pataphisica

Qu’est ce que la ’Pataphysique

 

La plus vaste et la plus profonde des Sciences, celle qui d’ailleurs les contient toutes en elle-même, qu’elles le veuillent ou non, la Pataphysique ou science des solutions imaginaires a été illustrée par Alfred Jarry dans l’admirable personne du Docteur Faustroll. Les Gestes et Opinions du Docteur Faustroll, pataphysicien, écrits en 1897-1898 et parus en 1911 (après la mort de Jarry) contiennent à la fois les Principes et les Fins de la Pataphysique, science du particulier, science de l’exception (étant bien entendu qu’il n’y a au monde que des exceptions, et que la «règle» est précisément une exception à l’exception ; quant à l’univers, Faustroll le définissait «ce qui est l’exception de soi».)

Cette Science, à laquelle Jarry avait voué sa vie, les hommes la pratiquent tous sans le savoir. Ils se passeraient plus facilement de respirer. Nous trouvons la Pataphysique dans les Sciences Exactes ou Inexactes (ce qu’on n’ose avouer), dans les Beaux-Arts et les Laids, dans les Activités et Inactivités Littéraires de toutes sortes. Ouvrez le journal, voyez la télévision, parlez: Pataphysique !

 

La Pataphysique est la substance même de ce monde.

(in: Novum Organum du Collège de ’Pataphysique)

livre-faustroll

a criação do “superior instituto de altos estudos patafísicos da nova lusitânia” é uma realidade. já.
a sereníssima sub-comissão dos provedores gerais assim como as  transcomissões e satrapias apenas aguardam a tomada de posse dos excelsos catedráticos.
o “superior instituto de altos estudos patafísicos da nova lusitânia” estará apto a conferir os mais diversos títulos académicos aos seus estudantes…
a saber:
– bacharel titular em estudos patafísicos
– licenciatura-técnica em soluções imaginárias
– pós-graduação em máquinas de leitura (manipulação especializada)
– mestrados em alinhamentos e semi-virtualidades
– doutorados(mentos) em planos, círculos, excepções, plásticas, espirais, estéticas, seduções e outras formas e graças.
os grandesssissimos sátrapas e “enormissimos cornópios” (como diria cortázar) deste recanto europeu, foram já convidados.
aos nossos candidatos a estudiosos deste instituto publicamos aqui alguns documentos – trabalhos  de casa…

calendário perpétuo do dr. faustrol – permite-nos reconhecer as diversas festas supremas e também as do grande vaziu (comuns).

Festas Supremas – principais principais:

ONTOGÉNIE PATAPHYSIQUE

Festas Supremas principais secundárias:
NAVEGAÇÃO DO Dr FAUSTROLL

Festas Supremas secundárias:
FESTA DOS POLIEDROS

Festas Supremas de terceiro grau:
FESTA DA CANDEIA VERDE

Festas Supremas de quarto grau:
St Alambique – “o abstracto”

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Invocation a la Momie Antonin Artaud

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Invocation à la Momie (Antonin Artaud)

 

 

Ces narines d’os et de peau
par où commencent les ténèbres
de l’absolu, et la peinture de ces lèvres
que tu fermes comme un rideau
Et cet or que te glisse en rêve
la vie qui te dépouille d’os,
et les fleurs de ce regard faux
par où tu rejoins la lumière
Momie, et ces mains de fuseaux
pour te retourner les entrailles,
ces mains où l’ombre épouvantable
prend la figure d’un oiseau
Tout cela dont s’orne la mort
comme d’un rite aléatoire,
ce papotage d’ombres, et l’or
où nagent tes entrailles noires
C’est par là que je te rejoins,
par la route calcinée des veines,
et ton or est comme ma peine
le pire et le plus sûr témoin.

Irei descer Voltarei aos altares

aaa-demo

O tempo chegou – desceremos através da Espiral – a dos Tempos.

O ponto central da espiral, é também a do abismo – do Conhecimento.

O abismo é o caminho que os Adeptos almejam alcançar (deverão passar) – a Grande Cidade das Pirâmides.

Adentrando-nos nesse reino infernal e, caminhando em espiral, poderemos alcançar a capital do reino – para alguns, Infernal.

E esse reino representa (pode representar) a total reestruturação do sistema.

Para tal é necessário que superes as dualidades e te tornes um Mestre.

O Mito da descida, é o caminho. Aquele em que todos, no seu percurso, rumam ao interior do grande ciclo e, logicamente, iniciarão (tomarão em suas mãos) o outro.

São muitos os que nos seguirão.

Está escrito, nos muitos Livros e tal pensamento, patente nas muitas culturas: – uma nova Era surgirá!

Os calendários estão mortos.

Outros serão adoptados.

Outros.

Estruturados noutras frequências. Noutros ritmos.

Os dos Tempo.

Os que provocarão uma outra ordem mental. A que nos convidará seguir a harmonia:

– A da natureza

– A da mente

– A dos ciclos (solar – lunar)…

Reordenaremos a nossa mente.

Valorizaremos o fluxo do calendário lunar, sua tradição iniciática.

Somos os filhos das “bruxas” e “magos” que a cristandade não conseguiu queimar nas suas fogueiras.

Estamos vivos e reivindicamos o regresso da “Grande Roda do Ano” com seus sabat e festividades lunares.

Reivindicamos as práticas da Bruxaria tradicional. A grande FESTA. Uma sociedade humanizada onde a criatividade e a liberdade são a grande chave.

Reivindicamos a absoluta liberdade. A liberdade é una. É um todo.

A liberdade é! – a “liberdade parcelar” não o é!

A liberdade e a criatividade irrompem. Espontaneamente.

Não há (não pode haver) “parcelas” de liberdade.

Há, tão só Liberdade.

É a Liberdade que desejamos. Que reivindicamos.

Quando as estrelas estiverem alinhadas eles voltarão para destruir o mundo. Os “Antigos” transportam consigo os nomes esquecidos e trarão, de novo, os poderes negados ou adormecidos.

Os poderes que residem no nosso interior – os quais não damos conta

Eles voltarão aos altares.

E Eles destruirão os altares.

A liberdade será reconquistada aos tiranos – A Grande Árvore será o nosso trono

marques de sade O marido padre

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O marido padre – Conto provençal

Entre  a cidade  de Menerbe, no condado  de Avinhão, e a de Apt, em Provença,  há um pequeno  convento  de carmelitas isolado,  denominado Saint-Hilaire,  assente  no cimo   de uma montanha onde até mesmo às cabras é difícil o pasto; esse pequeno sítio é aproximadamente como a cloaca de todas as comunidades vizinhas  aos carmelitas; ali, cada uma delas relega o que a desonra, de onde não é difícil inferir quão puro deve ser o grupo de pessoas que frequenta essa casa. Bêbados, devassos, sodomitas, jogadores; são esses, mais ou menos, os nobres integrantes desse grupo, reclusos que, nesse asilo escandaloso, o quanto podem ofertam a Deus almas que o mundo rejeita. Perto dali, um ou dois  castelos e o burgo de Menerbe, o qual se acha apenas a uma légua de Saint-Hilaire – eis  todo o mundo desses bons religiosos que, malgrado  sua batina e condição, estão, entretanto, longe de encontrar abertas  todas as  portas de quantos estão à sua volta.

Havia muito o padre  Gabriel,  um dos santos desse eremitério, cobiçava certa mulher de Menerbe, cujo marido,  um rematado corno, chamava-se Rodin. A mulher  dele era  uma moreninha, de vinte e oito  anos, olhar leviano e nádegas roliças, a qual parecia constituir em todos os aspectos lauto banquete para um monge. No que tange ao sr. Rodin, este era homem bom, aumentando o seu património sem dizer nada a ninguém: havia sido   negociante de panos, magistrado, e era, pois, o que se poderia chamar um burguês honesto;  contudo, não muito  seguro das virtudes de sua cara-metade, era ele sagaz o bastante para  saber que o verdadeiro modo de se opor às enormes protuberâncias que ornam a cabeça de um marido é dar mostras de não desconfiar de os estar usando; estudara para tornar-se padre,   falava latim como Cícero, e jogava bem amiúde o jogo de damas com o padre Gabriel que,   cortejador astuto e amável, sabia que é preciso  adular  um pouco o marido  de cuja  mulher  se deseja possuir. Era um verdadeiro modelo dos filhos de Elias, esse padre Gabriel: dir-se-ia que toda a raça humana podia tranquilamente contar com ele para multiplicar-se; um legítimo fazedor de filhos, espadaúdo, cintura de uma alna(1), rosto perverso e trigueiro, sobrancelhas como as de Júpiter, tendo seis pés de altura  e aquilo que é a característica principal de um carmelita, feito, conforme se diz, segundo os moldes dos mais belos jumentos da província. A que mulher um libertino assim não haveria de agradar soberbamente? Desse modo, esse homem se prestava de maneira extraordinária aos  propósitos da sra. Rodin,  que  estava muito longe de encontrar tão sublimes qualidades no  bom senhor que  os pais lhe haviam dado por esposo. Conforme já dissemos, o sr. Rodin   parecia  fazer  vistas grossas  a  tudo,  sem ser, por isso, menos ciumento, nada dizendo, mas ficando por ali, e fazendo isso nas diversas vezes em que o queriam bem longe. Entretanto, a ocasião era boa. A ingénua Rodin simplesmente havia dito a seu amante que apenas  aguardava o momento para corresponder aos desejos que lhe pareciam fortes demais para  que continuasse a opor-lhe resistência, e padre Gabriel, por seu turno, fizera com que a sra. Rodin percebesse que ele estava pronto a satisfazê-la…  Além disso, num breve momento  em que Rodin fora obrigado a sair, Gabriel mostrara  à sua encantadora  amante uma dessas   coisas que fazem com que uma mulher se decida, por mais que hesite… só faltava, portanto, a ocasião.

Num dia em que  Rodin saiu para almoçar com seu amigo de Saint-Hilaire, com  a ideia de o convidar para uma caçada, e depois de ter esvaziado algumas garrafas de vinho  de Lanerte, Gabriel  imaginou  encontrar na circunstância o instante propício à realização  dos seus desejos.

– Oh, por Deus, senhor magistrado, – diz o monge ao amigo – como estou contente de vos ver hoje! Não  poderíeis ter vindo num momento mais oportuno do que este; ando às voltas com um caso da maior importância, no qual  haveríeis de ser a mim de serventia sem par.

– Do que se trata, padre?

– Conheceis Renoult, de nossa cidade.

– Renoult, o chapeleiro.

– Precisamente.

– E então?

– Pois bem, esse patife me deve cem céus (2), e acabo de saber que ele se acha às portas da falência; talvez agora, enquanto vos falo, ele já tenha abandonado o  Condado…   preciso muitíssimo correr até lá, mas não posso fazê-lo.

– O  que vos impede?

– Minha missa, por Deus! A missa que devo celebrar; antes a missa fosse para o diabo, e os cem écus voltassem para o meu bolso.

– Não compreendo: não vos podem fazer um favor?

– Oh, na verdade sim, um favor! Somos três aqui; se  não celebrarmos todos os dias três missas, o superior, que nunca as celebra, nos denunciaria a Roma; mas existe um meio de me ajudardes, meu caro; vede se podeis fazê-lo; só depende de vós.

– Por Deus! De bom grado! Do que  se  trata?

– Estou sozinho aqui com o sacristão; as duas  primeiras missas foram celebradas, nossos monges já saíram, ninguém suspeitará do ardil; os fiéis serão poucos, alguns camponeses, e quando muito, talvez, essa  senhorinha tão devota que mora no castelo de… a meia légua daqui; criatura angélica que, à força da austeridade, julga poder reparar todas as estroinices do marido; creio que me dissestes que estudastes para ser padre.

– Certamente.

– Pois bem, deveis ter aprendido a rezar a missa.

– Faço-o como um arcebispo.

– Ó meu caro e bom amigo! – prossegue Gabriel lançando-se ao pescoço de Rodin – são dez horas agora; por Deus, vesti meu hábito, esperai soar a décima primeira  hora; então celebrai a missa, suplico-vos; nosso irmão sacristão é um bom diabo, e nunca nos trairá; àqueles que julgarem não me reconhecer, dir-lhes-emos que é um novo monge, quanto aos outros, os deixaremos em erro; correrei ao encontro de Renoult, esse velhaco, darei cabo  dele ou recuperarei meu dinheiro, estando de volta em duas horas. O senhor me aguardará, ordenará que grelhem os linguados, preparem os ovos e busquem o vinho; na volta, almoçaremos, e a caça… sim, meu amigo, a caça creio que  há de ser boa dessa vez: segundo se disse, viu-se pelas redondezas um animal de chifres, por Deus! Quero que o agarremos, ainda que tenhamos de nos defender de vinte processos do senhor da região!

– Vosso  plano é bom – diz Rodin – e, para vos fazer um favor, não há, decerto, nada que eu não faça; contudo, não haveria pecado nisso?

– Quanto a pecados, meu amigo, nada direi; haveria algum, talvez, em executar-se mal a coisa; porém, ao fazer isso sem que se esteja  investido de poderes  para tanto, tudo o que dissentes e nada são a mesma coisa. Acreditai em mim; sou casuísta, não há em tal conduta o que se possa chamar pecado  venial.

– Mas seria  preciso repetir a liturgia?

– E como não? Essas palavras são virtuosas apenas em nossa boca, mas também esta é virtuosa em nós… reparai, meu amigo, que se eu pronunciasse tais palavras deitado em cima de vossa mulher, ainda assim eu havia de metamorfosear em deus o templo onde sacrificais… Não, não, meu caro; só nós possuímos  a virtude da transubstanciação; pronunciaríeis vinte mil vezes  as palavras, e nunca faríeis descer algo dos céus; ademais, bem amiúde connosco a cerimónia fracassa por completo; e, aqui, é a fé que faz tudo; com  um pouco de fé transportaríamos montanhas, vós sabeis, Jesus Cristo o disse, mas quem não tem  fé nada  faz… eu,  por exemplo, se nas vezes  em que  realizo a cerimónia penso mais nas moças ou nas mulheres da assembléia do que no diabo dessa folha de pão que revolvo em meus dedos, acreditais que faço algo acontecer? Seria mais fácil eu crer no Alcorão que enfiar isso na minha cabeça. Vossa missa será, portanto, quase tão boa quanto a minha; assim, meu caro, agi sem escrúpulo, e, sobretudo, tende coragem.

– Pelos céus, – diz Rodin – é que  tenho uma fome devoradora! Ainda  faltam duas  horas para o almoço!

– E o que  vos impede de comer um pouco? Aqui tendes alguma coisa.

– E a tal missa que é preciso celebrar?

– Por Deus! O que há de mal nisso? Acreditais que  Deus se há de macular mais caindo numa barriga cheia em vez de numa vazia? O  diabo me carregue se  não é a mesma coisa a comida estar em cima ou embaixo!  Meu caro, se eu dissesse em Roma todas as vezes que almoço antes de celebrar minha missa, passaria minha vida na estrada. Além disso, não sois padre, nossas regras não vos podem constranger; ireis  tão-somente dar certa imagem da missa, não ireis celebrá-la; consequentemente, podereis fazer tudo o que quiserdes antes ou depois, inclusive beijar vossa mulher, caso ela aqui estivesse; não se trata de agir como eu; não é celebrar, nem consumar o sacrifício.

– Prossigamos – diz Rodin – hei de fazê-lo, Podeis ficar tranquilo.

– Bem – diz Gabriel, dando uma escapadela, depois de fazer boas  recomendações do amigo ao sacristão… – contai comigo, meu caro; antes de duas horas estarei aqui  – e, satisfeito, o monge vai embora.

Não é difícil imaginar que ele chega apressado à casa da mulher do magistrado; que ela se admira de vê-lo, julgando-o em companhia de seu marido; que ela lhe pergunta a razão  de visita  tão imprevista.

– Apressemo-nos, minha cara – diz o monge, esbaforido – apressemo-nos!  Temos para nós apenas  um instante… um copo de vinho, e mãos à obra!

– Mas, e quanto a meu marido?

– Ele celebra a missa.

– Celebra a missa?

– Pelo sangue de Cristo, sim, mimosa – responde o carmelita, atirando a sra. Rodin ao leito – sim, alma pura, fiz de seu marido um padre, e, enquanto o farsante celebra um mistério divino, apressemo-nos em levar a cabo um profano… O monge era vigoroso; a uma mulher, era difícil opor-se-lhe quando ele a agarrava: suas razões, por sinal, eram tão convincentes… ele se põe a persuadir a sra. Rodin, e, não se cansando de fazê-lo a uma jovem lasciva de vinte e oito anos, com um temperamento típico da gente de Provença, repete algumas vezes suas demonstrações.

– Mas, meu anjo – diz, enfim, a beldade, perfeitamente persuadida – sabeis  que se esgota o tempo… devemos nos separar: se nossos prazeres devem durar apenas o tempo de uma missa, talvez ele já esteja há muito no ite missa  est.

– Não, não, minha querida – diz o carmelita, apresentando outro argumento à sra. Rodin – deixai estar, meu coração, temos todo o tempo do mundo! Uma vez mais, minha cara amiga, uma vez mais! Esses noviços  não vão  tão rápido quanto nós… uma vez mais, vos peço! Apostaria que o corno ainda não ergueu a hóstia consagrada. Todavia, mister foi que se despedissem, não sem promessas de se reverem; tracejaram novos ardis, e Gabriel foi encontrar-se com  Rodin;  este havia celebrado a missa tão bem quanto um bispo.

– Apenas o quod aures – diz ele – embaraçou-me um pouco; eu queria comer em vez de beber, mas o sacristão fez com que eu me recompusesse; e quanto aos cem écus, padre?

– Recuperei-os, meu filho; o patife quis resistir, peguei de um forcado, dei-lhe umas pauladas, juro-vos, na cabeça e noutras partes.

Entretanto, a diversão termina; nossos dois  amigos vão à caça e, ao regressar, Rodin conta à sua mulher o favor que prestou a Gabriel.

– Celebrei a missa – dizia o grande tolo, rindo com todas as forças – sim, pelo corpo de Cristo! Eu celebrava a missa como um verdadeiro vigário, enquanto nosso  amigo media as espáduas de Renoult com um forcado…  Ele  dava  com  a vara; que dizeis disso,  minha vida? Colocava galhos na fronte; ah! boa e querida mãezinha! como essa história é engraçada, e como os cornos me fazem rir! E vós, minha amiga, o que fazíeis enquanto eu celebrava a missa?

– Ah! meu amigo – responde a mulher – parecia inspiração dos céus! Observai de que modo nos ocupavam de todo, a um e a outro, as coisas do céu, sem que disso suspeitássemos; enquanto celebráveis a missa, eu entoava essa bela oração que a Virgem dirige a Gabriel quando este fora anunciar-lhe que ela ficaria grávida pela intervenção do  Espírito Santo. Assim seja, meu amigo! Seremos salvos, com toda certeza, enquanto ações   tão boas nos ocuparem a ambos ao mesmo tempo.

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(1) Antiga medida de comprimento de três palmos

(2) Antiga moeda francesa.

o louco

… os mercadores procedentes dos mais longínquos países, oferecem-nos, no paraíso, produtos exóticos de todo o tipo…
frescas frutas e verduras que, com esmero, os cozinheiros prepararão para nosso repasto
recuperarão as antigas receitas, as que as tribos de antanho já cozinhavam quando dos seus ritos ao Sol
jóias e finas sedas embelezarão nossos corpos
mágicos, actores, e marionetistas exibirão os seus melhores momentos de criatividade
poetas e músicos converterão a viagem ao grande sabat num encantador passeio
e
pronto,

esta introdução ao canhenho de notas do nosso irmão, podemos ficar por aqui. ainda que muito mais pudesse ser dito,
porém, devido ao adiantado da hora…

deixamos este espaço em branco para vossa reflexão

preto 1

porque o silêncio e a alvura do papel são, talvez, dos melhores signos da alegria

claro que sim…

o autor destas linhas, é um dos guerreiros que não nos deixa esquecer que a principal fonte de energia somos nós próprios – a sua obra tem despertado uma intensa emoção em toda a irmandade

que os deuses velem por ele

 S” ¯Å  S” ¯Å

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sabemos que
toda a verdade é relativa
e
que o de antes volta a tornar-se presente graças ao
rito ………………………………………………………….
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……………………………e
regressamos sempre
dominados pela ansiedade de saber
decifrar o oculto

há sempre
algo que se nos escapa
de que necessitamos
e ……………………………………………………….
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…………………………..introduzir
o_fascínio_no_campo_de_manobras
aglutinação .
pôr
do lado de .
do lado de . pôr
aplicações .
e
os objectos
ao tocarem-se transmitem o seu significado .
suas
estratégias de composição .
fragmentos .
adição
versus subtracção .
um
processo
de agregação contínua de materiais,
que de
forma
táctil se fundem .

na acumulação .
na substituição ……………………………………..
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………………………………………………………….
………………………………………………………….

negro-pedras2

………………………….. e
o louco é a
lâmina que abre e fecha o livro (o alfa e o omega)
ele é a transgressão ao estabelecido
não numerado
o louco
é aquela parte de nós
bastante sábia para se extasiar diante do mistério da criação
e
bastante audaz para se lançar à aventura
o louco
conforma-se com uma nova forma de viver a noite
e
tudo começou …………………………………… um dia
muito antes de terem nascido os deuses
…………………………………………………………………
………………………………………………………………….
………………………………………………………………….
………………………………………………………………….
………………………………………………………………….
………………………………………………………………….
………………………………………………………………….
………………………………………………………………….

Mandragora Officinarum

mandragora

a constelação de Orión era (segundo consta em vários canhenhos) habitada pelo Deus Osiris, o qual, há milhões de anos padecia de uma doença estranha – o aborrecimento

e

porque nunca tinha tido a oportunidade de se olhar ao espelho, decidiu vir á Terra para se contemplar num dos seus templos

com este objectivo, disfarçou-se de cavaleiro – colocou uma espada na bainha do seu cinto ornado por três pedras preciosas. um capacete e uma couraça, completam a sua indumentária de guerreiro.

mas, porque desejava um companheiro para a viajem, convidou uma estrela vizinha – O Cão – o qual aceita acompanhá-lo.

por seu turno, esta estrela resolve conservar a sua própria figura de cão

e

levar consigo, como amuleto, meia lua de chumbo.

foi assim que se lançaram ambos num voo de séculos a caminho do nosso planeta.

ao aproximarem-se da Terra, o primeiro encontro foi com grandes bandos de pássaros, que chilreando de júbilo, se cruzaram com eles, e saudaram efusivamente Osiris como se se tratasse de um velho amigo. porém, com o cão nada queriam, pois este dava mordidelas, grunhia e tentava matar os que dele se aproximavam.

mas próximo da Terra, grandes nuvens de mosquitos, abelhas e moscardos se aproximaram, respeitando o cavaleiro, enquanto ao pobre cão tratavam de o mortificar sem compaixão.

um pouco mais perto do nosso planeta, o efeito da Lei de Atracção, provocou o descalabro; o cão com a sua lua de chumbo – bem pesada – precipitou-se. até se perder de vista.

Osiris, entretanto, escutava o relato de quantos animais encontrava, a respeito das coisas da Terra.

entretanto a estrela – O Cão – precipitou-se sobre a superfície do planeta com tal violência que se fundiu no solo gritando e pedindo auxílio…

ao ouvir o pedido de socorro, Osiris procura libertar o companheiro, empunha a sua espada e escava desesperadamente.

primeiro, descobre o focinho, logo as orelhas, mais tarde a cabeça, as patas, e por último, o tronco. no fim desta operação, levada a cabo por Osiris, o local ficou repleto de destroços; bocados da espada, carne do animal e sangue…  uma mescla de aço e carne de cão.

então o aço – pertença do Deus –  ali ficou como símbolo do bem

e

a carne no animal, como base do malefício.

conta-se que naquela noite se ergueu nesse lugar um cadafalso onde foi sacrificado um inocente que no momento em que foi levado à forca se urinou de medo. a urina caiu sobre o aço e a carne do cão provocando, assim, o nascimento de uma planta à qual chamaram Osirides. outros, porém, a apelidaram de Mal Canino. Mais tarde, essa mesma planta, foi denominada de Mandrágora.

desde essa altura a medicina ocupa-se desta planta para lhe extrair a parte de Deus, a que cura as enfermidades. porém, a parte do cão destina-se ao lado obscuro…

(a Magia Goética trabalha muito com a Mandrágora).

os curandeiros também obtêm  bons resultados para curar todas as enfermidades dos órgãos sexuais, os rins e, sobretudo, é o remédio por excelência contra os males do baço – e o baço tem grande importância astral.

para nós, a mandrágora é usada apenas para efeitos astrais… ritos que beneficiam as nossas prestações enquanto criadores de acções performativas.

estamos a falar da planta Mandrágora Officinarum. que outros conhecem pelos nomes vulgares de Berenjenilha ou Uva de Mouro (Atropa Mandrágora). esta planta que cresce na península ibérica, em bosques sombrios, junto às correntes de água e em sítios misteriosos onde nunca penetra o Sol. a sua raíz é grossa, longa e esbranquiçada, por vezes dividida em duas partes.

uma porção de folhas ovais e onduladas rodeia a raiz e se estende em círculo pelo solo.

o seu fruto, semelhante a uma pequena maçã, produz um odor desagradável assim como toda a planta.

os campesinos conhecem, ainda que por tradição, o terror que só o nome desta planta despertava nos seus antepassados.

para eles era um vegetal que tinha algo de Ser Humano e as obras de magia indicavam-na como algo excepcional a que é forçoso dispensar culto.

Teofrasto Paracelso diz: Antropomórfosis, Columela, Simili − Homo e Eldal, árvore com cara de homem.

entrava na composição dos Filtros, dos malefícios e em diferentes receitas de feiticeiros.

quando a arrancavam da terra, diziam que o homenzinho encerrado nela lançava gritos horríveis e gemidos agudos.

era preciso colhê-la, debaixo de uma forca, após ritos estranhos.

há uma variedade de Mandrágora conhecida como do género feminino, distingue-se pelas suas folhas pequenas, pelas suas flores púrpuras e seu largo fruto.

uma obra da Idade Média distingue estas variedades, na forma de Homem e Mulher, Adão e Eva, no Paraíso Terreal.

entre as plantas sagradas, a verdadeira Mandrágora, a dos magos, só cresce em abundância nos Himalaias – Tíbet – onde os sacerdotes a cultivan.

Leyendas hay sobre esta planta que llenarían volúmenes. La Biblia la cita en el Génesis en relación con el acto sexual. Josefus, Buda, Confucio y Mahoma, la mencionaban, y todos ellos se preocuparon por ella. La Iglesia cuenta que el Arzobispo Eberhardo murió en el año 1066 debido a un maleficio hecho con esta hierba, y sobre su tumba hay una lápida que hasta hoy mismo es admirada por los turistas donde se relata este hecho. Los concilios, se ocuparon siempre de este asunto y la mayor parte de los procesos de la Inquisición tienen como cuerpo del delito las manipulaciones con Mandrágora.

acto do conhecimento

 

então | só então | quando adão | adão e eva | estavam | adão e eva estavam | no eden | segue bem o conto de fadas | esse conto de fadas | a mulher | a má | convenceu | convenceu o homem a comer a maçã | a maçã que veio | veio da árvore do conhecimento | e porque era do conhecimento | adão e eva foram punidos | punidos adão e eva | e a mulher | a mulher tem que sangrar | sangra e | e o homem tem que | tem de | ir trabalhar | e esse | esse é o resultado | o resultado do desejo | do desejo do homem | porque | porque a mulher | sugeriu | apenas sugeriu | que era | que era boa ideia | e a ideia | o facto | só o facto de | de que | de que ele | ele pudesse ter conhecimento | conhecimento que | que era | era domínio | domínio exclusivo de deus | então | só então se infere | se infere que | que o cristianismo | o cristianismo é uma religião | uma religião anti-intelectual | e se | se é uma religião | uma religião anti-intelectual | se sim | e | e se tu fores religioso | se fores | não és | não és nunca | e nunca serás esperto | então | então que sejas | que sejas apenas burro | burro para caralhos | e | e sendo burro | sendo assim burro | irás parar ao paraíso

plagiando uma citação de Frank Zappa