta: Sol
. Elemento: Fogo
Seu perfume é muito poderoso – auxilia nas meditações. Usado como incenso para protecção.

Oliva (Olea europaea)

Sagrado para Atenas. É um símbolo de paz e prosperidade.

bruxas3

P

Patchouli (Pogostemon cablin ou Pogostemon patchouli)

. Planeta: Sol
. Elemento: Terra
Erva afrodisíaca, também atrai amor.

Pimenta (Capsicum spp.)

. Planeta: Marte
. Elemento: Fogo
Usado em feitiços de proteção.

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R

Rosa (Rosa spp.)

. Planeta: Vénus
. Elemento: Água
Beba um chá de rosas para ter sonhos adivinhatórios, ou para privilegiar a beleza. A rosa pode ser, também, Usada como incenso ou em encantamentos, para dormir, atrair amor e curar. Sonhar com rosas significa, sucesso no amor, fortuna.

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S

Sabugueiro (Sambucus canadensis)

. Planeta: Vénus
. Elemento: Ar
Os galhos podem ser usados para fazer varinhas mágicas.

Salgueiro (Salis alba)

. Planeta: Lua
. Elemento: Terra
Os bastões feitos com a madeira do salgueiro têm a propriedade de cura. O salgueiro traz bênçãos da Lua para aqueles que o têm. O salgueiro pode ser usado para fazer a vassoura mágica. Tanto as folhas quanto a madeira.

Salsa (Carum petroselinum)

. Planeta: Mercúrio
. Elemento: Ar
Na antiga Grécia e Roma era um símbolo de morte, e era usada nas coroas de flores em túmulos. Era consagrada a Perséfone e usada em ritos funerários.

Sálvia (Salvia officinalis)

. Planeta: Júpiter
. Elemento: Terra
Usado em encantamentos de cura e prosperidade. Promove a longevidade e saúde.

Samambaia

. Planeta: Saturno
. Elemento: Terra
É uma planta extremamente poderosa para a proteção da casa.

Sândalo (Santalum album)

. Planeta: Lua
. Elemento: Ar
Usado como incenso para purificar, curar e proteger.

Sangue de Dragão (Daemonorops draco ou Dracaena draco)

. Planeta: Marte
. Elemento: Fogo
Usado em feitiços de amor e proteção. Um pedaço colocado debaixo da cama ajuda a curar a impotência.
Carregue um pedaço para ter sorte. Pode ser dissolvido e usado no banho para uma poderosa purificação. O sangue de dragão também é usado na feitura de tinta mágica.

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T

Tília (Tilia europaea)

. Planeta: Júpiter
Associado ao amor conjugal e a longevidade.

Tomilho (Thymus vulgaris)

. Planeta: Vénus
. Elemento: Ar
Usado como incenso purificador, banhos mágicos de limpeza. Pode ser inalado para refrescar e renovar a energia. Use para se defender contra as forças negativas. Esta planta traz inspiração e coragem.

Trevo (Trifolium spp.)

. Planeta: Mercúrio
Associado à Deusa Tríplice. Usado em rituais de beleza e juventude. O trevo de quatro folhas, pode ser usado para ver fadas, curar doenças, e em feitiços de boa sorte. Sonhar com trevo significa fortuna, principalmente para pessoas jovens.

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U

Urtiga (Urtica dioica)

. Planeta: Marte
. Elemento: Fogo
Encha um pote com urtiga para lançar más vibrações e maldições de volta a quem as mandou. Usado também em feitiços de protecção e para incentivar a coragem. Foi considerado como antídoto contra vários venenos.

o louco

… os mercadores procedentes dos mais longínquos países, oferecem-nos, no paraíso, produtos exóticos de todo o tipo…
frescas frutas e verduras que, com esmero, os cozinheiros prepararão para nosso repasto
recuperarão as antigas receitas, as que as tribos de antanho já cozinhavam quando dos seus ritos ao Sol
jóias e finas sedas embelezarão nossos corpos
mágicos, actores, e marionetistas exibirão os seus melhores momentos de criatividade
poetas e músicos converterão a viagem ao grande sabat num encantador passeio
e
pronto,

esta introdução ao canhenho de notas do nosso irmão, podemos ficar por aqui. ainda que muito mais pudesse ser dito,
porém, devido ao adiantado da hora…

deixamos este espaço em branco para vossa reflexão

preto 1

porque o silêncio e a alvura do papel são, talvez, dos melhores signos da alegria

claro que sim…

o autor destas linhas, é um dos guerreiros que não nos deixa esquecer que a principal fonte de energia somos nós próprios – a sua obra tem despertado uma intensa emoção em toda a irmandade

que os deuses velem por ele

 S” ¯Å  S” ¯Å

negro2

sabemos que
toda a verdade é relativa
e
que o de antes volta a tornar-se presente graças ao
rito ………………………………………………………….
………………………………………………………….
………………………………………………………….
………………………………………………………….
………………………………………………………….
………………………………………………………….
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………………………………………………………….
………………………………………………………….
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………………………………………………………….
……………………………e
regressamos sempre
dominados pela ansiedade de saber
decifrar o oculto

há sempre
algo que se nos escapa
de que necessitamos
e ……………………………………………………….
………………………………………………………….
………………………………………………………….
………………………………………………………….
………………………………………………………….
………………………………………………………….
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………………………………………………………….
………………………………………………………….
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………………………………………………………….
………………………………………………………….
………………………………………………………….
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………………………………………………………….
………………………………………………………….
………………………………………………………….
…………………………..introduzir
o_fascínio_no_campo_de_manobras
aglutinação .
pôr
do lado de .
do lado de . pôr
aplicações .
e
os objectos
ao tocarem-se transmitem o seu significado .
suas
estratégias de composição .
fragmentos .
adição
versus subtracção .
um
processo
de agregação contínua de materiais,
que de
forma
táctil se fundem .

na acumulação .
na substituição ……………………………………..
………………………………………………………….
………………………………………………………….
………………………………………………………….
………………………………………………………….
………………………………………………………….
………………………………………………………….
………………………………………………………….
………………………………………………………….
………………………………………………………….
………………………………………………………….
………………………………………………………….
………………………………………………………….
………………………………………………………….

negro-pedras2

………………………….. e
o louco é a
lâmina que abre e fecha o livro (o alfa e o omega)
ele é a transgressão ao estabelecido
não numerado
o louco
é aquela parte de nós
bastante sábia para se extasiar diante do mistério da criação
e
bastante audaz para se lançar à aventura
o louco
conforma-se com uma nova forma de viver a noite
e
tudo começou …………………………………… um dia
muito antes de terem nascido os deuses
…………………………………………………………………
………………………………………………………………….
………………………………………………………………….
………………………………………………………………….
………………………………………………………………….
………………………………………………………………….
………………………………………………………………….
………………………………………………………………….

uma carta de fernando pessoa – sobre os heteronimos

paessoa-A

Adolfo Casais Monteiro
Caixa Postal 147
Lisboa, 13 de Janeiro de 1935.

“Meu prezado Camarada:

Muito agradeço a sua carta, a que vou responder imediata e integralmente. Antes de, propriamente, começar, quero pedir-lhe desculpa de lhe escrever neste papel de cópia. Acabou-se-me o decente, é domingo, e não posso arranjar outro. Mas mais vale, creio, o mau papel que o adiamento.

Em primeiro lugar, quero dizer-lhe que nunca eu veria «outras razões» em qualquer coisa que escrevesse, discordando, a meu respeito. Sou um dos poucos poetas portugueses que não decretou a sua própria infalibilidade, nem toma qualquer crítica, que se lhe faça, como um acto de lesa-divindade. Além disso, quaisquer que sejam os meus defeitos mentais, é nula em mim a tendência para a mania da perseguição. À parte isso, conheço já suficientemente a sua independência mental, que, se me é permitido dizê-lo, muito aprovo e louvo. Nunca me propus ser Mestre ou Chefe-Mestre, porque não sei ensinar, nem sei se teria que ensinar; Chefe, porque nem sei estrelar ovos. Não se preocupe, pois, em qualquer ocasião, com o que tenha que dizer a meu respeito. Não procuro caves nos andares nobres.

Concordo absolutamente consigo em que não foi feliz a estreia, que de mim mesmo fiz com um livro da natureza de «Mensagem». Sou, de facto, um nacionalista místico, um sebastianista racional. Mas sou, à parte isso, e até em contradição com isso, muitas outras coisas. E essas coisas, pela mesma natureza do livro, a «Mensagem» não as inclui.

Comecei por esse livro as minhas publicações pela simples razão de que foi o primeiro livro que consegui, não sei porquê, ter organizado e pronto. Como estava pronto, incitaram-me a que o publicasse: acedi. Nem o fiz, devo dizer, com os olhos postos no prémio possível do Secretariado, embora nisso não houvesse pecado intelectual de maior. O meu livro estava pronto em Setembro, e eu julgava, até, que não poderia concorrer ao prémio, pois ignorava que o prazo para entrega dos livros, que primitivamente fora até fim de Julho, fora alargado até ao fim de Outubro. Como, porém, em fim de Outubro já havia exemplares prontos da «Mensagem», fiz entrega dos que o Secretariado exigia. O livro estava exactamente nas condições (nacionalismo) de concorrer. Concorri.

Quando às vezes pensava na ordem de uma futura publicação de obras minhas, nunca um livro do género de «Mensagem» figurava em número um. Hesitava entre se deveria começar por um livro de versos grande — um livro de umas 350 páginas — , englobando as várias subpersonalidades de Fernando Pessoa ele mesmo, ou se deveria abrir com uma novela policiária, que ainda não consegui completar.
Concordo consigo, disse, em que não foi feliz a estreia, que de mim mesmo fiz, com a publicação de «Mensagem». Mas concordo com os factos que foi a melhor estreia que eu poderia fazer. Precisamente porque essa faceta — em certo modo secundária — da minha personalidade não tinha nunca sido suficientemente manifestada nas minhas colaborações em revistas (excepto no caso do Mar Português parte deste mesmo livro) — precisamente por isso convinha que ela aparecesse, e que aparecesse agora. Coincidiu, sem que eu o planeasse ou o premeditasse (sou incapaz de premeditação prática), com um dos momentos críticos (no sentido original da palavra) da remodelação do subconsciente nacional. O que fiz por acaso e se completou por conversa, fora exactamente talhado, com Esquadria e Compasso, pelo Grande Arquitecto.

(Interrompo. Não estou doido nem bêbado. Estou, porém, escrevendo directamente, tão depressa quanto a máquina mo permite, e vou-me servindo das expressões que me ocorrem, sem olhar a que literatura haja nelas. Suponha — e fará bem em supor, porque é verdade — que estou simplesmente falando consigo).

Respondo agora directamente às suas três perguntas: (1) plano futuro da publicação das minhas obras, (2) génese dos meus heterónimos, e (3) ocultismo.

Feita, nas condições que lhe indiquei, a publicação da «Mensagem» , que é uma manifestação unilateral, tenciono prosseguir da seguinte maneira. Estou agora completando uma versão inteiramente remodelada do Banqueiro Anarquista, essa deve estar pronta em breve e conto, desde que esteja pronta, publicá-la imediatamente. Se assim fizer, traduzo imediatamente esse escrito para inglês, e vou ver se o posso publicar em Inglaterra. Tal qual deve ficar, tem probabilidades europeias. (Não tome esta frase no sentido de Prémio Nobel imanente). Depois — e agora respondo propriamente à sua pergunta, que se reporta a poesia — tenciono, durante o verão, reunir o tal grande volume dos poemas pequenos do Fernando Pessoa ele mesmo, e ver se o consigo publicar em fins do ano em que estamos. Será esse o volume que o Casais Monteiro espera, e é esse que eu mesmo desejo que se faça. Esse, então, será as facetas todas, excepto a nacionalista, que «Mensagem» já manifestou.

Referi-me, como viu, ao Fernando Pessoa só. Não penso nada do Caeiro, do Ricardo Reis ou do Álvaro de Campos. Nada disso poderei fazer, no sentido de publicar, excepto quando (ver mais acima) me for dado o Prémio Nobel. E contudo — penso-o com tristeza — pus no Caeiro todo o meu poder de despersonalização dramática, pus em Ricardo Reis toda a minha disciplina mental, vestida da música que lhe é própria, pus em Álvaro de Campos toda a emoção que não dou nem a mim nem à vida. Pensar, meu querido Casais Monteiro, que todos estes têm que ser, na prática da publicação, preteridos pelo Fernando Pessoa, impuro e simples!
Creio que respondi à sua primeira pergunta.

Se fui omisso, diga em quê. Se puder responder, responderei. Mais planos não tenho, por enquanto. E, sabendo eu o que são e em que dão os meus planos, é caso para dizer, Graças a Deus!

Passo agora a responder à sua pergunta sobre a génese dos meus heterónimos. Vou ver se consigo responder-lhe completamente.
Começo pela parte psiquiátrica. A origem dos meus heterónimos é o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histero-neurasténico. Tendo para esta segunda hipótese, porque há em mim fenómenos de abulia que a histeria, propriarmente dita, não enquadra no registo dos seus sintomas. Seja como for, a origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação. Estes fenómenos — felizmente para mim e para os outros — mentalizaram-se em mim; quero dizer, não se manifestam na minha vida prática, exterior e de contacto com outros; fazem explosão para dentro e vivo — os eu a sós comigo. Se eu fosse mulher — na mulher os fenómenos histéricos rompem em ataques e coisas parecidas — cada poema de Álvaro de Campos (o mais histericamente histérico de mim) seria um alarme para a vizinhança. Mas sou homem — e nos homens a histeria assume principalmente aspectos mentais; assim tudo acaba em silêncio e poesia…

Isto explica, tant bien que mal, a origem orgânica do meu heteronimismo. Vou agora fazer-lhe a história directa dos meus heterónimos. Começo por aqueles que morreram, e de alguns dos quais já me não lembro — os que jazem perdidos no passado remoto da minha infância quase esquecida.

Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. (Não sei, bem entendido, se realmente não existiram, ou se sou eu que não existo. Nestas coisas, como em todas, não devemos ser dogmáticos). Desde que me conheço como sendo aquilo a que chamo eu, me lembro de precisar mentalmente, em figura, movimentos, carácter e história, várias figuras irreais que eram para mim tão visíveis e minhas como as coisas daquilo a que chamamos, porventura abusivamente, a vida real. Esta tendência, que me vem desde que me lembro de ser um eu, tem-me acompanhado sempre, mudando um pouco o tipo de música com que me encanta, mas não alterando nunca a sua maneira de encantar.

Lembro, assim, o que me parece ter sido o meu primeiro heterónimo, ou, antes, o meu primeiro conhecido inexistente — um certo Chevalier de Pas dos meus seis anos, por quem escrevia cartas dele a mim mesmo, e cuja figura, não inteiramente vaga, ainda conquista aquela parte da minha afeição que confina com a saudade. Lembro-me, com menos nitidez, de uma outra figura, cujo nome já me não ocorre mas que o tinha estrangeiro também, que era, não sei em quê, um rival do Chevalier de Pas… Coisas que acontecem a todas as crianças? Sem dúvida — ou talvez. Mas a tal ponto as vivi que as vivo ainda, pois que as relembro de tal modo que é mister um esforço para me fazer saber que não foram realidades.

Esta tendência para criar em torno de mim um outro mundo, igual a este mas com outra gente, nunca me saiu da imaginação. Teve várias fases, entre as quais esta, sucedida já em maioridade. Ocorria-me um dito de espírito, absolutamente alheio, por um motivo ou outro, a quem eu sou, ou a quem suponho que sou. Dizia-o, imediatamente, espontaneamente, como sendo de certo amigo meu, cujo nome inventava, cuja história acrescentava, e cuja figura — cara, estatura, traje e gesto — imediatamente eu via diante de mim. E assim arranjei, e propaguei, vários amigos e conhecidos que nunca existiram, mas que ainda hoje, a perto de trinta anos de distância, oiço, sinto, vejo. Repito: oiço, sinto vejo… E tenho saudades deles.

(Em eu começando a falar — e escrever à máquina é para mim falar — , custa-me a encontrar o travão. Basta de maçada para si, Casais Monteiro! Vou entrar na génese dos meus heterónimos literários, que é, afinal, o que V. quer saber. Em todo o caso, o que vai dito acima dá-lhe a história da mãe que os deu à luz).

Aí por 1912, salvo erro (que nunca pode ser grande), veio-me à ideia escrever uns poemas de índole pagã. Esbocei umas coisas em verso irregular (não no estilo Álvaro de Campos, mas num estilo de meia regularidade), e abandonei o caso. Esboçara-se-me, contudo, numa penumbra mal urdida, um vago retrato da pessoa que estava a fazer aquilo. (Tinha nascido, sem que eu soubesse, o Ricardo Reis).
Ano e meio, ou dois anos depois, lembrei-me um dia de fazer uma partida ao Sá-Carneiro — de inventar um poeta bucólico, de espécie complicada, e apresentar-lho, já me não lembro como, em qualquer espécie de realidade. Levei uns dias a elaborar o poeta mas nada consegui. Num dia em que finalmente desistira — foi em 8 de Março de 1914 — acerquei-me de uma cómoda alta, e, tomando um papel, comecei a escrever, de pé, como escrevo sempre que posso. E escrevi trinta e tantos poemas a fio, numa espécie de êxtase cuja natureza não conseguirei definir. Foi o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim. Abri com um título, O Guardador de Rebanhos. E o que se seguiu foi o aparecimento de alguém em mim, a quem dei desde logo o nome de Alberto Caeiro. Desculpe-me o absurdo da frase: aparecera em mim o meu mestre. Foi essa a sensação imediata que tive. E tanto assim que, escritos que foram esses trinta e tantos poemas, imediatamente peguei noutro papel e escrevi, a fio, também, os seis poemas que constituem a Chuva Oblíqua, de Fernando Pessoa. Imediatamente e totalmente… Foi o regresso de Fernando Pessoa Alberto Caeiro a Fernando Pessoa ele só. Ou, melhor, foi a reacção de Fernando Pessoa contra a sua inexistência como Alberto Caeiro.

Aparecido Alberto Caeiro, tratei logo de lhe descobrir — instintiva e subconscientemente — uns discípulos. Arranquei do seu falso paganismo o Ricardo Reis latente, descobri-lhe o nome, e ajustei-o a si mesmo, porque nessa altura já o via. E, de repente, e em derivação oposta à de Ricardo Reis, surgiu-me impetuosamente um novo indivíduo. Num jacto, e à máquina de escrever, sem interrupção nem emenda, surgiu a Ode Triunfal de Álvaro de Campos — a Ode com esse nome e o homem com o nome que tem.

Criei, então, uma coterie inexistente. Fixei aquilo tudo em moldes de realidade. Graduei as influências, conheci as amizades, ouvi, dentro de mim, as discussões e as divergências de critérios, e em tudo isto me parece que fui eu, criador de tudo, o menos que ali houve. Parece que tudo se passou independentemente de mim. E parece que assim ainda se passa. Se algum dia eu puder publicar a discussão estética entre Ricardo Reis e Álvaro de Campos, verá como eles são diferentes, e como eu não sou nada na matéria.

Quando foi da publicação de «Orpheu», foi preciso, à última hora, arranjar qualquer coisa para completar o número de páginas. Sugeri então ao Sá-Carneiro que eu fizesse um poema «antigo» do Álvaro de Campos — um poema de como o Álvaro de Campos seria antes de ter conhecido Caeiro e ter caído sob a sua influência. E assim fiz o Opiário, em que tentei dar todas as tendências latentes do Álvaro de Campos, conforme haviam de ser depois reveladas, mas sem haver ainda qualquer traço de contacto com o seu mestre Caeiro. Foi dos poemas que tenho escrito, o que me deu mais que fazer, pelo duplo poder de despersonalização que tive que desenvolver. Mas, enfim, creio que não saiu mau, e que dá o Álvaro em botão…

Creio que lhe expliquei a origem dos meus heterónimos. Se há porém qualquer ponto em que precisa de um esclarecimento mais lúcido — estou escrevendo depressa, e quando escrevo depressa não sou muito lúcido — , diga, que de bom grado lho darei. E, é verdade, um complemento verdadeiro e histérico: ao escrever certos passos das Notas para recordação do meu Mestre Caeiro, do Álvaro de Campos, tenho chorado lágrimas verdadeiras. É para que saiba com quem está lidando, meu caro Casais Monteiro!

Mais uns apontamentos nesta matéria… Eu vejo diante de mim, no espaço incolor mas real do sonho, as caras, os gestos de Caeiro, Ricardo Reis e Alvaro de Campos. Construi-lhes as idades e as vidas. Ricardo Reis nasceu em 1887 (não me lembro do dia e mês, mas tenho-os algures), no Porto, é médico e está presentemente no Brasil. Alberto Caeiro nasceu em 1889 e morreu em 1915; nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão nem educação quase alguma. Álvaro de Campos nasceu em Tavira, no dia 15 de Outubro de 1890 (às 1.30 da tarde, diz-me o Ferreira Gomes; e é verdade, pois, feito o horóscopo para essa hora, está certo). Este, como sabe, é engenheiro naval (por Glasgow), mas agora está aqui em Lisboa em inactividade. Caeiro era de estatura média, e, embora realmente frágil (morreu tuberculoso), não parecia tão frágil como era. Ricardo Reis é um pouco, mas muito pouco, mais baixo, mais forte, mas seco. Álvaro de Campos é alto (1,75 m de altura, mais 2 cm do que eu), magro e um pouco tendente a curvar-se. Cara rapada todos — o Caeiro louro sem cor, olhos azuis; Reis de um vago moreno mate; Campos entre branco e moreno, tipo vagamente de judeu português, cabelo, porém, liso e normalmente apartado ao lado, monóculo. Caeiro, como disse, não teve mais educação que quase nenhuma — só instrução primária; morreram-lhe cedo o pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia-avó. Ricardo Reis, educado num colégio de jesuítas, é, como disse, médico; vive no Brasil desde 1919, pois se expatriou espontaneamente por ser monárquico. É um latinista por educação alheia, e um semi-helenista por educação própria. Álvaro de Campos teve uma educação vulgar de liceu; depois foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval. Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou o Opiário. Ensinou-lhe latim um tio beirão que era padre.

Como escrevo em nome desses três?… Caeiro por pura e inesperada inspiração, sem saber ou sequer calcular que iria escrever. Ricardo Reis, depois de uma deliberação abstracta, que subitamente se concretiza numa ode. Campos, quando sinto um súbito impulso para escrever e não sei o quê. (O meu semi-heterónimo Bernardo Soares, que aliás em muitas coisas se parece com Álvaro de Campos, aparece sempre que estou cansado ou sonolento, de sorte que tenha um pouco suspensas as qualidades de raciocínio e de inibição; aquela prosa é um constante devaneio. É um semi-heterónimo porque, não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e a afectividade. A prosa, salvo o que o raciocínio dá de ténue à minha, é igual a esta, e o português perfeitamente igual; ao passo que Caeiro escrevia mal o português, Campos razoavelmente mas com lapsos como dizer «eu próprio» em vez de «eu mesmo», etc., Reis melhor do que eu, mas com um purismo que considero exagerado. O difícil para mim é escrever a prosa de Reis — ainda inédita — ou de Campos. A simulação é mais fácil, até porque é mais espontânea, em verso).

Nesta altura estará o Casais Monteiro pensando que má sorte o fez cair, por leitura, em meio de um manicómio. Em todo o caso, o pior de tudo isto é a incoerência com que o tenho escrito. Repito, porém: escrevo como se estivesse falando consigo, para que possa escrever imediatamente. Não sendo assim, passariam meses sem eu conseguir escrever.

Falta responder à sua pergunta quanto ao ocultismo (escreveu o poeta). Pergunta-me se creio no ocultismo. Feita assim, a pergunta não é bem clara; compreendo porém a intenção e a ela respondo. Creio na existência de mundos superiores ao nosso e de habitantes desses mundos, em experiências de diversos graus de espiritualidade, subtilizando até se chegar a um Ente Supremo, que presumivelmente criou este mundo. Pode ser que haja outros Entes, igualmente Supremos, que hajam criado outros universos, e que esses universos coexistam com o nosso, interpenetradamente ou não. Por estas razões, e ainda outras, a Ordem Extrema do Ocultismo, ou seja, a Maçonaria, evita (excepto a Maçonaria anglo-saxónica) a expressão «Deus», dadas as suas implicações teológicas e populares, e prefere dizer «Grande Arquitecto do Universo», expressão que deixa em branco o problema de se Ele é criador, ou simples Governador do mundo. Dadas estas escalas de seres, não creio na comunicação directa com Deus, mas, segundo a nossa afinação espiritual, poderemos ir comunicando com seres cada vez mais altos. Há três caminhos para o oculto: o caminho mágico (incluindo práticas como as do espiritismo, intelectualmente ao nível da bruxaria, que é magia também), caminho místico, que não tem propriamente perigos, mas é incerto e lento; e o que se chama o caminho alquímico, o mais difícil e o mais perfeiro de todos, porque envolve uma transmutação da própria personalidade que a prepara, sem grandes riscos, antes com defesas que os outros caminhos não têm. Quanto a «iniciação» ou não, posso dizer-lhe só isto, que não sei se responde à sua pergunta: não pertenço a Ordem Iniciática nenhuma. A citação, epígrafe ao meu poema Eros e Psique, de um trecho (traduzido, pois o Ritual é em latim) do Ritual do Terceiro Grau da Ordem Templária de Portugal, indica simplesmente — o que é facto — que me foi permitido folhear os Rituais dos três primeiros graus dessa Ordem, extinta, ou em dormência desde cerca de 1881. Se não estivesse em dormência, eu não citaria o trecho do Ritual, pois se não devem citar (indicando a ordem) trechos de Rituais que estão em trabalho.

Creio assim, meu querido camarada, ter respondido, ainda com certas incoerências, às suas perguntas. Se há outras que deseja fazer, não hesite em fazê-las. Responderei conforme puder e o melhor que puder. O que poderá suceder, e isso me desculpará desde já, é não responder tão depressa.

Abraça-o o camarada que muito o estima e admira.

Fernando Pessoa

um TAROT de manuel almeida e sousa

propomos uma outra visão das cartas portuguesas (séculos XVII/XIX) – naipes  “dragão” o baralho poderá funcionar como cartas de jogo – todavia foi acrescido com  11 arcanos maiores, o que perfaz 52 cartas de um tarot a preto e branco projecto de Manuel Almeida e Sousa os ases 01-copas 01-espadas 01-ouros 01-paus os duques 02-copas 02-espadas 02-ouros 02-paus os ternos 03-copas 03-espadas 03-ouros 03-paus as quadras 04-copas 04-espadas 04-ouros 04-paus as quinas 05-copas 05-espadas 05-ouros 05-paus as senas 06-copas 06-espadas 06-ouros 06-paus as biscas 07-copas 07-espadas 07-ouros 07-paus os cavalos
08-copas08-espadas08-ouros08-paus


as damas
09-copas09-espadas09-ouros09-paus


os reis
10-copas10-espadas10-ouros10-paus


os arcanos maiores e as costas das cartas 11-ciclo 12-templo 15-sacerdotiza 16-principe.trevas 13-mago
17-sol 14-louco
18-lua 19-percurso 20-mundo 21-tore-ilusão 22-kostas

DESARTES DESASTRES

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a arte corporal do poeta é uma forma emergente, o que poderá justificar a ausência de elementos que marquem um estilo. esta acção, cujo suporte é o corpo, contém em si o rufar de tambores, pés e músculos – uma base. o chão. a terra. e os corpos como sombras, agitam-se em transe. o corpo e a terra… pluralidade numa relação de causa-efeito numa explosão de símbolos e signos. um entendimento único, absoluto, verdadeiro, dirigido ao espectáculo construído por “magos” e “bruxos” recuperadores (em processo) de rituais perdidos – um poema intenso, xamânico.

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nesta acção focalizada no corpo do artista, devemos abarcar outras morfologias contemporâneas como o vídeo arte, a mail art, a foto performance… porque, ainda que essas acções possam vir a não contar com o corpo do artista (de forma explícita, claro), elas são uma referência ao acto e à acção do actuante.

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partimos, pois, do princípio de que o trabalho artístico é o que é. não é pintura, teatro, metáfora ou qualquer outra coisa – é uma imagem num universo onde tudo são imagens. então, o corpo em movimento vibra, liberta o vapor que exala já o transe. o espectáculo, este espectáculo, ganha forma numa terra selvagem e os poetas-magos atraem a si as forças telúricas, no bater dos pés nus.

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texto de manuel almeida e sousa
imagem de performance de mandrágora