nota 4

 

“Para o teatro, assim como a cultura, a questão continua a ser a de nomear e dirigir as sombras”

Antonin Artaud

a arte corporal do poeta é uma forma emergente, o que poderá justificar a ausência de elementos que marquem um estilo. esta acção, cujo suporte é o corpo, contém em si o rufar de tambores … uma base – a terra.
e os corpos como sombras, agitam-se em transe. o corpo e a terra … pluralidade numa relação de causa-efeito numa explosão de símbolos e signos. um entendimento único, absoluto, verdadeiro, dirigido ao espectáculo construído por “magos” e “bruxos” recuperadores (em processo) de rituais perdidos – um poema – intenso. xamânico.

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nota 3 a dos deuses e das sombras 2

persefone e plutão

2º – EXPLICAÇÃO – OUTRA EXPLICAÇÃO

UM – perséfone

uma outra explicação do ciclo com a deusa como protagonista

perséfone

perséfone – a figura central dos mistérios – o mito – o da rainha do submundo
a rainha
e
a esposa
esposa de hades – senhor do submundo
é a deusa filha
um jogo duplo – mãe-filha – demeter-perséfone
é
ainda a fertilidade
o despertar da natureza – primavera
e
é a morte
a sua viagem para o hades – outono

um ciclo bem explicado pelo mito
o mito do rapto

um ponto um – o rapto de perséfone

perséfone | é | também | também kore | a inocente filha | a filha de demeter | demeter a deusa | e | perséfone | perséfone colhe flores | colhe com as ninfas | a ninfa artemis | a ninfa atena | as ninfas outras | e | avista | senão quando | quando avista uma bela flor | uma bela flor que | uma bela flor nunca antes vista | uma bela flor que lhe enche | e | enche o coração | um coração de felicidade |  tinha | tinha de a levar | aquela | bela flor | mostrá-la às | e às ninfas | e à mãe | mostrar mas | mas mostrar e | e ela não sabia | não sabia a história da flor

não sabia a história da flor
não sabia a história da flor
não sabia a história da flor

não sabia a história da flor

narciso | era a flor do | a flor do narciso | que tinha | e tinha | aí | posto aí | aí por |  zeus | a flor do narciso |  que tinha | que tinha posto | posto zeus aí | era uma armadilha | uma armadilha | de zeus | para que | para que ela | para que ela fosse | para que ela fosse levada | para o | o hades | no hades se tornasse | se tornasse esposa | a do deus do submundo

e
foi
isso que
aconteceu
e
na sua inocência
perséfone colhera a flor
e logo de imediato abriu-se
o chão e hades surgiu no carro
puxado por cavalos assustadores e a
submeteu levou-a para o submundo sem

deixar rasto

um ponto doisdas diligências de demeter


demeter

gritou perséfone | gritou o medo | e | o medo percorreu os mares | e o medo percorreu | percorreu os céus | e o medo gritado | chegou à gruta | a gruta onde hécate morava ainda | e o grito | o grito foi ouvido | sentido por hélios | hélios que tudo vê | e | por demeter que correu no pânico até | até sua filha que não viu | e quando | quando não viu | demeter desesperou | e | não vendo | percorreu a terra | não viu |  a filha | errou em demanda | errou por nove dias | errou por nove noites | e | chegou | entrou na gruta | a de | de hécate | e | contou | contou-lhe o passado | e a deusa | a deusa informou-a | do grito | do grito do medo | o medo que ouvira | e | com ela foi | foi até hélios | e | hélios lhes contasse o visto | o visto por hélios
e
o deus o fez

hélios

e demeter correu a zeus
e demeter
e demeter exigiu
e demeter exigiu que
e demeter exigiu que libertasse
e demeter exigiu que libertasse a filha
e demeter exigiu que libertasse a filha do

submundo

porém zeus não podia não queria interferir nos equilíbrios porque o que vai para a sombra por vontade de hades aí permanece e deve permanecer então demeter em desespero percorre a terra e chega a eléusis onde é acolhida e perséfone  abandonada à sua triste sina e assustada lá no submundo recusava a comida e as ofertas de hades porque perséfone tinha medo daquele deus assustador demeter porém toma conta do filho do governante de eléusis e chega mesmo a tentar fazê-lo imortal mas a terra perecia porque sem a deusa a regar as plantas as plantas não cresciam apenas morriam e a terra passou pela pior seca de sempre e a ameaça do fim da vida do planeta era gritante o que alarmou zeus então o soberano  do olimpo resolveu enviar hermes ao submundo para ir buscar perséfone

hekate

e
hades
lá cedeu
mas ofereceu
na despedida uma
romã o fruto de eleição
de  perséfone um presente
e a deusa inocente comeu um
único bago o que já foi suficiente
a partir daí ficou ligada ao submundo

para sempre

um ponto trêsa solução de zeus

zeus | o soberano zeus | zeus encontrou a formula | e | a formula foi | foi um | um não quebrar | não quebrar o equilíbrio | não quebrar e agradar | agradar a demeter  | agradar a hades | metade do ano perséfone está com hades | demeter | triste na terra | demeter não cuida | não cuida das plantas | não cuida e é o outono | e é o inverno | outra metade do ano perséfone volta
e
a primavera virá com ela

o ciclo é cumprido

vai
vem
vai e vem periodicamente – do mundo subterrâneo à superfície e da superfície ao mundo subterrâneo

morta  
ou
viva

as leis da percepção visual permitem atingir e gerar sensações de movimento sem prescindir do ideal. da beleza.

perséfone é uma alma
perséfone é      a alma
quando imagino a minha morte a minha alma morre.
o corpo, porém, permanece.
a razão…? a razão é sempre outra. a razão é uma porta entreaberta que, dispara… que segue o sistema com o qual se pode operar e alcançar visões surpreendentes e também, neste caso, sair de forma airosa do repto – o enfrentar a arquitectura e… os ritos
o que mais nos impressiona é a forma… o movimento
de fora para dentro
e
de dentro para fora

acto introvertido, intimo, absorvente. um acto. e o acto choca. liga e assenta na reconfortante crença de que
morre a alma e, o corpo, continua indefinidamente na roda. a da vida. a que gira… sem fim
 
ao alcance
do caos

a fertilidade e a esterilidade
a vida e a morte
a luz e a obscuridade

a grande disputa
………………………. entre os deuses

deméter e hades
querem-na
querem perséfone

há… um pensamento

alma penada – alguém que pena por ter alma
alma…
janela aberta ao infinito onde pairam os deuses imortais
e
uma romã

– hades cedeu
mas antes, ofereceu uma romã a perséfone como presente de despedida.
a deusa comeu um só bago. foi o suficiente… ficou ligada para sempre ao submundo.

- zeus encontrou a formula de não quebrar…
e
assim agradar a demeter e a hades. metade do ano perséfone está com hades no submundo
e
demeter, banhada pela tristeza, não cuida das plantas – é outono e inverno.
mas perséfone regressa à superfície e a primavera marca a sua chegada.



o ciclo é a viagem

submundo <———-> terra