como se fora intervalo

gritei alto pelo estreito orifício de uma fechadura desconhecida
escalei as mais altas montanhas imaginadas na tua boca
e
juntos
cavalgámos um navio de papel nos lagos calmos de nossa geografia impossível

nessa noute
nas dobras de um beijo

lemos o burburinho das vozes que o sol escurece

sonho e realidade VII-o louco

decifrar o oculto

algo nos escapa
e …………………………………………………………………………………………….
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………………………….. seduzidos
introduzimos
o_fascínio_no_campo_de_manobras
os objectos transmitem sinais
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………………………….. o louco é a lâmina que abre e fecha o livro
(o alfa e o omega) ele é a transgressão ao estabelecido
ao não numerado …………………………………………………………………. o louco
é aquela parte de nós
demasiado sábia para se extasiar diante do mistério da criação
e
audaz o bastante para se lançar à aventura
o louco
conforma-se com uma nova forma de viver a noite

e
tudo começa ………………………………………………………………………… um dia
muito antes de terem nascido os deuses
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…………………………………………. o louco despertou de um sono profundo
e
descobriu que lhe roubaram as máscaras
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as sete máscaras que havia moldado e usado nas suas sete vidas
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– benditos sejam os ladrões que me roubaram as minhas máscaras!
disse (do alto da sua bicicleta)
– graças a eles tornei-me louco e, com a minha loucura recuperei a liberdade e
a salvação
a liberdade de estar só
e
a salvo do julgamento dos outros
e
assim ………………………………………………………………………………………………….
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……………………………………………………………………………………………………………
……………………………………………………………………………………………………………
……………………………………………………………………………………………………………
…………………………………………………………………………………… a compreensão
depende
de
cada UM

sonho e realidade VI-comunicar

comunicamos de forma | de forma | de na forma | a da palavra | a do silêncio | e as que | as que menos | as que menos comunicam | são | são precisamente | elas | as palavras

são as que menos | menos comunicam e | as que mais falsas | falsas ou imprecisas | e a razão | a razão razoável | razoável porque | porque deveria | e se deveria | porque não | porque não imagens | imagens a acompanhar | e barulhos | barulhos oscilantes | ainda que | ainda que  mínimos | ainda que  ondulantes | ainda que

as páginas | as páginas em branco | e também | também os olhares | também poros | também respirações | para mais | muito mais comunicação | mais verdadeiramente mais | e exigir reflexos | metamorfoses | toques carnais | toques no ir e no voltar | um toque | um toque aqui | ali | mas um toque | uma carícia e um toque | como afago | um toque que | que | e que se estende

gerador | o toque | gerador de uma acção | comunicando o comportamento | a magia do comportamento | da acção | a de comunicar

comunicar | comunicar com |  comunicar com beijos

sonho e realidade V do kaos

U M  O L H A R   S O B R E  A  R E A L I D A D E

CAOS?
uma pergunta… e uma resposta no olhar de nossa janela. a resposta não é completa tão pouco objectiva – apenas um desfazer de preconceitos e um olhar diferente.

o caos é a possibilidade de tudo…
os gregos o diziam. todavia o público tem uma noção limitada sobre ele – o caos.

para ele (público) o caos é algo dos domínios do mal, da desordem… mas serão estes os conceitos de caos?

o caos enquanto possibilidade de tudo, é uma teoria. uma forma de interpretar a realidade…

os sistemas dinâmicos comportam variações e, com o decorrer do tempo… de forma aleatória. sempre.

dizem que estes sistemas estão sempre presentes e em factos simples; como o de uma folha que cai de uma árvore ou o de uma borboleta batendo asas.

a imprevisão está ligada ao sistema e, a evolução caótica é o resultado desta imprevisibilidade.

olhemos através de nossa janela…
uma acção em progresso. um acto único nos encontros de arte contemporânea algarve-andaluzia (tavira) porque:

no princípio era o caos… talvez em busca das nossas raízes perdidas – a lei é, todavia, simples… porém, o comportamento no espaço
complexo

base: “arte, caos, ou a própria realidade?”

janus o deus

 

sonho e realidade. o mistério. o abstracto – deus. mas não um deus qualquer, o deus janus, o do princípio – o de dois rostos – aquele que emprestou o seu nome a janeiro e gerou a unidade
janus vive a e na montanha. os seus dois rostos vigiam um e outro lado do serro… também em portugal a divindade se instalou nas alturas – serra de sintra – os seus dois rostos vigiavam e defendiam o sagrado premonitório lunar (muito antes da invasão árabe) a norte e a sul. aqui e por influência de janus, resultam dois povoados gémeos – os dois rostos do deus: na encosta sul (hoje concelho de cascais) a aldeia de janes e, na encosta norte (concelho de sintra) a povoação de janas – os dois povoados são um. uma vez que, os dois são a unidade
os nossos sonhos revelam a cerimónia da coroação… uma coroa negra flutua sobre as nossas cabeças. uma coroa negra – da cor da fome de poesia, da cor do anarquismo. uma coroa que brilha no cimo de todas as serras disparando gritos de que o rei foi eleito. um rei nómada, um rei anarquista, mago e… poeta
cada erva… cada raiz… serve-se como num chá e, revela-nos vertiginosas visões
as roseiras disparam os seus espinhos e dos seus botões florescem rosas negras. aos adoradores do caos e dos sultões nada os governa para além do amor ou da feitiçaria – as suas habilidades

antes da cena III

pode ser | pode muito bem ser | que e o | e o do que | venha do além | e o que | o que me faça cometer loucuras | pode ser | pode muito bem ser | que o mundo invisível | possa e seja | seja e possa | seja demoníaco e | que | que o mundo deva ser excluído | o mundo | o invisível | pode ser | pode muito bem ser | que não seja capaz | capaz de ver | de não ver | não | não sou capaz | pode ser | pode muito bem ser | de conhecer | o que não conheço e | temo | que temo o | e odeio o que odeio | e como odeio quero destruído | pode ser | pode muito bem ser | por isso é que | que o racional prefere | o racional prefere sempre | prefere mesmo o fosso | prefere o fosso à | ponte e | gosta | gosta mesmo | do corte a separar domínios | domínios concretos | domínios | onde todos os invisíveis são iguais e | pode ser | pode muito bem ser | que iguais e maus