o louco

… os mercadores procedentes dos mais longínquos países, oferecem-nos, no paraíso, produtos exóticos de todo o tipo…
frescas frutas e verduras que, com esmero, os cozinheiros prepararão para nosso repasto
recuperarão as antigas receitas, as que as tribos de antanho já cozinhavam quando dos seus ritos ao Sol
jóias e finas sedas embelezarão nossos corpos
mágicos, actores, e marionetistas exibirão os seus melhores momentos de criatividade
poetas e músicos converterão a viagem ao grande sabat num encantador passeio
e
pronto,

esta introdução ao canhenho de notas do nosso irmão, podemos ficar por aqui. ainda que muito mais pudesse ser dito,
porém, devido ao adiantado da hora…

deixamos este espaço em branco para vossa reflexão

preto 1

porque o silêncio e a alvura do papel são, talvez, dos melhores signos da alegria

claro que sim…

o autor destas linhas, é um dos guerreiros que não nos deixa esquecer que a principal fonte de energia somos nós próprios – a sua obra tem despertado uma intensa emoção em toda a irmandade

que os deuses velem por ele

 S” ¯Å  S” ¯Å

negro2

sabemos que
toda a verdade é relativa
e
que o de antes volta a tornar-se presente graças ao
rito ………………………………………………………….
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……………………………e
regressamos sempre
dominados pela ansiedade de saber
decifrar o oculto

há sempre
algo que se nos escapa
de que necessitamos
e ……………………………………………………….
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…………………………..introduzir
o_fascínio_no_campo_de_manobras
aglutinação .
pôr
do lado de .
do lado de . pôr
aplicações .
e
os objectos
ao tocarem-se transmitem o seu significado .
suas
estratégias de composição .
fragmentos .
adição
versus subtracção .
um
processo
de agregação contínua de materiais,
que de
forma
táctil se fundem .

na acumulação .
na substituição ……………………………………..
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negro-pedras2

………………………….. e
o louco é a
lâmina que abre e fecha o livro (o alfa e o omega)
ele é a transgressão ao estabelecido
não numerado
o louco
é aquela parte de nós
bastante sábia para se extasiar diante do mistério da criação
e
bastante audaz para se lançar à aventura
o louco
conforma-se com uma nova forma de viver a noite
e
tudo começou …………………………………… um dia
muito antes de terem nascido os deuses
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o que me interessa – o acto

aproxima~se a noite de “pela leonor verdura” em tavira… é já a 21 de setembro. na biblioteca municipal. e isso, essa acção a sul, leva-me a afirmar que o que me interessa é o acto e não o facto. o acto é a construção (para mim), o facto é já outra coisa que desejo – sempre – seja coisa de monta. é o espectáculo. e o espectáculo está pronto a servir. assim haja quem o venha ver… assim o espero. assim o esperamos.

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sonho e realidade V do kaos

U M  O L H A R   S O B R E  A  R E A L I D A D E

CAOS?
uma pergunta… e uma resposta no olhar de nossa janela. a resposta não é completa tão pouco objectiva – apenas um desfazer de preconceitos e um olhar diferente.

o caos é a possibilidade de tudo…
os gregos o diziam. todavia o público tem uma noção limitada sobre ele – o caos.

para ele (público) o caos é algo dos domínios do mal, da desordem… mas serão estes os conceitos de caos?

o caos enquanto possibilidade de tudo, é uma teoria. uma forma de interpretar a realidade…

os sistemas dinâmicos comportam variações e, com o decorrer do tempo… de forma aleatória. sempre.

dizem que estes sistemas estão sempre presentes e em factos simples; como o de uma folha que cai de uma árvore ou o de uma borboleta batendo asas.

a imprevisão está ligada ao sistema e, a evolução caótica é o resultado desta imprevisibilidade.

olhemos através de nossa janela…
uma acção em progresso. um acto único nos encontros de arte contemporânea algarve-andaluzia (tavira) porque:

no princípio era o caos… talvez em busca das nossas raízes perdidas – a lei é, todavia, simples… porém, o comportamento no espaço
complexo

base: “arte, caos, ou a própria realidade?”

arte performance algarve tavira

encontros de arte contemporânea algarve-andaluzia – um projecto da associação de artistas plásticos do algarve

mandrágora esteve presente – tavira, atalaia, 2011  (com m. almeida e sousa e gonçalo mattos)
a ideia
o projecto
envolveu o quotidiano – o espectáculo – como diria gui debord
e
prevemos as imagens

Ao viver sentimos que cada momento, cada instante, é fugaz. Quando construímos uma acção a partir das nossas vivências, também ela será fugaz, efémera como qualquer acção real. Na proposta tudo passa pela recriação do instante, ou pela sua imagem, a criação de uma acção, sem a intenção de outra coisa que não a acção em si mesma.
As vivências são, pois, a matéria prima e a criação é elaborada a partir de imagens (memórias). Tais imagens passam e a intenção será apreendê-las num “espaço-matéria”, de forma a que todos os momentos efémeros não o sejam tanto e não nos escapem com facilidade.
Os materiais são, como as acções, efémeros – ao passar pelo objecto abandonado na rua vem-nos à ideia a sua utilização na acção. Porém, se o não guardarmos, no dia seguinte ele foi levado para a lixeira.
A acção criada num palco ou num espaço pictórico é tão fugaz como o objecto que encontrámos na rua… o seu fim será necessariamente uma lixeira uma grande lixeira. Dessa acção fica-nos apenas um “souvenir” para o álbum de família.

mas
o objecto da nossa “alma” é o corpo, só esse corpo existe no acto.
O actor procura colocar-se num ponto e “organiza” a sua percepção do espaço circundante – dá-se início ao movimento

e
tudo o mais são adereços num espaço
a alternativa passa pela extenuante e constante busca de uma humanidade perdida e destruída. uma espécie de trágico visionarismo que descobre as imagens perdidas (entenda-se imagens como um todo poético a exemplo de António Maria Lisboa; “…Tudo são imagens…” ou se quisermos; na magia tudo é imagem, cor, ritmo, sonoridade, movimento – a abstracção é, pois, estranha a este fenómeno)

nota: esta acção de mandrágora contou com participação de m. almeida e sousa e gonçalo mattos – prevista inicialmente a participação de bruno vilão. um projecto em processo e progresso. um acto só possível graças ao apoio do quartel de tavira “atalaia” e da insistência e aposta de josé bivar no “novo”, no inovador.

cena 2 nota 1

          resumindo; a acção poética em processo e em progresso é aquela que contempla relatos e, num primeiro olhar, transmite uma sensação semelhante à que produz uma mesa posta com conhecimento e gosto… enfim, que só pode proceder de uma natural relação entre a pessoa que a pôs e os seus actos. nessa mesa que contemplamos,  repleta de iguarias, há muito mais que correcção, coerência e beleza. é fácil perceber que a disposição é dinâmica e que a vitalidade da imagem está ligada a poderosa expressão poética, na sua penetrante capacidade de sugerir outras leituras. leituras que, com a maior naturalidade, se expandem enquanto o observador se introduz no “quadro” e descobre que há espaço, mais que suficiente, para a imaginação. a sensatez é, neste caso, uma obra-mãe de depuração estilística.

a acção não se constitui num sistema fechado. são muitas e nem sempre complementares, as vidas desta vida.

imagens; performance de manuel almeida e sousa em tacira – associação “min arifa”