espec t acto

“telegramando” poema antónio aragão

e
lá estou eu a fazer mais um espectáculo
agora com poemas estranhos (experimentais… etc & tais)
e
claro.
para meia dúzia de devotos

em vez de me pirar deste rectângulo mal frequentado…

até já
tinha pensado ir para a grécia quando vi (com agrado) um cão anarquista a dar trabalho à bófia
tinha pensado ir para moçambique (que é longe e podia perder a vontade de voltar)
tinha pensado ir para cabo verde…
mas não
que porra…!?
vou-me quedando por aqui…

dêem-me um passaporte de cão!!!
é.  
nunca me entenderei com a humanidade

m.a.s.

destacamos hoje antónio aragão que estará presente em “para leonor verdura” – espectáculo de mandrágora com base na poesia concreta/experimental PORTUGUESA (estreia prevista em novembro de 2012)

 

BATATAS. PESCOÇO. SALSA. ETC.

à mesa do restaurante a facilidade da revolução com granadas nos pratos. o Fagundes exaltou-se e empurrou a roupa: todo sujo de nomes e decorado de sustos. alguém gritou: a sopa está acesa e o estilo do universo não presta. o povo que diga. o povo que meta. entretanto
o Juca empernava com a Micas por baixo da mesa e bebia mais nuvens com cornos no copo. talvez mais manteiga. talvez mais pimenta. a Micas que diga. a Micas que meta. talvez mais salada. talvez mais armas. depois ela ardia uma sacana na testa.
a fome era muita. a revolução incerta. e repetimos as batatas e a maldade da metralhadora muito quente na travessa. e a gente insistia. o povo que diga. o povo que meta. então
pedimos mais guerrilha com azeitonas e cegas luas em lata. a certa altura
comi um país na ponta do garfo. porra era fácil e havia o direito! mas não quis mais santos decapitados nem assombros de vacas. em seguida
contei o meu tempero da revolução à malta. e pus o paraíso no pescoço cortado para não me sujar no retrato.
o povo que diga. o povo que meta.

E HAVIA OS BOIS DA BATALHA DE ALJUBERROTA COM A MÃE SATISFACTA À JANELA MORTA E O GAJO PATRIÓTICU SEMPRE A DESPIR A NOIVA SANTA. CLARO QUE TAMBÉM A MALTA COM OUTRA BANDEIRA DA PÁ!TRIA E O GRI GRI DO ASPIRADOR A CATAGRUAR A GRETA.

pronto: fiquei eterno de camisa e suspeito de salsa.

ANTÓNIO ARAGÃO
“in” Pátria.Couves.Deus.Etc

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