notas soltas performance arte

         ao substituir a narrativa clássica – casual, diacrónica – provoca-se a deslocação de uma organização temporal para uma organização espacial. a sincronia provoca um sentido de atemporalidade que remete para uma obra aberta, universal, logo não temporal.

ainda que a relação – ou equivalência – seja clara entre linguagem e pensamento, nem sempre será cumprido o acerto de que toda a predisposição para o pensamento corresponde a uma forma determinada de falar. tudo passa pela atitude do usuário linguístico (intenção, ironia, etc.) e, pela capacidade de (ele) utilizar uma linguagem capaz de transmitir o dito, é dizer; o que alguns chamam de função poética da linguagem. somos, pois, levados pela sedução da palavra – o falante é responsável pelo que diz e em distinguir as relações entre o que se diz – dito – e o que procura dizer de forma a penetrar no jogo; – o que se fala, o que deve entender quem escuta.

portanto, uma poética acção – a poesia será aquilo que está em movimento e tudo o mais será “prosa”.  e o desejo é um estar em movimento, não parar, actuar… o exposto é tanto retórica quanto conceptual. a acção vai avançando de acordo com suas próprias fissuras, produto de múltiplos confrontos, directos e indirectos que, no terreno experimental, são realmente vividos. as chaves deste acontecer poético: o móvel e o estático.

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